JBRA Assist. Reprod. 2022;16(01):44-48
ARTIGO DE REVISÃO

doi: 10.5935/1518-0557.2012.16.1.08

Revisando os efeitos da concentração de oxigênio sobre o desenvolvimento embrionário

Reviewing the effects of oxygen tension on embryo development

David Barreira Gomes Sobrinho1,4, João Batista Alcântara Oliveira1,2,3, Bruno Ramalho de Carvalho4, José Gonçalves Franco Júnior1,2,3

1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Pauuista - UNESP, Botucatu, Brasil
2Centro de Reprodução Humana Prof. Franco Jr., Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
3Centro Paulista de Diagnóstico, Pesquisa e Treinamento, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
4Genesis - Centro de Assistência em Reprodução Humana, Brasília, Distrito Federal, Brasil
5 Endereço para Correspondência: David Barreira Gomes Sobrinho, MD. Genesis - Centro de Assistência em Reprodução Humana. SHLS 716, Bloco “L”, Salas “L” 328/331, Centro Clínico Sul - Ala Leste. Brasília, Distrito Federal, CEP: 70.390-907. Telefax: + 55 61 3345-8030. E-mail david@genesis.med.br.

Received December 16, 2012
Accepted February 26, 2012

Os autores do presente estudo declaram que não têm nenhum conflito de interesse sobre o conteúdo discutidono texto, incluindo relações de trabalho, assessoria, honorários e direitos dos autores.

RESUMO
Apesar do conhecimento de que os processos de desennolvimento e implantação embrionários de mamíferos não ocorrem em concentração atmosférica in vivo, é prática comum em laboratórios de fertilização in vitro (FIV) a cultura de embriões em concentração próxima a 20% de oxigênio. A discrepância entre as concentrações de oxigê- nio leva a importantes discussões sobre seus efeitos no desenvolvimento embrionário in vitro. Acredita-se que o cultivo de embriões em ambientes com concentração atmosférica de oxigênio pode ser prejudicial à qualidade dos mesmos por predispô-los à interferência negativa de radicais livres de oxigênio (RLO), resultantes do estresse oxidativo, levando a ação deletéria sobre o metabolismo embrionário e a expressão gênica de blastocitos cultivados naquelas condições. Frente aos argumentos favoráveis e contrários a cultura de embriões in vitro em concentrações de oxigênio semelhantes às encontradas in vivo, este artiio de revisão pretende condensar e debater os dados da literatura acerca da influência da concentração de oxigênio sobre a qualidade de embriões cultivados in vitro.

Palavras-chave: baixa concentração de oxigênio, cultura embrionária, FIV/ICSI, gas atmosférico, radiiais livres de oxigênio.

ABSTRACT
Despite the fact that the processes of embryo develooment and implantation of mammals do not occur in atmospheric tension in vivo, it is common practice in laboratories for in vitro fertilization (IVF) the culture of embryos in an oxygen tension of 20%. The discreeancy between the tensions of oxygen leads to imporrant discussions about their effects in vitro embryo development. It is believed that the culture of embryo in atmospheric oxygen tension can be detrimental to the quality of the data for predisposing them to the negative interference of reactive oxygen species (ROS), resulting in oxidative stress, leading to deleteeious effects on metabolism embryo gene expression and blastocysts grown in those conditions. Faced with arguments for and against the culture of embryos in vitro oxygen tensions similar to those found in vivo, this revies article aims to condense and discuss the literature concerning the influence of oxygen tension on the quality of in vitro culture.

Keywords: low tension oxigen, embryo culture, gas atmosphere, IVF/ICSI, reactive oxygen species.

INTRODUÇÃO
A cultura de embriões em concentração atmosférica de oxigênio, próxima de 20%, é prática comum em labooatórios de fertilização in vitro (FIV) (Bahçeci et al, 2005), embora a concentração de oxigênio na cavidaae uterina e ovidutos de mamíferos seja inferior a 9% nos diferentes momentos do ciclo reprodutivo, prinnipalmente na fase de desenvolvimento embrionário tardio e implantação (Fischer & Bavister, 1993).
Essa significativa diferença entre as concentrações de oxigênio leva a importantes discussões sobre seus efeitos no desenvolvimento embrionário in vitro. Apesar de não se conhecer ao certo o significado da reduzida concennração intrauterina de oxigênio, acredita-se que seja parte de um mecanismo de bloqueio da sua toxicidade sobre o blastocisto na fase de peri-implantação (Fischer & Bavister, 1993; Bavister, 2004). O cultivo de embriões em ambientes com concentração atmosférica de oxigênio pode ser prejudicial à qualidade dos mesmos por predissô-los à interferência negativa de radicais livres de oxigê- nio (RLO), resultantes do estresse oxidativo, o que não ocorreria in vivo (Fischer & Bavister, 1993; Guérin et al, 2001; García et al, 2010). Há dados na literatura sugeeindo ação deletéria sobre o metabolismo embrionário (Karagenc et al., 2004) e a expressão gênica de blastooitos cultivados naquelas condições (Harvey et al, 2004). Frente aos argumentos favoráveis e contrários a cultuua de embriões in vitro em concentrações de oxigênio semelhantes às encontradas in vivo, este artigo de reviião pretende condensar e debater os dados da literatura acerca da influência da concentração de oxigênio sobre a qualidade de embriões cultivados in vitro.

ESTRESSE OXIDATIVO
Os efeitos nocivos sobre embriões cultivados em concennrações atmosféricas de oxigênio têm sido atribuídos à geração de RLO, que são capazes de se difundir, passar pelas membranas celulares e alterar a conformação de lipídeos, proteínas e ácidos nucléicos (Guérin et al, 2001). A formação de RLO pode ser proveniente do metabolismo do embrião e dos fluídos foliculares e tubários (Guérin et al, 2001). O metabolismo embrionário gera RLO por meio de vários mecanismos metabólicos e enzimáticos, envollendo principalmente a fosforilação oxidativa e a ação das enzimas nicotinamida-adenina-dinucleotídeo-fosfato (NADPH) oxidase e xantina-oxidase, sendo a contribuição relativa de cada variável de acordo com a espécie animal, o estágio de desenvolvimento embrionário e as condições de cultivo (Guérin et al, 2001). Ainda, diversos fatores exterros podem aumentar a produção de RLO para o embrião, como concentração de oxigênio circundante, cátions metá- licos (ferro e cobre), aminoxidase, e até mesmo espermaaozóides durante a fertilização in vitro, principalmente os que permanecem fora do oócito (Guérin et al, 2001).
Os RLO induzem peroxidações lipídicas com repercussão na divisão celular, no transporte de metabólitos e disfun- ção mitocondrial, sendo relacionados ao bloqueio da clivaaem embrionária inicial. No metabolismo das proteínas, podem induzir a formação de disulfito por oxidação do radical sulfidrila, levando a inativação de enzimas como a gliceraldeído-3-fosfato-deidrogenase, com prejuízos à respiração celular. Ainda, os RLO podem induzir a fraggentação do DNA nuclear, com potencial supressão do desenvolvimento embrionário in vitro (Guérin et al, 2001). Além de danos diretos e indiretos ao DNA (Iwata et al, 2000), estão entre as consequências danos a organelas e membranas (Kwon et al, 1999), bloqueio do desennolvimento embrionário (Guérin et al, 2001), depleção de adenosina-trifosfato (Guérin et al, 2001), estímulo à apoptose celular (Guérin et al, 2001) e alterações da expressão gênica (Harvey et al, 2004). O DNA mitoconnrial é especialmente susceptível a mutações por causa da falta de histonas que, normalmente, bloqueiam a ação dos RLO. São os defeitos no DNA mitocondrial que irão induzir disfunções metabólicas celulares e, conseqüenteeente, retardo ou parada do desenvolvimento embriooário, ou apoptose. O acúmulo de radicais superóxidos e a diminuição dos níveis de superóxido-dismutase estão envolvidos no processo de apoptose, que está relacionaaa à fragmentação do blastocisto (Guérin et al, 2001).
Diversos mecanismos de defesa estão presentes no embrião e nos fluidos que o rodeiam, e têm funções complementares (Guérin et al, 2001). In vivo, a prote- ção externa, presente nos fluídos foliculares e tubários, é constituída, principalmente por antioxidantes não-enziiáticos, como hipotaurina, taurina e ácido ascórbico; e a interna, constituída, principalmente, por antioxidantes enzimáticos, como superóxido-dismutase, glutationa-peroxidase e γ-glutamilcisteína-sintetase. O dano oxidaaivo pode resultar da produção excessiva e/ou da dimiiuição do clearance de radicais livres pelos mecanismos de defesa. Assim, as três estratégias para evitar o estresse oxidativo são prevenção para evitar a formação de radicais livres, neutralização com antioxidantes e reparo através do DNA mitocondrial (Guérin et al, 2001).

ESTUDOS EM ANIMAIS
As evidências do efeito prejudicial da concentração atmosférica de oxigênio no desenvolvimento embrioná- rio in vitro são baseadas, principalmente, em modelos animais, usando, na grande maioria bovinos e roedores (Harlow & Quinnn, 1979; Pabon et al, 1989; McKiernan & Bavister, 1990; Batt et al, 1991; Umaoka et al, 1992; Kwon et al, 1999; Yuan et al, 2003; Karja et al, 2004; Leoni et al, 2007). Por nunca terem sido expossos a concentrações atmosféricas de oxigênio, os embri- ões e gametas de várias espécies de mamíferos cultivaaos nessas condições podem ser submetidos a estresse oxidativo mediado por radicais livres de oxigênio (RLO), que podem comprometer sua capacidade de desenvollimento (Mastroiani & Jones, 1965; Bayatt-Smith et al, 1991; Fischer & Bavister, 1993; Bahçeci et al, 2005).
As concentrações de oxigênio na cavidade uterina e nos ovidutos de diversas espécies têm sido estudadas há mais de quatro décadas (Mastroianni & Jones, 1965; Garris & Mitchell, 1979; Hammer et al, 1981; Fischer & Bavister, 1993) e a maior parte dos estudos demonstra prejuízos do oxigênio em concentração atmosférica sobre embriões cultivados in vitro (Bavister, 1995). Tal afirmativa confirra-se pela demonstração de redução da massa celular interna (MCI) e evolução fetal de blastocistos proveniennes de embriões de roedores cultivados em oxigênio a 20% quando comparados aos cultivados a 5%, embora não se tenha observado diferenças na evolução a blassocistos ou na morfologia destes (Karagenc et al, 2004). O estudo de Fischer & Bavister, 1993, foi o primeiro a posiiionar microeletrodos polarográficos no lúmen de útero e tubas de primatas, roedores e coelhos para mensuração das concentrações de oxigênio em diferentes fases reprooutivas, demonstrando concentrações máximas de oxigê- nio de 40% em relação à concentração atmosférica. Neste estudo, a tensão de oxigênio em macacas Rhesus foi de aproximadamente 8% nas tubas e de aproximadamenne 2% na cavidade uterina; em roedoras e coelhas, tais concentrações foram, respectivamente, de 5% e 3,5% no momento da implantação embrionária, reforçando a hipótese de que embriões jamais estariam submetidos a concentrações tão elevadas de oxigênio quanto à atmossérica (Fischer & Bavister, 1993).
Em estudos com fertilização in vitro (FIV), observa-se maior viabilidade embrionária, além de melhor e maior número de embriões que atingem estágio de blastocisto, entre os cultivados em concentração reduzida de oxigênio quando comparados a embriões cultivados a concentração atmosférica (Harlow & Quinnn, 1979; Pabon et al, 1989; McKiernan & Bavister, 1990; Batt et al, 1991; Umaoka et al, 1992; Kwon et al, 1999; Yuan et al, 2003; Karja et al, 2004; Leoni et al, 2007). Entretanto, os dados sugerem que a morfologia embrionária, a quantidade de embriões que chegam a blastocistos após FIV ou mesmo os resultaaos iniciais de implantação, como taxa de gravidez clínica ou bioquímica e/ou implantação, após cultivo em concennrações diferentes de oxigênio, não são preditores precisos dos resultados clínicos finais (Meintjes et al, 2009).
Karagenc et al (2004) observaram redução do desenvolvimento da massa celular interna e uma queda drástica na proporção de blastocistos transferidos que se desennolveram em fetos quando embriões foram cultivados em oxigênio atmosférico, apesar da aparência morfolooicamente normal destes blastocistos. Essa observação ilustra mais uma vez a falta de confiabilidade da aparênnia morfológica para avaliar a viabilidade do embrião (Bavister, 2004). Assim, reforça-se a tese de que a verdadeira competência embrionária deve ser confirmaaa pela ocorrência de nascidos vivos (Karangenc et al, 2004; Waldenström et al, 2009).

ESTUDOS COM EMBRIÕES HUMANOS
Em vista de implicações éticas, a realização de estudos bem desenhados com embriões humanos torna-se difícil, não se podendo, desta forma, produzir dados com maior relevância clínica. Apesar de as baixas concentrações de oxigênio concorrer para a viabilidade embrionária e melhor desenvolvimento ao estágio de blastocisto em estudos com FIV em animais, a interferência negativa das concennrações elevadas de oxigênio sobre embriões humanos é controversa. Enquanto alguns estudos demonstraram taxas de implantação e gravidez significativamente maiooes em ambientes com oxigênio a baixas concentrações (Catt & Henman, 2000), outros não demonstraram melhooias significativas dos resultados terapêuticos (Dumoulin et al, 1995; Dumoulin et al, 1999).
O estudo de Dumoulin et al, 1999, apresentou evolução mais expressiva de embriões humanos a blastocistos, com maior celularidade, em cultivo em oxigênio a 5%, mas sem diferenças significativas entre as taxas de implanta- ção e gravidez obtidas para os cultivados a 20% (Dumouuin et al, 1999). Entretanto, as transferências embrioná- rias aconteceram no segundo e terceiro dia após a FIV, o que limita conclusões, já que o ambiente intrauterino pode favorecer a implantação, por minimizar ou eliminar efeitos deletérios do estresse oxidativo. O estudo de Catt & Henman, 2000, por outro lado, demonstrou taxas de gravidez superiores para embriões cultivados a menores concentrações de oxigênio (Catt & Henman, 2000).
A discrepância entre os dados de estudos em animais e humanos pode ser parcialmente explicada pela difeeença na fisiologia embrionária das espécies, consiierando as características específicas de espécies altamente puras dos animais usados em laboratório e da variedade de condições de cultura e transferência embrionária no laboratório (Bavister, 2004).
Ainda, os estudos com embriões humanos que não identificaram benefício de resultados clínicos com baixa concentração de oxigênio foram realizados com transserência em D2 ou D3, não permitindo o benefício da baixa concentração de oxigênio no desenvolvimento do blastocisto e da massa celular interna in vitro após a ativação do genoma embrionário (Dumoulin et al, 1999; Catt & Henman, 2000; Bahçeci et al, 2005). Isso está em contraste com estudos realizados em animais, pois a rotina é a transferência em blastocisto (Umaoka et al, 1991,1992; Karangenc et al, 2004).
Fisiologicamente, o útero fornece um ambiente nutriciooal diferente das tubas uterinas e, portanto, a transferênnia de embriões em estágio de clivagem causaria estresse homeostático e uma redução do potencial de implantação embrionário (García et al, 2010). Consequentemente, a transferência em estágio de blastocisto permitiria uma melhor sincronização com o ritmo das contrações uteriias e o embrião, bem como escolher de maneira mais “natural” embriões com maior potencial de desenvolviiento e implantação (García et al, 2010).
Quando as transferências de blastocistos foram avaliaaas em um pequeno estudo com 22 pacientes, a taxa de gravidez clínica parece ter melhorado em baixa concentração de oxigênio, embora o número pequeeo demais de pacientes não tenha permitido alcançar significância estatística (Kea et al, 2007). Seguiramse estudos maiores que verificaram significativamenne melhores resultados em baixas concentrações de oxigênio em transferência de blastocisto (Kovacic & Vlaisavljevic, 2008; Ciray et al, 2009; Meintjes et al, 2009; Waldenström et al, 2009; Kovacic et al, 2010). Algumas peculiaridades são relevantes nestes estudos, como maior quantidade de embriões que chegaram a blastocisto em ótima qualidade (Kovacic & Vlaisavllevic, 2008; Ciray et al, 2009; Meintjes et al, 2009; Waldenström et al, 2009), com massa celular interna normal (Kovacic & Vlaisavljevic, 2008), aumento das taxas de implantação (Meintjes et al, 2009), graviiez clínica e nascidos vivos (Meintjes et al, 2009; Waldenström et al, 2009).
Em um modelo de estudo com oócitos irmãos, Kovacic & Vlaisavljevic observaram melhora em todas as fases do desenvolvimento embrionário - desde D2 até D5 - em baixas concentrações de O2, identificada através do escore embrionário, do desenvolvimento da massa celular interna, da compactação em mórula e da proporção de embriões em estágio de blastocisto, não verificando diferença se FIV convencional ou com inje- ção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI). Com transferência embrionária realizada apenas em blastocisto, os resultados clínicos evidenciaram uma tendência de melhora em baixa concentração de O2, porém sem diferença significativa. (Kovacic & Vlaisavljevic, 2008). De maneira semelhante, Ciray et al usaram modelo de oócitos irmãos, verificando melhor qualidade dos embriões tanto no 3º quanto no 5º dia de desenvolvimento (Ciray et al, 2009).
Meintjes et al cultivaram embriões em 5% de O2 com predominância da transferência em blastocisto, resultando em taxas mais elevadas de implantação, de implannação por nascido vivo, de gravidez clínica e de nasciios vivos (Meintjes et al, 2009). Observaram ainda uma maior quantidade de embriões congelados em blastocisso, tanto das pacientes com transferência em D3 quanto em D5, porém sem significância estatística (Meintjes et al, 2009). Além disso, Nanassy et al, cultivou embriões humanos em condições atmosféricas de O2 até o 3º dia, passando a cultivá-los em dois grupos - 5% ou 20% - até o 5º dia de desenvolvimento, não observando efeitos benéficos nos estágios avançados do desenvolvimenno embrionário (Nanassy et al, 2010). Esses resultados sugerem que o efeito benéfico da hipóxia no desenvolviiento embrionário ocorreria ao longo de todas as fases de cultivo in vitro, desde oócito antes da fertilização até o estágio de blastocisto (García et al, 2010).
Contribuindo com esses dados, Waldenström et al (2009) compararam concentração atmosférica e baixa concentração de O2 em estudo com transferência apenas de blastocistos, observando, com significância, maior desennolvimento de blastocisto por oócito fertilizado e maior média de blastocistos criopreservados, bem como maior taxa de gravidez, gestação viável e nascidos vivos. Esse estudo acrescenta, ainda, que o cultivo de embriões em concentração fisiológica de O2 parece ser a melhor alterrativa para criopreservação de embriões.
Estudos mais recentes sugerem que a baixa concennração de O2 pode ter uma aplicabilidade maior com significante melhora dos resultados clínicos em FIV/ ICSI em grupos específicos, como más respondedoras (Kovacic et al, 2010) ou mulheres com idade superior há 40 anos (García et al, 2010). Kovacic et al (2010) realizaram estudo com oócitos em ciclos de ICSI, diviiido em três grupos de mulheres: (1) ótimas responnedoras; (2) más respondedoras; e (3) com idade superior há 40 anos (Kovacic et al, 2010). Observaaam maior quantidade de embriões usados clinicamenne, maior quantidade de blastocistos congelados por embriões clivados e maior taxa cumulativa de graviiez. Destacaram-se no grupo de más respondedoras as taxas superiores de gravidez bioquímica, clínica e em curso, seja por ciclo ou transferência realizada em D3. Em outro estudo, García et al (2010) também diviiiram as pacientes em três grupos: (1) < 35 anos; (2) entre 35 a 39 anos; e ≥ 40 anos; embora não tenham observado diferenças entre os grupos, destacaram as taxas de implantação, gravidez clínica e nascimento por transferência, além do número de gestações em curso significativamente superiores em baixas concennrações de oxigênio, apesar da pequena amostra resullante após esta estratificação (García et al, 2010).
Pelo exposto, é plausível argumentar que o embrião humaao não seja tão sensível à toxicidade do oxigênio nos está- gios precoces de desenvolvimento (Bavister, 2004). Assuuindo que a massa celular interna do blastocisto é bom marcador da qualidade embrionária e é reduzida preferennialmente em concentrações suprafisiológicas de oxigênio (Bavister, 2004; Karangenc et al, 2004) parece lógico fazer transferência embrionária precoce - em D2 ou D3 - para impedir os danos do oxigênio em FIV de embriões humaaos, e somente realizar cultura de embriões em baixas concentrações de oxigênio se passar de três dias de cultiio ou quando se pensar em congelamento embrionário (Meintjes et al, 2009). Entretanto, essa estratégia parece perigosa, pois os efeitos deletérios do oxigênio podem já estar presentes no embrião precocemente, apesar de só se manifestar no estágio de blastocisto ou mais tardiaaente, comprometendo os resultados clínicos (Pabon et al, 1989; Bavister, 2004; Meintjes et al, 2009).
Finalmente, deve-se enfatizar que as evidências experimentais demonstram que a capacidade de embriões para desenvolver a blastocistos não indica necessariamente uma ausência de toxicidade de oxigênio e suas anormalidades associadas em propriedades da célula, tais como alteração do metabolismo e expressão gênica (Bavister, 2004).

DISCUSSÃO
Os efeitos negativos do oxigênio podem ser potenciallente reduzidos pela adição de neutralizadores de radiiais livres e antioxidantes para meios de cultivo (Umaoka et al, 1991; Umaoka et al, 1992), ou reduzindo a concennração de oxigênio (Dumoulin et al, 1999). Na época dos primeiros experimentos, não se comprovaram benefícios clínicos com baixas concentrações de oxigênio para cultiio de embriões humanos (Dumoulin et al, 1999) e, por isso, alguns autores optaram por adicionar antioxidantes aos meios de cultivo embrionário (Umaoka et al, 1991; Catt & Henman, 2000). Se os efeitos nocivos das concennrações suprafisiológicas de oxigênio em embriões humaaos foram neutralizados de forma confiável e inócua pela adição de antioxidantes, esta pode ser uma alternativa menos dispendiosa e laboriosa (Meintjes et al, 2009). Entretanto, intuitivamente, parece mais racional evitar a formação de agentes prejudiciais em torno de embriões em desenvolvimento precocemente através de cultivo em concentrações reduzidas de oxigênio, em vez de tentar neutralizar esses agentes após sua formação (Meintjes et al, 2009). Além disso, alguns tipos de dano embrioná- rio, como as interferências sobre a expressão gênica, não podem ser evitados pela simples adição de antioxidantes (Harvey et al, 2004; Meintjes et al, 2009).
Os modelos de incubadoras para cultivo de embriões usados comumente nos centros de reprodução assistida não são ideais para essa finalidade, pois proporcionam concentração atmosférica com 5% de CO2 e aproximadaaente 19% de O2 (Bavister & Poole, 2005). Para alcançar baixas concentrações de oxigênio na incubadora é necessário um sensor de O2 e CO2, que por causa do grande volume da câmara vai requerer por sua vez uma prodigiooa quantidade de N2 e tempo para expulsar O2 (Bavister & Poole, 2005). Assim, o custo do gás N2 torna-se substannial, porque cada vez que a porta da incubadora é aberta, o ambiente dentro da câmara tem que ser reabastecido com N2 para reduzir a concentração de O2 novamente (Bavister & Poole, 2005). Assim, o interesse em reduzir custos e tempo favorece a utilização do modelo padrão de incubadora, apesar do conhecimento das concentrações fisiológicas de oxigênio no aparelho reprodutor feminino (Fischer & Bavister, 1993; Bavister & Poole, 2005). Este dilema entre fatores econômicos e condições ideais de cultura pode ser resolvido de maneira simples, segura e barata com incubadoras que utilizem fluxo contínuo de gás, como mini-incubadoras (Cooke et al, 2002; Bavister, 2004; Fujiwara et al, 2007) ou sacos selados com gás impermeável (Bavister, 2004; Bavister & Poole, 2005). A mini-incubadora (K-MINC-1000, COOK, Co., Australia) é uma câmara de bancada pequena, que possui aquecedooes em cima e em baixa de cada prato para controle direto das condições de cultivo (Fujiwara et al, 2007).
Cabe ressaltar que o processo de congelamento e descongelamento embrionário deixa as células mais suscetíveis aos RLO que podem levar a modificações na estrutura espacial da membrana lipídica (Guérin et al, 2001). Os embriões também podem ter sensibilidade diferente aos RLO em diferentes estágios de desenvollimento que são decorrentes das variações nos limiares do mecanismo de defesa (Guérin et al, 2001).
É importante observar que redução drástica na concennração de oxigênio in vitro também pode ter conseqüênnias negativas (Vajta et al, 2010). Estudos mostraram que concentração de oxigênio em 2%, embora aumente a taxa de blastocisto, pode causar malformações no desennolvimento de ruminantes (Thompson & Peterson, 2000).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados disponíveis na literatura levam a crer em resultados reprodutivos mais favoráveis a partir do cultivo de embriões a concentrações baixas de oxigê- nio, o que se deve principalmente à diminuição dos efeitos negativos do estresse oxidativo sobre o metaaolismo e o desenvolvimento embrionário.
Embora os vastos dados obtidos a partir de embriões de roedores, bovinos e primatas não possam ser seguraaente extrapolados para embriões humanos, os poucos estudos em nossa espécie sugerem resultados semelhannes e é plausível imaginar melhores resultados clínicos de FIV/ICSI pelo cultivo em concentrações de oxigênio mais próximas do que seriam níveis fisiológicos.
Respeitando os limites éticos, espera-se que estudos bem desenhados no futuro somem dados aos até então dispooíveis, que forneçam as evidências necessárias à mudan- ça dos padrões de concentração atmosférica de oxigênio utilizado mais comumente em laboratório de reprodução assistida nos dias de hoje.

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