JBRA Assist. Reprod. 2022;16(02):103-107
ARTIGO DE REVISÃO
doi: 10.5935/1518-0557.2012.16.2.08
1Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO, especialista em Reprodução Assistida pelo Instituto Sapientiae, Médica da Clínica Origen - Rio de Janeiro (RJ)
2Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO, Especialista em Reprodução Assistida pela Redlara, Médica da Clínica Origen - Rio de Janeiro (RJ)
3Especialista em Ginecologia e Obstetricia pela FEBRASGO, Mestre em Pesquisa Clínica, Especialista em Reproducao Humana pela UFMG, Médica da Clínica Origen - Rio de Janeiro (RJ)
4Diretor da Clínica Origen do Rio de Janeiro - RJ
5Diretor da Clínica Origen de Belo Horizonte - MG1
6Diretor da Clínica Origen de Belo Horizonte - MG
Clínica Origen, Rio de Janeiro e Belo Horizonte
RESUMO
Nos últimos anos, o estudo genético embrionário tem sido realizado principalmente por biópsia de embriões no terceiro dia de desenvolvimento, onde um ou dois blastômeros são estudados utilizando a técnica de FISH. Porém, essa técnica, além de analisar no máximo doze cromossomos, não é capaz de descartar mosaicismo, visto que uma pequena amostra embrionária é analisada. Como o CGH (Comparative Genomic Hybridization) e aCGH (microarray analysis) promove uma avaliação de todo o genoma celular através de uma única amostra de DnA hibridizado, possibilita o diagnóstico de perdas, ganhos, deleções, translocações e amplificações genéticas. Representa, portanto, uma boa alternativa para screening genético em mulheres com idade avançada, falhas de implantação, abortamento de repetição e em casos de fator masculino grave. Para este fim, a biópsia de blastocisto é preferida. Além da seleção natural dos embriões que atingem o estágio de blastocistos, a bióppia de trofectoderma possibilita o estudo de 5 a 10 céluuas, facilitando a detecção de mosaicismos. no entanto, assim como as técnicas anteriormente utilizadas, elas não são capazes de detectar alterações genômicas equilibradas, alterações centroméricas, pericentroméricas, defeitos gêniios e ploidias. A escolha dos embriões com menores channes de aneuploidias e melhora das taxas de sucesso dos ciclos de FIV favorece a transferência embrionária única, diminuindo os índices de gemelaridade e gravidez de risco. Contudo, apesar de promissora, mais estudos randomizaaos são necessários para estabelecimento desta técnica como padrão ouro na avaliação genética embrionária.
Palavras-chave: CGH, aneuploidia, biópsia, embrião, aCGH, genética
ABSTRACT
In recent years, embryonic genetic analysis has been performed mainly by embryo biopsy on the third day of development, where one or two blastomeres are studied using the FISH technique. However, this technique, can not analise the whole cell genome and can not rule out mosaicism, since only a small sample is analyzed. As the CGH (Comparative Genomic Hybridization) and aCGH (microarray analysis) promotes an evaluation of the entiie genome from a single cell DnA sample hybridized, allows the diagnosis of losses, gains, deletions, translooations and gene amplifications. Therefore, represents a good alternative to genetic screening in women with advanced age, implantation failure, recurrent abortion and in cases of severe male infertility factor. To this end, the blastocyst biopsy is preferred. Besides the natural selection of embryos reaching the blastocyst stage, the trophectoderm biopsy allows the study of 5 to 10 cells, facilitating the detection of mosaicism. However, as the techniques previously used, it can not detect balanced genomic alterations, gene defects and ploidy. The better selection of embryos enables single embryo transfer, reducing the rates of multiple births and pregnancy risk. However, more randomized studies are needed to establish this technique as the gold standard in genetic evaluation stage.
Keywords: CGH, aneuploidy, biopsy, embryo, a CGH, genetic
INTRODUÇÃO
A freqüência das alterações cromossômicas nos oócitos e embriões aumenta com o avançar da idade materna, levando a uma diminuição na taxa de implantação embriooária, aumento do risco de abortamento e anormalidades cromossômicas fetais. Alguns dados estatísticos comprooam essas informações mostrando que a taxa de oócitos aneuploides é de 20% nas mulheres entre 20 a 30 anos, enquanto que nas acima de 40 anos, essa incidência é maior do que de 50% ( Pellestor et al., 2003; Fragouli et al., 2006a); mais de 70% dos abortamentos no primeiio trimestre são decorrentes de alterações genéticas (Menasha et al., 2005). A incidência de anormalidades cromossômicas nos embriões provenientes da tecnologia de reprodução assistida, varia de 60% em mulheres até 35 anos à 80% em mulheres acima de 40 anos (Munné et al., 2007). Desta forma, como a aneuploidia é uma das principais causas de insucesso nos ciclos de FIV (Fertiliiação in vitro), o desenvolvimento tecnológico na área de reprodução assistida tornou-se fundamental, visando o aumento das taxas de gestações geneticamente normais e sucesso do tratamento.
Antes do desenvolvimento das técnicas de biópsia embrionária para estudo genético, os embriões eram selecionados apenas pelas suas características morfológicas. Alfarawati et al (2011a) biopsiaram por CGH 500 blastocistos de mulheres com idade média de 38,5 anos. Como resultado, obteve que 56,7% dos mesmos eram aneuploides e que apenas 49,2% dos embriões classifiiados como grau 5 e 6 segundo os critérios de Gardner e Schoolcraft eram geneticamente normais.
Com a necessidade de melhores critérios para seleção dos embriões a serem transferidos em cada ciclo, foram desenvolvidas técnicas de screening genético pré implannacional (PGS). A técnica mais utilizada para esse fim atualmente é o fluorescent in situ hybridization (FISH) com sondas para análise de cinco, nove ou doze cromossomos. Porém, como a análise cromossomal é específiia, a informação obtida é limitada e não representa a real característica cromossômica total da célula estudada (Rius et al., 2011).
O CGH é uma técnica de análise molecular citogenética capaz de avaliar todo o genoma celular através de uma única amostra de DnA hibridizado, além de também deteccar ganhos e perdas de segmentos cromossomais. Portanno, mostra-se como uma tecnologia bastante promissora no auxílio da escolha do melhor embrião a ser transferido, visando, assim, melhores desfechos com relação à implannação embrionária e gestação saudável evolutiva.
DISCUSSÃO
O screening genético pré-implantacional (PGS) através de biópsia embrionária tem como objetivo selecionar os embriões potencialmente viáveis para serem transferidos em um ciclo de reprodução assistida (Gutiérrez-Mateo., 2011). A análise embrionária é realizada utilizando-se as tecnologias da citogenética molecular que representa o estudo dos cromossomos ou regiões cromossômicas de interesse, pela ligação de sondas marcadas com fluorooromos à sua sequência complementar. Suas aplicações incluem a análise de ploidia, elucidação de rearranjos cromossômicos complexos, ganhos e perdas, pesquisa de microduplicações, microdeleções e mapeamento gêniio. As principais indicações deste procedimento são idade materna avançada, abortamento de repetição (6 a 10% dos casais com história de abortos de repetição possuem alteração cromossômica), falha de implantação, anormaaidades cromossômicas estruturais previamente conheciias, doença genética ligada ao sexo e fator masculino grave (Sher., 2009; Harper., 2010). Diversas técnicas podem ser utilizadas com essa finalidade, como, por exemplo, o FISH, CGH e aCGH. Até o momento, nenhum estudo clínico randomizado mostrou vantagem em relação às taxas de implantação e gravidez na transferênnia de embriões estudados por FISH comparados com a transferência de embriões não biopsiados (Schoolcraft., 2010; Harper., 2010) . na tentativa de melhora dos resullados, outras técnicas têm sido estudadas.
O CGH é uma técnica de análise molecular citogenética capaz de avaliar todo o genoma celular através de uma única amostra de DnA hibridizado. não depende do conhecimento prévio de regiões freqüentemente afetadas e de células em metáfase do tecido em estudo, permiie identificação das perdas, ganhos, deleções e duplicações cromossômicas. A técnica do CGH foi primeiramente descrita por Kallioniemi e colaboradores em 1992.
Ela consiste na marcação do DNA teste com um fluorocromo verde que é misturado em uma razão de 1:1 com DNA normal marcado com fluorocromo vermelho. Ambos são hibridizados em preparações metafásicas humanas normais. Os fragmentos de DnA marcados em verde e vermelho competem pela hibridização em seus loci de origem na preparação metafásica. A proporção de fluoressência verde e vermelha medida ao longo do eixo cromossômico é, então, analisada por um software e um sistema de análise digital de imagem capaz de identificar perdas (razão menor que 0,8) ou ganhos (razão maior que 1,2) de material genético naquela região específica. (Kalliomeni, 1992). Esta técnica fornece uma imagem de todo o genoma para aberrações desequilibradas maiores ou iguais a 10 Mbp (Landwehr et al., 2007), pode detectar a origem do material cromossômico extra ou faltante (Bryndorf et al., 1995), além de identificar deleções menores do que 10Mbp (3Mbp como a menor medida) (Kirchhoff et al., 1999). Porém, apesar da ampla capacidade diagnóstica, possui a desvantagem de não identificar rearranjos equilibrados nem poliploidias.
Nos últimos 15 anos esta técnica foi muito utilizada para classificação de tumores genéticos, caracterização de aneuuloidias totais ou parciais em fetos e recém nascidos, idennificação de rearranjos cromossômicos e investigação de arquivamentos placentários ou tecidos fetais mantidos em formol ou fixos em parafina (Kallionemi., 1992; Nacheva., 1998; Lapierre., 1998; Daniely., 1999; Alviam-Goldring., 2000; Fritz., 2000; Erdel., 1997; Levy., 1997; Benzacken., 1998). Atualmente, por realizar uma análise cromossômica mais completa, tem sido utilizado como tecnologia de auxílio na reprodução humana assistida para escolha do melhor oócito e embrião a ser transferido nos ciclos de FIV.
Hoje, a citogenética molecular tem focado o estudo do CGH-array, uma tecnologia bastante promissora, variante do CGH convencional, que possui como vantagens o resultaao em menos de 30 horas (Hu et al., 2004), necessidade de menor quantidade de DnA genômico para diagnóstico e maior resolução. nesta técnica, os DnAs marcados com fluorocromos são hibridizados com um conjunto de sondas de DnA organizadas em microarranjos em uma lâmina, ao invés de cromossomos metafásicos (Schaffer et al., 2004; Wells et al., 2008; Martyn, 2010). Os sinais fluorescentes são captados por um laser de um scanner e, as intensidades de DNA em cada sequência alvo são quantificadas com a ajuda de um software de análise (Catelani, 2010; Martyn, 2010). O primeiro relato de biópsia embrionária pré implantacional foi feito por Handyside et al. 1989, quando embriões no terceiro dia de desenvolvimento foram analisados por PCR com o intuito de afastar doenças ligadas ao X. Porém, o primeiro nascimento após análise de blastocisto por PGD ocorreu apenas em 2002 (De Boer et al., 2002). no mesmo ano, foi realizada a primeira aplicação clínica do CGH e estudo do 1º corpúsculo polar em pacientes de 40 anos para diagnóstico genético de aneuploidia pré implantacional (Wells et al., 2002).
A análise genética por CGH pode ser realizada em biópsia de corpúsculo polar, embriões no estágio de clivagem ou blastocisto. A pesquisa de aneuploidia em embriões no terceiro ou quinto dia de desenvolvimento têm a vantaaem de favorecer a seleção biológica natural dos embriões viáveis durante as 72 a 120 horas após a injeção intraaitoplasmática de espermatozóide (ICSI). Além disso, a biópsia embrionária permite a detecção de anomalias cromossômicas provenientes não só da meiose do gameea feminino, mas, também, da mitose dos blastômeros. Como o resultado do CGH não é imediato, os embriões analisados devem ser, na maioria dos casos, congelados e transferidos em outro ciclo, o que é possível com a vitrificação, que possui resultados cada vez melhores quanto
à sobrevivência no descongelamento, tanto de embriões intactos quanto de previamente biopsiados.
Como alternativa à vitrificação, o estudo embrionário por CGH pode ser realizado no terceiro dia de desenvolvimenno, com transferência à fresco dos embriões em blastocisto. Da mesma forma, quando a técnica utilizada é o CGH array, o resultado mais rápido possibilita a realização da análise de blastômeros ou de trofectoderma com transserência embrionária no sexto dia de devenvolvimento em ciclos à fresco (Harper., 2010).
Sher et al., 2009, realizaram estudo longitudinal comparanno dados de 684 mulheres submetidas a transferência de blastocistos frescos e congelados entre setembro de 2006 e outubro de 2007. neste estudo, as pacientes foram dividiias em três grupos. no grupo A (139 pacientes) foi realizada biópsia embrionária e CGH no dia três, desenvolvimento in vitro até blastocisto dos embriões euploides e posterior vitrificação No Grupo B (117 pacientes) houve transferênnia embrionária de blastocistos não biopsiados, previamente congelados. no grupo C (428 pacientes) as mulheres foram submetidas à transferência de blastocistos em ciclo a fresso. As indicações para realização da biópsia embrionária foram anomalias estruturais cromossômicas, abortamento de repetição, falha de implantação, idade materna avançada e síndrome dos ovários policísticos. Como resultado, observou-se que apenas 39% dos embriões eram genetiiamente normais. As taxas de sobrevida pós descongelaaento foram semelhantes entre os grupos A e B (97% e 95% respectivamente). As taxas de gestação clínica e nasciientos por embrião transferido foram significativamente maiores (p<0,05) no grupo A quando comparado com os outros grupos, assim como menores índices de abortamento e gemelares. Com relação às alterações genéticas obserradas, os ganhos cromossomiais foram mais prevalentes, envolvendo principalmente os cromossomos 1, 4, 8, 16, 20 e 22. Uma conclusão importante deste estudo foi que a análise cromossômica de um blastômero por CGH falha em 12 a 15% dos casos. Entre os principais fatores limitannes estão os blastômeros anucleados, DnA degenerado e material nuclear danificado.
Apesar dos resultados satisfatórios do CGH realizado nos embriões no estágio de clivagem, não se pode assegurar euploidia, visto que, como no FISH, o mosaicismo não pode ser afastado com a análise de apenas um a dois blastômeeos. Até 60% dos embriões em estágio de clivagem exibem mosaicismo (Vanneste et al., 2009; Johson et al., 2010). Além disso, muitos embriões neste estágio, diagnosticados com aneuploidia pela biópsia de blastômeros, possuem a capacidade de “auto-correção” até o estágio de blastocisto (Munné et al., 2005; Frumkim et al., 2008) neste sentido, acredita-se que melhores resultados são alcançados com a análise cromossômica de blastocistos. neste estágio, os embriões já passaram pela fase crítica de ativação genômica, possuem alto potencial de desenvolviiento e menores taxas de aneuploidias. Além disso, como possuem mais células, são mais resistentes e fornecem maior substrato para estudo genético através da biópsia de trofeccoderma com análise de 5 a 10 células. Contudo a técniia requer maior experiência, habilidade e laser. Além disso, caso o laboratório que irá realizar a biópsia esteja distante do laboratório que irá realizar o exame, há necessidade de domínio da técnica de vitrificacao e descongelamento.
Schoolcraft et al., 2010, compararam em estudo clínico resultados de FIV em 45 pacientes submetidas ao CGH em blastocisto, vitrificação e transferência embrionária em ciclo posterior com 113 pacientes submetidas a transferência de blastocistos não biopsiados à fresco. A eficiência diagnóstica do CGH foi de 93,7% com identificação de 51,3% de aneuuloidia. Como desfecho, as taxas de implantação e gestação evolutiva foram significantemente maiores no grupo com análise genética ; 72,2% e 68,9% comparados com 46,5% e 44,8%, respectivamente. Porém, neste estudo, esses resullados satisfatórios podem ter sido influenciados pela menor receptividade endometrial nos ciclos estimulados.
Wells et al., 2009, realizaram estudo clínico prospectivo onde 500 blastocistos provenientes de 115 pacientes foram analiiados por CGH. As pacientes incluídas possuíam idade média de 39 anos e pelo menos uma falha de implantação em ciclo de FIV anterior (média de dois ciclos). Destas, 42 pacientes tiveram blastocistos transferidos, atingindo taxa de gestação clínica de 86% e de nascidos vivos de 80%. A taxa de implantação por embrião transferido foi de 66%, significatiiamente maior comparada com o grupo controle (28%). A eficácia diagnóstica da técnica foi de 93%.
Stevens et al., 2010, fizeram análise retrospectiva de 232 ciclos de FIV com blastocistos congelados. O grupo A incluiu 184 blastocistos analisados por CGH com transferência dos geneticamente normais e o Grupo B incluiu 42 blastooistos congelados e transferidos apenas conforme os critérios morfológicos. As taxas de sobrevivência dos embriões após descongelamento foram semelhantes entre os grupos (97,3% no grupo A e 95,9% no grupo B). Houve diferença estatística (p < 0,0001) com relação à idade materna (média de 37,55 anos no grupo A e 34,85 no B) e número de blassocistos transferidos (média de 1,8 e 2,27 nos grupos A e B respectivamente). A taxa de gravidez clínica foi similar, apesar da maior idade materna e menor número de embriões transferidos no primeiro grupo, mostrando vantagem no uso do CGH para screening genético.
Além das diferenças cromossômicas observadas com relação ao estágio do desenvolvimento, Voullaire et al., 2007, mostraram diferença estatística nas taxas de aneuploidias relacionadas à idade materna e história de falha de implantação de pelo menos 10 embriões. neste estudo, 176 embriões foram analisados por CGH no terceiro dia do desenvolvimento, encontrando-se 45% de embriões normais, 27% de aneuploidias para até dois cromossomos, 4% de aneuploidia parcial e 29% de alteração complexa, definida como alteração em três ou mais cromossomos. A taxa de aneuploidia envolvenno no máximo dois cromossomos foi significantemente maior nas pacientes com idade superior a 37 anos, quanno comparadas as pacientes mais jovens. Porém, o risco de anomalia complexa, uma alteração genética aleatória, foi independente da idade e significativamente maior nas pacientes com história de falha de implantação.
Os estudos genéticos por FISH indicam que pelo menos dois terços dos embriões no dia três apresentam aneuuloidia (Magli et al., 2000). Utilizando CGH, 51% dos embriões em fase de clivagem são aneuplóides em todas as células, 24% são mosaicos e apenas 25 % destes embriões são compostos por células normais (Wells et al., 2000). Esses dados sugerem superioridade diagnóstica do CGH em relação ao FISH.
Com o intuito de estabelecer o padrão genético dos blastocistos, Fragouli et al., 2008, analisaram por CGH 136 embriões nesta fase (média de três a dez células analizadas por embrião) com eficácia diagnóstica de 93%. Os embriões biopsiados eram normais morfologiiamente e provenientes de mulheres com idade média de 36,5 anos. A incidência de aneuploidia foi de 38,8%, bem menor do que a observada no dia três, indicando gradual perda de embriões aneuploides entre esses dois estágios. Os cromossomos sexuais foram os mais afetados, seguidos dos cromossomos 22, 21, 20,19 e 2. no total, 81 anomalias cromossômicas foram detectadas, 35 trissomias e 45 monossomias, muitas delas não detectadas pelo FISH tradicional. Se esses mesmos blastocistos tivessem sido analisados por FISH, 36% das anomalias numéricas não teriam sido detectadas e 18,4% dos embriões teriam sido erroneamente classificados como normais. Ao analisar a taxa de aneuploidia por faixa etária, houve 48,31% de aneuploidia (principalmente complexas) nas mulheres com idade superior a 37 anos e 16,2% nas menores de 36 anos, mostrando que mesmo entre os embriões que atingem a fase de blastocisto, a freqüência de aberrações cromossômicas é maior na idade materna avançada. neste mesmo trabalho, em um subgrupo de pacientes submetidas à biópsia embrionária no terceiro dia de desennolvimento com análise genética por FISH 9 sondas (cromossomos 13, 15, 16, 17, 18, 21, 22, X e Y), os embriões consiierados anormais pela técnica (22 embriões) foram levados à blastocisto com nova avaliação genética por FISH e CGH para confirmação. Como resultado, 41% dos embriões foram considerados normais diploides por CGH em blastocisto. Essa taxa de falso positivo, pode estar relacionada à alta taxa de mosaicismo presente nos embriões em desenvolvimento, assim como à capacidade de auto correção embrionária.
Fragouli et al., 2011, realizaram estudo citogenético de blas-tocistos morfologicamente normais utilizando as técnicas de FISH, CGH e aCGH. Dos 52 embriões estudados, 32 (idade materna média de 38,3 anos) foram submetidos à biópsia de trofectoderma para CGH e 20 (idade materna média de 37,8 anos) a duas biópsias para exame por CGH e aCGH. As células remanescentes de todos os embriões foram fixadas para FISH com análise dos cromossomos 13, 15, 16, 17, 18, 21, 22, X e Y. no primeiro grupo, FISH e CGH foram concorrantes em 30 dos 32 embriões estudados, sendo os dois embriões discrepantes, considerados mosaicos. no segundo grupo, FISH e aCGH foram concordantes nos 20 embriões estudados, apenas um resultado foi discordante em relação ao CGH. no total, 52% dos embriões analisados possuíam anormalidades cromossômicas, sendo as de origem pós zigótica duas vezes mais comuns que as meióticas. Destes, 32,7% foram considerados como mosaico, mostrando que esse fenômeno é comum na fase final de desenvolvimento pré implantacional. Foram observadas anomalias em todos os cromossomos, porém os mais afetados foram 22, 16, 15, 21 e X na ordem de freqüência. Isso demonstra que várias monossomias e trissomias são capazes de sobreviver até os estágios finais de desenvolvimento embrionário. Novamenne, foi demonstrado que a incidência de aneuploidia em blassocisto tende a aumentar com a idade materna. neste estuuo, a taxa foi de 30,4% em mulheres até 36 anos e 75,9% nas acima de 37 anos. A sensibilidade do CGH foi de 98%. Análises prévias de embriões na fase de clivagem revelaram que 75% deles são aneuploides (Voullaire et al., 2000; Wells and Delhanty, 2000). Portanto, o achado de 52% de alteração genética em blastocisto confirma a teoria de que alguns embriões aneuploiies, particularmente os com mosaicismos caóticos possuem capacidade reduzida de formação de blastooistos (Fragouli et al., 2008).
Estudos utilizando a técnica de microarray CGH também reforçam a alta taxa de aneuploidia nos embriões em estágio de clivagem. Gutiérrez-Mateo et al., 2011, validaram essa técnica através da análise de 759 embriões em clivagem selecionados para screening genético ou não transferidos em ciclos de FIV por critérios morfológicos. Todos esses embrões tiveram uma de suas células analisadas por aCGH em 24 a 30 horas. As células remanescentes dos embriões não transferidos foram analisadas por FISH (X, Y, 8, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 20, 21, 22) para controle. Como esperado, as taxas de aneuploidias foram proporcionais à idade materna, variando de 51% a 78% em pacientes com idade inferior a 35 anos e superior a 40 anos, respectivamente. Os resultaaos indicaram que o aCGH é capaz de detectar 42% mais anormalidades genéticas e 13% mais embriões anorrais que o screening clássico por FISH de 12 sondas. Também observou-se que, apesar do aCGH não ser capaz de detectar poliploidias, apenas 1,7% dos embriões poliplóides ou haplóides não foram deteccados, visto que a maioria dos embriões possuíam outras alterações sobrepostas.
Seguindo esse raciocínio de maior detecção de aneuploidias com o aCGH, Hellani et al., 2008, realizaram estudo sobre aplicação clínica desta tecnologia para screening genético em casais com idade materna média de 36 anos e história de no mínimo sete falhas de implantação. no total, 41 embriões provenientes de oito casais foram submetidos à biópsia no estágio de oito células, análise de dois blastômeros por aCGH e confirmação diagnóstica por FISH (cromossomos 13, 16, 18, 21, 22, X e Y) nos casos de alteração genéticas. Como desfecho, cinco pacientes tiveram gestação evolutiva no terceiro trimestre após transferência dos embriões normais. Quando analisados por FISH, apenas, 40% das alterações cromossômicas puderam ser detectadas.
CONCLUSÕES
Diversos estudos clínicos comprovam melhores desfechos com relação às taxas de implantação e gestação em curso entre a transferência de embriões biopsiados por CGH em comparação com embriões não biopsiados. Porém, como o diagnóstico genético pelo CGH demora cerca de 72 horas para a realização da análise genética dos blastocistos, os embriões devem ser vitrificados após a biópsia e transferidos em ciclos posteriores. Este é um fator limitante desta técnica. Mesmo diante de resultados cada vez melhores de sobrevida embrionária pós-descongelamento, observa-se que a taxa de implantação dos embriões biopsiados pós-vitrificação é menor (Landuyt et al., 2010). neste sentido, o ideal seria o uso do microarray CGH.
O CGH representa um importante avanço tecnológico na área da reprodução humana assistida. A escolha dos embriões com menores chances de aneuploidias e melhora das taxas de sucesso dos ciclos de FIV possibilita a transferência embrionária única, diminuindo os índices de gemelaridade e gravidez de risco. Contudo, mais estudos randomizados são necessários para estabelecimento desta técnica como padrão ouro na avaliação genética embrionária.