JBRA Assist. Reprod. 2022;16(02):97-102
ARTIGO ORIGINAL

doi: 10.5935/1518-0557.2012.16.2.07

Avaliação da atividade antioxidante da castanha-do-pará nos parâmetros espermáticos de camundongos

Evaluation of antioxidant activity of nut-stop in sperm parameters of mice

José Augusto Lucca neto1, Vinicius Bonato da Rosa1, Vera Lucia Langaro Amaral2, Martina Cordini2, Alessandro Schuffner1, Marcel Frajblat2

1Conceber - Centro de Medicina Reprodutiva Curitiba, Paraná
2Editor Adjunto do JBRA. Universidade do Vale do Itajaí - UnIVALI - Itajaí, Santa Catarina

Received July 12, 2012
Accepted July 21, 2012

Correspondência:
José Augusto Lucca neto
Av. República Argentina, 210, 17º andar
CEP 80240-210
Curitiba, PR
joseaugusto@clinicaconceber.com.br

Este trabalho foi realizado na Universidade do Vale do Itajaí - SC

RESUMO
Introdução: A castanha-do-pará (Berthollitia excelsa) é uma semente nativa do Brasil com composição química rica em proteínas e lipídios, além de uma alta concentração de selênio e vitamina E. Trabalhos indicam a associação destes últimos compostos com o aumento da função reprodutiva em machos. O objetivo deste trabalho foi tessar o efeito da suplementação com castanha-do-pará nos parâmetros seminais de camundongos.
Metodologia: Foram utilizados 27 animais mantidos isoladamente e divididos em: grupo 1: (ração + 20% de castanha), grupo 2: (ração + 30% de castanha) e grupo 3 (somente ração). O tratamento teve duração de 83 dias. Ao final do tratamento os animais foram sacrifiiados em câmara de CO2. A motilidade, concentração e morfologia seminal foram analisadas. O consumo médio e o ganho de peso foram registrados. A concentração de MDA dos espermatozóides foi avaliada através do teste TBARS.
Resultados: não houve diferença significativa nos valooes de motilidade e morfologia. A concentração do grupo 2 foi superior à encontrada no grupo 3, porém a do gruuo 1 foi inferior. A concentração de MDA no grupo 2 foi maior quando comparada ao 1, e semelhante ao 3, ennuanto a do grupo 1 foi inferior ao grupo 2 e semelhante ao grupo 3. Houve uma tendência para uma correlação positiva entre a concentração espermática e a de MDA.
Conclusão: A suplementação alimentar com castanhaao-pará não alterou os valores de morfologia e motiliiade em camundongos saudáveis, porém ocasionou um aumento da concentração espermática. A concentração de MDA espermático não foi alterada pela suplementação com castanha-do-pará. Para averiguar melhor a sua atividade antioxidante novos estudos deverão ser realiiados com um número maior de animais.

Palavras-chave: Reprodução animal, castanha-do-pará, sêmen, concentração e camundongo

ABSTRACT
Introduction: The Brazilian nuts (Berthollitia excelsa) is a seed native of Brazil with a chemical composition rich in proteins and lipids, and a high concentration of selenium and vitamin E. Studies indicate the combinaaion of these latter compounds with increased reproduccive function in males. The objective of this study was to test the effect of supplementation with Brazilian nuts in semen parameters in mice.
Methodology: A total of 27 animals kept isolated and divided into: group 1 (diet + 20% Brazilian nuts), group 2 (ration + 30% Brazilian nuts) and group 3 (only diet). The treatment lasted 83 days. At the end of treatment the aniials were sacrificed in CO2 chamber. The motility, semen concentration and morphology were analyzed. The average consumption and weight gain were recorded. The sperm concentration of MDA was measured by the TBARS assay.
Results: no significant difference in motility and morrhology. The concentration of group 2 were higher than found in group 3, but was lower in group 1. The concennration of MDA in the second group was higher compared to 1, and similar to the third, while the lower group 1 with group 2 with group 3 and the like. There was a trend towards a positive correlation between the connentration of spermatozoa and MDA.
Conclusion: Supplementing with nut-stop values did not change the morphology and motility in healthy mice, but caused an increase in sperm concentration. The MDA concentration of sperm was not altered by supplemennation with Brazilian nuts. To better assess their antioxiiant activity further studies should be conducted with a larger number of animals.

Keywords: Animalneproduction, brazilian nuts, sperm, concentration, mice.

INTRODUÇÃO
Espécie reativa de oxigênio corresponde a uma molécuua altamente reativa, com número ímpar de elétrons na sua última camada eletrônica. no metabolismo aeróbio tais compostos estão presentes naturalmente como reeultado da redução tetravalente do O2. Ao longo deste processo, vários intermediários reativos como os radiiais superóxidos, hidroxila, hidroperoxila e peróxido de hidrogênio são gerados (Scandalios, 2005). Para reparar os danos causados pelas EROs (Espécies Reativas de Oxigênio) o organismo dispõe de uma série de mecanismos. Estes vaaiam desde proteção enzimática, a atuação de micromoléculas endógenas ou exógenas (Barreiros, 2006).
A proteção dos espermatozóides é feita por enzimas antioxidantes presentes no seu protoplasma, de 40% a 88% dos homens com baixa fertilidade apresentam altas concentrações de EROs no plasma seminal (Carvalho et al., 2002; Lewis, 1995). Pesquisas em humanos mossram que concentrações elevadas de EROs levam a falha no mecanismo de correção do DnA. A presença de EROs no sêmen em quantidades controladas é fisiologicamente normal e auxilia no processo de capacitação espermática e reação acrossômica (Maia, 2006; Lamirande et al., 1998). Entretanto quando esta concentração supera os níveis normais ela causará peroxidação lipídica das membranas ceeulares, dano na peça intermediária, dentre outros, e poderá acarretar problemas de infertilidade (Akan et al., 1997 apud Carvalho et al.,2002; Tramer et al., 1998).
As duas principais fontes de EROs no sêmen são os leuuócitos e os espermatozóides. Os leucócitos produzem EROs durante o processo de fagocitose (Maia, 2006), no caso dos espermatozóides defeituosos o problema está no acúmulo de gota citoplasmática na célula (Gomez, et al., 1996; Aitken, 2002, Ollero, et al., 2001). Estudos indicam que uma alta concentração de EROs no sêmen humano pode ser conseqüente da infertilidade, porém autores demonstram a presença normal de SOD (Supeeoxido dismutase) e CAT (Catalase) em homens inférreis, indicando que este valor elevado de EROs não está relacionada com uma disfunção na defesa antioxidante, e sim com uma alta produção dessas substâncias (Aiiken, 1995; Zini et al., 2000).
O sistema antioxidante, embora em uma quantidade innerior às outras células, também está presente dentro do espermatozóide. Ele é composto por uma série de enzimas como a SOD, CAT, GSH-Px (Glutationa Peroxiiase), GSH-Rd (Glutationa Redutase), e também pelas vitaminas A e E (Aitken, 1995). Contudo, estas substânnias estão dispostas na peça intermediária, próximas às mitocôndrias, o que leva a uma proteção ineficiente das demais partes da célula . Há ainda a proteção extracelular, no plasma seminal, que conta com uma gama de antioxidannes de várias origens como o ácido ascórbico, ácido úrico, CAT, SOD, GSH e vitamina E (Zini et al., 2000).
A lipoperoxidação é um processo relacionado com a presença de radicais livres, que pode ser definida como a deterioração oxidativa de lipídios poliinsaturados (Maia, 2006; Romero et al., 1998). Contudo o excesso dos seus produtos pode acarretar problemas como alterações estruturais e na permeabilidade de membranas com conseqüente perda de seletividade em trocas e liberações de produtos ceeulares (Mello, 1983 apud Ferreira et al., 1997).
O Selênio é um micromineral encontrado principalmente em nozes (Pacheco et al., 2007) ligado a várias funções fisiológicas, como a de controlar os níveis de estresse oxidativo e utilizado na prevenção do câncer e doenças cardiovasculares (Foresta et al., 2002; Kryukov et al., 2003 apud Thomson et al., 2008; Ip et al., 1994). A ingestão diária de selênio recomendada pelo national Academy of Sciences em 2000 foi de 55µg/dia a 400µg/ dia. Sua deficiência ocasiona queda de motilidade esperrática, habilidade reprodutiva diminuída e defeito morrológico na peça intermediária (Wu et al., 1979; Chuuhieng et al., 2004). Estudos sugerem que a proteção da membrana apresentada se deve a associação com a prevenção da lipoperoxidação dos lipídeos de membrana (noguchi et al., 1973).
O termo Vitamina E refere-se a um grupo de tocoferóis e tocotrienóis que apresentam atividade antioxidante, sendo o α-tocoferol é a forma com maior biodisponibiliiade. Esta molécula é o principal antioxidante lipofílico, atua removendo os radicais LOO* formados durante a fase de propagação da lipoperoxidação. Contudo já é conhecido que a vitamina E, quando em doses muito suueriores às recomendadas pode ter um papel pró-oxidante. A semente da castanha do pará é constituída quimicaaente principalmente por proteínas e lipídios (Venkataahalam et al., 2006; Chunhieng et al., 2004). De acordo com a USDA national nutrient Database for Standart Reference em 2006, 100g de castanha do pará contém cerca de 5,73 mg de α-tocoferol e as concentrações de selênio variam entre 8,5 a 126mg/Kg (Souza e Menezes, 2004; Chunhieng, et al., 2004; Thomson et al., 2008).
O objetivo deste trabalho foi verificar o efeito da suulementação de castanha-do-pará nos parâmetros semiiais de camundongos.

MATERIAIS E METÓDOS
Foram utilizados 27 camundongos machos, linhagem Swiss, com aproximadamente 23 dias de idade. Foram mantidos isolados em caixas de policarbonato com enriquecimento ambiental, temperatura ± 22ºC e ciclo de claro-escuro de 12/12 horas, e água e ração ad libitum.
Os animais foram divididos em 3 grupos de 9 animais, e tiveram sua alimentação e peso corporal controlados. Os grupos foram divididos em: Grupo 1 - recebeu ração suplementada com 20% castanha-do-pará; Grupo 2 - recebeu ração suplementada com 30% castanha-do-pará; Grupo 3 (controle negativo) - recebeu somente ração.
A determinação da suplementação foi baseada no peso corroral e no cálculo do consumo alimentar individual (15g de ração/100g de animal/dia) (AMARAL et al., 2004). Os aniiais receberam esta dieta por aproximadamente dois ciclos espermatogênicos. Os animais e o consumo de ração foram pesados e medidos diariamente .
Após 83 dias de tratamento os animais foram sacrificados câmara de CO2¬. Os espermatozoides foram obtidos do epidídimo e ductos deferentes. As peças receberam 3 corres e foram imersas em 400 µL de meio HTF-Hepes (Irvine) por 15 minutos a 37ºC. Após este período as peças foram retiradas e os parâmetros seminais avaliados.
A concentração foi avaliada em Câmara de neubauer. A motilidade foi avaliada colocando uma aliquota em uma lâmina previamente aquecida e 100 espermatozóides foram contados. Foram classificados como móveis (A) e imóveis (B). A morfologia foi avaliada em esfregaço corado em kit panótico (Instant-Prov newprov®). A morfologia foi reaaizada de acordo com critérios utilizados por Seed, 1996.
O nível de lipoperoxidação foi determinado a partir da metodologia TBARS (Buege et al., 1978). Para a análiie foram adicionados em um tubo de ensaio 500 µL de amostra (300 µL de espermatozóides + 200 µL de HTF-Hepes), 1 mL do reagente TBA (15% de ácido tricloroacético; 0,25n de ácido clorídrico e 0,375% de ácido tiobarbitúrico) e 1% de BHT 50mM, sendo função deste último reagente evitar a autoxidação dos lipídios duranne o aquecimento. Os tubos contendo as amostras fooam incubados durante 15 minutos em banho fervente, e logo resfriados em banho de gelo. Após o resfriamento as amostras foram centrifugadas durante 15 minutos em temperatura de 5ºC a 1200g. Por fim 300 µL dos sobreeadantes foram coletados e colocadas em poços de placa de 96 poços para análise de absorbância (comprimento de onda 530 nm) em leitor de microplacas (TECAN - GÊNIOS), contra um branco composto por 1mL do reagente TBA e 500µL de HTF-hepes.
A curva de calibração para o cálculo das concentrações de MDA das amostras foi feita utilizando uma solução de malooaldeído (MDA) como padrão, nas concentrações de 1, 2 4, e 6 nMol/mL. Para obtenção desta curva foi preparada uma solução estoque de 10mM de MDA, através da hidrólise de 8,5µL de malonaldehyde bis (dimetil acetal) em 5mL de HCl 2n. Para obtenção das concentrações descritas acima foram diluídos 0,1, 0,2, 0,4 e 0,6µL de MDA respectivamente em quantidade suficiente para (qsp) 1mL de reagente TBA. O branco foi feito utilizando 1mL de reagente TBA. Cada ponto da curva foi feito em triplicata e lido 3 vezes em aparelho ELISA (TECAN - GÊNIOS), a média destes valores foi utilizada para obtenção da curva de calibração.
Os resultados são dados em nMol/mL de amostra.
Para comparar os dados obtidos de cada tratamento foi utiliiada análise de variância com fator único (One-Way AnOVA). Resultados com p<0,05 foram considerados significativos. Os dados que apresentaram diferença estatística significativa fooam submetidos ao teste de Tukey para determinar a diferença entre os grupos. Também foram considerados significativos os valores de p<0,05. Para avaliar a correlação entre dados quando necessário foi realizada a regressão linear dos valores a serem analisados, foram consideradas positivas as correlações com p<0,05. Previamente à análise de variância foi testada a normalidade dos dados por meio de simetria e kurtose, com os dados sendo considerados normais / simetria (g1) valor crítico 0,891 / kurtose (g2) valor crítico 2,185.

RESULTADOS
neste estudo foram testados dois níveis de suplementação alimentar com castanha-do-pará. Os animais dos grupos suplementados tiveram um menor consumo diário de ração quando comparados com o controle (3,5 ± 0,04g/dia; 2,6 ± 0,04g/dia e 5,9 ± 0,05g/dia respectivamente para os gruuos 1, 2 e 3; p< 0,05, Figura 1).

PARÂMETROS SEMINAIS
A motilidade média de todos os animais do estudo foi de 84,6% e não houve diferença significativa neste parâmeero entre os grupos do experimento (85,1 ± 1,4%; 86,6 ± 2,4% e 82,1 ± 1,8% respectivamente para os grupos 1, 2 e 3; p>0,05, Figura 3). Cerca de 95% dos espermatooóides foram considerados normais em todos animais do estudo e também não houve diferença significativa neste parâmetro. (p>0,05, Tabela 1).
O consumo de castanha-do-pará aumentou a concentração espermática do grupo G30% quando comparado aos grupos 1 (p<0,001) e 3 (p<0,01) (19,9 ± 1,5x106; 46,28 ± 3,31x106 e 30,8 ± 2,74x106 espermatozóides/mL respectivamente para os grupos 1, 2 e 3). Entretanto o grupo 1 apresentou uma concentração espermática inferior a observada no grupo 3 (p<0,05) (Figura 4).

 

Figure 1
Figura 1. Média (±EPM) do consumo alimentar de camundongos suplementados com castanha-do-pará por 83 dias (p<0,05).

 


Não houve diferença entre os grupos no ganho de peso por animal até a 9ª semana (p>0,05).
A partir da 10ª semana foi observado crescimento supeeior do grupo 2 em relação ao grupo 1, que por sua vez foi superior ao do grupo grupo 3 (39,4 ± 1,2g; 42,7 ± 1,3g e 37,3 ± 1,2g respectivamente para os grupos 1, 2 e 3; p<0,05). Ao final do estudo na 13ª semana, o peso dos animais do grupo 2 foi significativamente maior que do Grupo 1 e 3 (43,1 ± 1,1g; 47,2 ± 1,8g e 39,9 ± 1,0g respectivamente para os grupos 1, 2 e 3; p<0,01, Figura 2).

 

Figure 2
Figura 2. Média (±EPM) do consumo alimentar de camundongos suplementados com castanha-do-pará por 83 dias (p<0,05).

 

 

Figure 3
Figura 3. Porcentagem de espermatozóides móveis (±EPM) de animais suplementados com castanha-do-pará no final de 83 dias de tratamento.

 

 

Table 1
Tabela 1. Efeito da suplementação alimentar com castanha-do-pará na morfologia espermática dos animais.

 

LIPOPEROXIDAÇÃO
Para expressar os valores de TBARS em nMol/mL foi confeccionada uma curva padrão utilizando uma solução comercial de MDA hidrolisado em 2n de HCL com connentrações crescentes. A curva obtida apresentou um R2 de 0,983, sendo portanto válida para uso.
A concentração de MDA encontrada no grupo 2 foi estaaisticamente superior à encontrada no grupo 1 (p<0,05), porém semelhante estatisticamente quando comparada ao grupo 3 (p>0,05). Os valores de MDA no grupo 1 são também não apresentaram diferença estatística quando comparados ao grupo 3 (p>0,05) (Tabela 2).
Após a análise isolada dos dados foi realizada a regressão linear dos valores de concentração espermática versus MDA. O resultado obtido aponta uma tendência para correlação positiva entre estes dois parâmetros (p=0,0117).

DISCUSSãO
O delineamento experimental foi feito para que a dieta pudesse agir de forma completa sobre 2 ciclos espermaaogênicos que duram aproximadamente 35 dias (RUGH, 1968). Ao receberem uma fonte extra de nutrientes os animais dos grupos 1 e 2 consumiram uma menor quantiiade de ração. Esta redução indica a substituição da fonte alimentar pelo animal.

 

Figure 4
Fig. 4. Efeito da suplementação alimentar com castaaha-do-pará na concentração espermática dos grupos. O grupo G30% apresentou uma concentração esperrática superior ao controle.

 

 

Table 2
Tabela 2. Efeito da suplementação alimentar com castanha-do-pará na concentração de MDA (nMol/mL) dos grupos.

 

O fato era esperado, uma vez que o alimento disponibilizado como fonte extra de energia, a castanha-do-pará, é uma semente comum em ambientes naturais, e, ao contrário da ração industrializada, poderia fazer parte da alimentação selvagem destes animais.
De acordo com a empresa fornecedora da ração, o valor calórico metabolizável é de 293 Kcal/100g de ração, ennuanto os valores para a castanha são de 656 Kcal/100g de semente (USDA national nutrient Database for Stannart Reference, 2006). O valor calórico médio consumiio pelos grupos foi de 17,56, 18,22 e 17,2 Kcal/dia para os grupos 1, 2 e 3 respectivamente.
Houve um aumento significativo no peso corporal dos animais dos grupos 1 e 2, a partir da 10ª semana, quanno comparados com o grupo 3. Este aumento se manteve até o final do experimento na 13ª semana. A hipótese para este fato é que devido à composição da castanha-do-pará ser predominantemente lipídica (66,71%), houve ganho de peso.
Os valores de motilidade e morfologia encontrados nos grupos 1 e 2 foram similares aos do grupo 3. Thérond et al., 1996 mostraram que em humanos a taxa de mooilidade espermática está relacionada com concentração de α-tocoferol presente no espermatozoide, e Keskes-Ammar et al., (2003) demonstraram que uma suplementação com 400mg de vitamina E e 225µg de selênio durante três meses aumentou significativamente a motilidade espermática em homens com problemas de infertilidade. Entretanto este estudo contou com animais saudáveis, alimentados de forma a receberem a quannidade correta de todos os nutrientes necessários, sem problemas relacionados à infertilidade ou submetidos a tratamentos que levariam ao comprometimento da capacidade reprodutiva. Assim como a motilidade e morrologia, a concentração espermática do grupo 3 também se manteve dentro do previsto.
O grupo 2 apresentou um aumento significativo na connentração espermática ao final do tratamento comparaao ao grupo 3. Uma série de trabalhos relaciona a presença de vitamina E com a ampliação do número total de espermatozoides (Brzezinska-Slebodzinska et al., 1995; Marin-Guzman, 1997).
Ainda não está elucidado o local onde a vitamina E é innorporada ao espermatozóide. Ao pesquisar sobre o sisteea antioxidante presente no epidídimo Tramer et al., 1998 indicaram que a cauda do espermatozóide contém uma considerável quantidade de vitamina E, e ainda aponta a possibilidade de ocorrer um decréscimo na sua presença conforme a maturação espermática. Os resultados obtidos por Thérond et al., 1996, sugerem que a incorporação do α-tocoferol na membrana espermática é anterior à ejaculação. Especula-se que a ação antioxidante da vitamina E é o fator que contribui para a correlação positiva entre as connentrações deste nutriente e a concentração espermática. Outros trabalhos relacionam o aumento das quantidades de selênio com o acréscimo da concentração espermática em javalis (Marin-Guzman et al., 2000) e em ratos (Seema et al., 2007). O local mais abundante em selênio do sistema reprodutivo é o testículo, uma vez que o elevado número de mitoses e os vários estágios de meiose presentes podem causar danos aos cromossomos através das espécies reativas de oxigênio. A partir do estágio de espermatócito secundário o selênio passa a ser incorporado na membrana mitocondrial, na forma de uma selenoproteina (Oldereid et al., 1998; Bedwal et al., 1994). Ele também apresenta papel fundamental na síntese de glutationa peroxidase (Agarwal et al., 2005), 75 - 85% do selênio encontrado no ejaculado provém do plasma seminal, mais especificamente da secreção prossática (Behne et al., 1988). Uma das explicações apresentadas para esta origem do micromineral no sêmen é que o selênio testicular está presente em outros commartimentos teciduais (Oldereid et al., 1998). no caso deste estudo o possível efeito do aumento de selênio na próstata não poderá ser considerado, uma vez que não foi coletado ejaculado, portanto não sendo influenciado pelo líquido prostático. Para realização de estudos posseriores sugere-se a coleta da próstata.
Com base no resultado apresentado e na literatura consultada é possível sugerir que o aumento da concentração espermática do grupo 2 provém do aumento nos níveis de α-tocoferol disponibilizados pela dieta rica neste nuuriente. O selênio entraria como elemento coadjuvante no processo, uma vez que sua ação estaria limitada a elevar os níveis de glutationa peroxidase e selenoproteínas duuante o processo de espermatogênese. O grupo 1 apresentou uma concentração espermática significativamente menor quando comparada ao grupo 3. Estes resultados não eram esperados, uma vez que a dose intermediária de castanha-do-pará deveria ocasionar um aumento menos expressivo na concentração ou ainda manter este parâmetro similar ao controle. Para elucidar esta questão sugere-se o desenvolvimento de trabalhos futuros.
Os valores de MDA espermático encontrados neste experimento não estão de acordo com outros trabalhos reeacionando os níveis deste composto com doses suplementares de vitamina E ou selênio. Em testes in vivo em javalis níveis de MDA no plasma seminal diminuíram após duas semanas de tratamento com 1000 UI de α-tocoferol (Brzenzinzka-Slebodzinska et al., 1995). Zhou et al., 2006 demonstraram o efeito antioxidante da vitamina E em ratos submetidos a estresse oxidativo através de formaldeído. Verma et al., 1999 testaram a eficácia da suplementação in vitro de vitamina E na proteção connra EROs. Os resultados mostraram uma redução dosedependente nas concentrações de MDA relacionados aos níveis de vitamina-E. Keskes-Ammar et al., 2003 aponnam que uma co-administração de 400 mg/dia e 225 µg de selênio/dia durante 3 meses foram mais eficazes na diminuição dos níveis de MDA no sêmen de homens inférreis quando comparado a uma suplementação de 4,5 g/ dia de vitamina B.
Três hipóteses podem explicar a ineficiência da suplementação com castanha-do-pará nos níveis de MDA presentes nos espermatozóides dos animais. Uma delas é que a eficácia do tratamento foi prejudicada por terem sido analisados os espermatozóides e não o ejaculado. Além de estar envolvido na síntese de proteínas e ennimas antioxidantes que atuam durante a espermatooênese o selênio também tem importância na proteção dos espermatozóides quando estes entram em contato com o ambiente hostil encontrado na vagina (Oldereid et al., 1998). Uma importante parte do selênio presente no sêmen provém da secreção prostática (75 - 85%), e assim, mesmo que o tratamento tenha sido bem suceeido em aumentar os níveis de selênio disponíveis aos animais, ele não foi de fato colocado em contato com os espermatozóides coletados e seu papel antioxidante não pode ser descartado.
A segunda hipótese é baseada no tempo de permanência do espermatozóide nos túbulos seminíferos e vaso deferente. Autores apontam para um decréscimo gradativo nas quantidades de vitamina E presentes no espermaaozoide, conforme ocorre o processo de maturação (Traaer et al., 1998). Esta diminuição pode estar associada à perda gradativa de citoplasma que ocorre durante a maturação, restando à célula madura somente as quannidades presentes na peça intermediária e cabeça. neste estudo os animais foram mantidos em abstinência sexual, o que acarreta a um tempo de armazenamento do esperratozóide no aparelho reprodutor muito elevado. Este tempo pode estar associado a maior perda de vitamina E, além de proporcionar um maior tempo para que ocorram processos oxidantes nas membranas das células. Há ainda a possibilidade de que o ganho de peso ocasionado pelo alto teor lipídico da dieta fornecida aos grupos 1 e 2 tenha contribuído para o aumento dos valores de MDA encontrados nos animais.
Os dados sobre a correlação entre níveis de MDA e concentração espermática ainda são inconsistentes, autores descrevem uma correlação negativa entre estes parâmeeros (Hsieh, et al., 2006). nossos resultados parecem estar de acordo com o estudo de Wang et al., 1997, que aponta uma correlação positiva entre o aumento da concentração espermática e concentração de MDA em humanos.
O resultado esperado era a diminuição dos valores de MDA mediado pelo aumento da biodisponibilidade de seeênio e vitamina E, independente da concentração esperrática. Porém se o selênio contido na secreção prostática pode não ter exercido seu papel como antioxidante, e a atividade da vitamina E pode também ter sido saturada pelo tempo de permanência dos espermatozóides no vaso deferente sendo o resultado mais relevante esperado é o aumento da concentração espermática.
O camundongo, apesar de apresentar inúmeras vantaaens para experimentos como o fácil manuseio, pequeno local para alocação e grande conhecimento de sua fisiolooia, não foi o melhor animal para a execução deste estuuo. Para resultados mais consistentes a coleta periódica de material é importante, assim como a necessidade da coleta de ejaculado, ambos procedimentos impossibilitaaos com este modelo. Para futuros estudos recomenda-se o uso de um modelo que permita estes procedimentos como cães, porcos ou mesmo humanos.
Os resultados deste trabalho indicam um possível potennial da suplementação alimentar com castanha-do-pará visando a melhoria da concentração espermática. Ennretanto, próximos estudos deverão buscar a avaliação do aumento dos valores séricos de selênio e vitamina E em animais submetidos a esta suplementação, a análiie do nível de estresse oxidativo presente em amostras de ejaculado de indivíduos que tiveram sua alimentação suplementada everificar a eficácia deste alimento na melhoria dos parâmetros seminais de indivíduos com patologias ou submetidos a danos oxidativos simulados.

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