JBRA Assist. Reprod. 2012;16(03):91-136
RESUMOS

doi: 10.5935/1518-0557.2012.16.3.08

Orais

01 - A resposta folicular antral à administração de FSH, avaliada por um novo marcador (fort-follicular output rate) pode predizer o desfecho da fertilização in vitro

Ana Luiza Berwanger da Silva, Vanessa Gallot, Vanessa Genro, Michael Grynberg, nelly Frydman, Renato Fanchin

Hospital Antoine-Béclère, Clamart, França

OBJETIVO: Na tentativa de se estabelecer um marcador qualitativo da reserva ovariana, este trabalho buscou verificar se a resposta dos folículos antrais ovarianos à administração de Hormônio Folículo-Estimulante (FSH) exógeno, refletida por um novo marcador proposto, denominado “FORT” (Follicular Output RaTe), está relacionada à sua competência reprodutiva.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram estudadas 322 candidatas à Fertilização In vitro (FIV) entre 25 e 43 anos, as quais foram submetidas à hiperestimulação ovariana controlada com doses iniciais de FSH similares. As contagens de folículos antrais (entre 3 e 8 mm) (CFA) e de folículos pré-ovulatórios (entre 16 e 22 mm) (CFP) foram realizadas, respectivamente, no momento da obtenção da supressão pituitária (antes de se iniciar a terapia com FSH) e no dia da administração de hCG. O FORT foi calculado através da fórmula CFP x 100/CFA. Estabeleceram-se grupos de FORT de acordo com os seguintes valores: baixo (<42%; n = 102), médio (42-58%; n = 123) e alto (>58%; n = 97).
RESULTADOS: O FORT médio foi de 50,6% (16,7 – 100%). As taxas de gestação clínica por oócito coletado aumentaram progressivamente do grupo de baixo FORT até o grupo de alto FORT (33,3; 51,2 e 55,7%, respectivamente, p&lt;0,003) e tal associação se mostrou independente ao realizar-se regressão logística para possíveis fatores de confusão (idade, CFA e CFP).
CONCLUSÕES: A associação observada entre o desfecho da FIV e o percentual de folículos antrais que efetivamente responderam à administração de FSH, atingindo a maturação pré-ovulatória, sugere que o FORT possa representar um marcador qualitativo da competência folicular ovariana. novos estudos com critérios de inclusão mais abrangentes e protocolos mais específicos são necessários para validar tais resultados.

 

 

 

02 - As interferências da infertilidade na sexualidade das mulheres

L Leis, Antunes Jr N, Wonchockier R, Tognotti E, Soares JB, Busso NE

Projeto Alfa-Fertilização Assistida

OBJETIVO: Investigar possíveis interferências da infertilidade na sexualidade das mulheres, assim como, a presença de depressão nestas pacientes e a influência desta última na vida sexual desta população.
MATERIAL E MÉTODOS: Participaram desta pesquisa 140 mulheres que buscavam por tratamentos de reprodução assistida, sem ainda terem iniciado nenhum tipo de tratamento até o momento (com idades entre 24 a 47 anos) e 45 mulheres sem desejo reprodutivo e que faziam uso de algum método contraceptivo (grupo controle) com idades entre 20 a 45 anos. Foram utilizados: o Inventário do Quociente Sexual (versão feminina)-o qual trata-se de um instrumento composto de 10 questões que investigam cada fase do ciclo de resposta sexual, o Inventário Beck de Depressão e um questionário investigando aspectos do relacionamento conjugal e sexual, elaborado especialmente para esse estudo. Utilizou-se o teste de Wilcoxon-Mann-Whitney para avaliar a associação do QSF com presença de filhos e o teste do qui-quadrado para comparar a presença de disfunção sexual nos dois grupos; já para as demais correlações utilizou-se a Corrlação de Pearson.
RESULTADOS: notou-se, relacionado às mulheres inférteis, que: 13.5% delas apresentaram falta de libido, 12.1% dificuldade de excitação sexual, 10.8% dispareunia e 20% problemas para atingir o orgasmo; já relacionado ao grupo controle encontramos que: 20% das mulheres apresentaram falta de libido, 0% dificuldade de excitação sexual, 6.6% dispareunia e 13.3% dificuldade para atingir o orgasmo, portanto, nota-se que a dificuldade de gravidez interferiu de forma negativa, principalmente, na excitação sexual destas mulheres (p=0.014). Além disso, de forma geral, as mulheres inférteis apresentaram, significantemente, menor satisfação sexual que o grupo controle (p=0.003). Houve piora da vida sexual quanto maior o tempo de infertilidade (p=0.016). Mulheres inférteis que já possuíam filhos apresentaram melhor satisfação sexual comparadas às que não o possuíam, embora esse dado não tenha sido significativo (p=0.052). A presença ou ausência de abortos anteriores não demonstrou interferências na sexualidade destas mulheres. Já relacionado à depressão percebeu-se que esta influenciou negativamente na sexualidade destas mulheres (p&lt;0.001).
CONCLUSÃO: A vivência da infertilidade, assim como, sentimentos depressivos dela decorrentes, interferem

 

 

 

03 - Eficácia da microscopia de polarização como preditor de formação de embriões de boa qualidade

Maria Cristina Picinato; Roberta Cristina Giorgenon; Rui Alberto Ferriani; Paula Andrea de Albuquerque Sales navarro, Wellington de Paula Martins, Ana Carolina Japur de Sá Rosa e Silva

Laboratório de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Setor de Reprodução Humana, Ribeirão Preto – SP, Brasil

OBJETIVO: Avaliar a aplicação da microscopia de polarização na visibilização e posicionamento do fuso meiótico correlacionado-os com as taxas de fertilização, clivagem e formação de embriões de boa qualidade no D2 do desenvolvimento embrionário e aos fatores etiológico mais prevalentes de infertilidade (fator masculino (controle), endometriose e fator ovulatório).
MÉTODOS: Trata-se de um estudo retrospectivo, onde foram incluídas 200 pacientes inférteis, predominantemente por fator masculino, endometriose e ovulatório, submetidas à procedimento de Reprodução Assistida. Analisou-se 1000 oócitos com primeiro corpúsculo polar visível por meio de observação não invasiva do fuso meiótico, utilizando-se o sistema de imagem de polarização (OCTAX ICSI GuardTM System). Esta avaliação visou à identificação do fuso meiótico oocitário previamente à realização da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI), classificando-o como visível em metáfase II (MII), visível em telófase (TI) e não visível (NV). Além disso, nos oócitos em MII foi feita classificação do fuso de acordo com sua localização em relação ao corpúsculo polar. Imediatamente após esta observação, os oócitos foram submetidos à ICSI e avaliados quanto à fertilização, clivagem e formação de embriões de boa qualidade no D2 do desenvolvimento embrionário.
RESULTADOS: Dos oócitos analisados, tivemos maior percentagem (82,7%) de fusos MII em comparação ao nV e TI (13,4% e 3,9%, respectivamente). nos oócitos em MII não houve diferença entre as posições observadas, o que permitiu a análise destes oócitos em um único grupo. Observamos maiores taxas de fertilização e clivagem nos oócitos em MII (84,4% e 70,13%) quando comparados aos em TI (66,67% e 51,28%). Entretanto, não foi encontrada diferença em nenhum dos grupos estudados com relação à formação de embriões de boa qualidade em D2. Considerando-se os principais fatores de infertilidade, também não foi encontrada nenhuma diferença significativa entre eles em relação à apresentação do fuso.
CONCLUSÕES: A visibilização do fuso de oócitos em MII, por meio da microscopia de polarização, está correlacionada com melhores resultados no desenvolvimento precoce dos embriões (fertilização e clivagem), quando comparado a oócitos em TI, independente de sua posição em relação ao corpúsculo polar; embora isto não garanta maiores taxas de formação de embriões de boa qualidade no D2 do desenvolvimento embrionário. Também não observamos influência do fator de infertilidade na característica do fuso à microcopia de polarização.

 

 

 

04 - Benefícios da injeção intracitoplasmática de espermatozóides morfologicamente selecionados (IMSI) em casais com idade materna avançada: um estudo prospectivo e randomizado

Edson Borges Jr1,2, M.D., PhD., Amanda Souza Setti1,2, B.Sc., Daniela Paes de Almeida Ferreira Braga1,2, M.Sc., Rita de Cássia Sávio Figueira1, M.Sc., Simone Santaguita Colturato1, B.Sc., Assumpto Iaconelli Jr.1,2, M.D.

1Fertility Centro de Fertilização Assistida, São Paulo SP; 2Associação Instituto Sapientiae Centro de Estudo e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo – SP

OBJETIVO: Avaliar a idade materna avançada como indicação para a realização da injeção intracitoplasmática de espermatozóide morfologicamente selecionado (IMSI). Materiais e Métodos:Este estudo incluiu 66 casais submetidos à ICSI como resultado da idade materna avançada (≥37 anos). Os casais foram aleatoriamente alocados para receber um dos dois procedimentos de seleção de espermatozóides: ICSI (n=33) ou IMSI (n=33). Os grupos foram comparados em relação aos resultados dos ciclos.
RESULTADOS: As idades materna (40,8 ± 1,7 x 41,1 ± 2,6, p=0,552) e paterna (38,8 ± 3,3 x 39,4 ± 7,4, p=0,630) não diferiram entre os grupos ICSI e IMSI. não houve diferenças significativas entre os grupos ICSI e IMSI em relação ao número de folículos (10,0 ± 15,4 x 9,0 ± 5,3, p=0,763), oócitos obtidos (7,0 ± 8,8 x 6,4 ± 4,1, p=0,780) e oócitos maduros (5,0 ± 5,3 x 5,0 ± 2,7, p=1.000). As taxas de fertilização (69,7 x 67,1%; p=0727) e de embriões de alta qualidade no terceiro dia de desenvolvimento (44,3 x 48,5%, p=0,615) foram semelhantes entre os grupos ICSI e IMSI. no entanto, a taxa de formação de blastocistos (19,6 x 34,1%, p=0,001) e embriões transferidos (1,1 ± 0,3 x 1,5 ± 0,6, p=0,003) foram maiores no grupo IMSI. Os ciclos de IMSI apresentaram taxas de implantação (12,1 x 38,3%, p=0,026) e gestação (13,8 x 60,0%, p&lt;0,001) significativamente maiores do que o grupo ICSI. A realização da IMSI influenciou positivamente a taxa de formação de blastocisto (RC: 15,00; R2: 49,9%, p=0,001) e a taxa de implantação (RC: 24,04; R2: 9,6; p=0,027), e foi determinante para o aumento das chances de gestação (OR: 9,0, p=0,001).
CONCLUSÕES: Em casais com idade materna avançada (≥ 37 anos), a realização da IMSI resulta em maiores taxa de formação de blastocistos, implantação e gestação em comparação com a ICSI. A injeção de um espermatozóide morfologicamente normal parece superar a baixa qualidade dos oócitos em mulheres mais velhas, resultando em embriões de melhor qualidade, maiores taxas de implantação e em um aumento de 9 vezes na chance de gestação.

 

 

 

05 - Valor preditivo do potencial de implantação do balstocisto pelo perfil químico do meio de cultivo e estatística multivariada – Estudo piloto

Sylvia Sanches Cortezzi1, PhD., Marcello Garcia Trevisan2, PhD., Elaine Cristina Cabral, PhD.3, Eduardo Morgado Schmidt3, MSc., Marcos nogueira Eberlin3, PhD., Edson Borges Jr4, M.D., PhD.

1Instituto Sapientiae – Centro de Estudo e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo, SP; 2Instituto de Química, Universidade Federal de Alfenas. Alfenas, MG; 3Laboratorio Thomson de Espectrometria de Massas Instituto de Química UnICAMP, Campinas, SP; 4Instituto Sapientiae – Centro de Estudo e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo, SP; Fertility – Centro de Fertilização Assistida, São Paulo – SP

OBJETIVO: Avaliar o desempenho de um modelo de estatística multivariada na predição do potencial de implantação do blastocisto pela avaliação do perfil químico de meios de cultivo de embriões humanos por espectrometria de massas (MS).
MATERIAIS E MÉTODOS: O meio de cultivo no qual os embriões permaneceram por um período de 48 horas foi coletado e armazenado após a transferência de 85 blastocistos de 38 pacientes submetidas à ICSI. As amostras foram divididas em grupos de acordo com os resultados de implantação, 100% (n = 15, 8 pacientes), 66,7% (n = 12, 4 pacientes), 50% (n = 16, 8 pacientes), 33,3% (n = 21, 7 pacientes) e 0% de implantação (n = 21, 11 pacientes). As amostras foram diluídas e analisadas individualmente em um espectrômetro de massas LTQ FT Ultra acoplado a uma fonte de nanoelectrospray em modo negativo. Os dados foram exportados pelo programa Xcalibur 2.0 e organizados em uma matriz no programa MarkerLynx. A análise multivariada dos dados foi realizada no programa MatLab versão 7.0, utilizando a ferramenta Partial Least Squares – Discriminant Analysis.
RESULTADOS: Foram observados 6.476 íons no intervalo de m/z 100 a 1000. Os espectros das amostras de meio de cultivo de blastocistos 0% e 100% de implantação foram organizados em um conjunto de calibração (n = 36) e os espectros de amostras 66,7%, 50% e 33,3% de implantação foram utilizados para validação (n = 49). O modelo de estatística multivariada descreveu 92,2% da variância dos dados e foi capaz de predizer corretamente a origem de todas as amostras de calibração. no processo de validação, o modelo multivariado foi capaz de predizer com 87,8% de probabilidade as amostras do grupo 66,7%. Já as amostras dos grupos 50% e 33,3% foram classificadas com precisão de 100% de probabilidade.
CONCLUSÕES: Estes resultados preliminares mostram que o perfil químico de meios de cultivo por MS difere entre os blastocistos com resultado positivo e negativo de implantação. O modelo de estatística multivariada foi capaz de predizer com alto nível de confiança o potencial de implantação individual dos blastocistos. Esta tecnologia, aliada à morfologia embrionária, permitirá a seleção do melhor e único embrião para a transferência.

 

 

 

06 - Critérios de seleção de pacientes para programas de transferência de blastocisto

Daniela Paes de Almeida Ferreira Braga1,2, M.Sc., Rita de Cássia Sávio Figueira1, M.Sc., Amanda Souza Setti1,2, B.Sc., Matheus de Castro Azevedo1, B.sc., Assumpto Iaconelli Jr.1,2, M.D., Edson Borges Jr1,2, M.D., PhD.

1Fertility Centro de Fertilização Assistida, São Paulo SP; 2Associação Instituto Sapientiae Centro de Educação e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo – SP

OBJETIVO: Identificar a possível correlação entre diferentes características das pacientes e dos ciclos de injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI) e características morfológicas do blastocisto.
MATERIAIS E MÉTODOS: O estudo incluiu 2781 embriões obtidos de 420 pacientes submetidas a ciclos de ICSI entre Janeiro e Dezembro de 2011. Todos os embriões foram avaliados 16-18 h após a ICSI e nos dias dois, três e cinco de desenvolvimento. Os blastocistos foram classificados de acordo com o grau de desenvolvimento, qualidade do maciço celular interno (MCI) e qualidade do trofectoderma (TA). A correlação entre cada parâmetro do blastocisto e as seguintes variáveis foi avaliada: (i) idade materna; (ii) idade paterna; (iii) dose de FSH para o estímulo ovariano; (iv) nível sérico do 17β-estradiol; (v) número de folículos aspirados; (vi) número de oócitos recuperados; (vii) índice de massa corpórea (IMC); (viii) concentração seminal; (ix) motilidade espermática e (x) morfologia espermática. Além disso, a influência da causa de infertilidade nos parâmetros morfológicos do blastocisto foi avaliada.
RESULTADOS: O desenvolvimento do blastocisto foi negativamente influenciado pela idade materna (CC: -0.095, p&lt;0.001), pelo IMC (CC: -0.038, p&lt;0.001) e pela dose de FSH (CC: -0.038, p=0.046). A qualidade do MCI foi influenciada apenas pela dose de FSH (CC: -0.031, p=0.044), enquanto a qualidade do TA foi influenciada pela dose de FSH (CC: -0.073, p&lt;0.001), idade materna (CC: -0.067, p&lt;0.001) e número de oócitos recuperados (CC: -0.030, p=0.050). Em relação à causa de infertilidade, foi demonstrado que a presença de fator ovariano (OR: 1.92, IC: 1.86-1.99, p=0.025), síndrome dos ovários policísticos (OR: 1.44, IC: 1.26-1.76, p=0.003) e de endometriose (OR: 2.00, IC: 1.34-3.99, p=0.003) podem diminuir em até duas vezes a chance de se obter um blastocisto de boa qualidade.
CONCLUSÕES: A seleção de pacientes para transferência de embriões no quinto dia de desenvolvimento deve ser feita com cautela. Pacientes com idade avançada, alto IMC e casais com fator feminino de infertilidade não se beneficiam do cultivo embrionário estendido. nossos achados sugerem ainda que um estímulo ovariano mais ameno, levando à recuperação de um menor número de oócitos pode ser mais apropriado para programas de transferência de blastocistos.

 

 

 

07 - Imagem por time-lapse e o movimento ideal para clivagem embrionária no terceiro dia de desenvolvimento Resultados preliminares

Semião-Francisco, L.; Samama, M; Ueno, J.

GERA-Grupo de Endoscopia e Reprodução Assistida, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: O objetivo deste estudo é avaliar o tempo levado pelo embrião para alcançar 2,3, 4 e 8 células e seu potencial de resultar em gestação positiva, através de um sistema de imagem time-lapse.
MATERIAL E MÉTODOS: Em um estudo preliminar prospectivo, trinta e seis pacientes foram submetidas à estimulação ovariana controlada. Após a ICSI, os oócitos foram colocados em uma placa de nove poços (WOW dish-Cryo Innovation) para avaliação da clivagem por time-lapse (Primovision-Cryo Innovation). O tempo levado para os embriões atingirem 2 (T2), 3 (T3), 4 (T4) e 8 células (T8) foi gravado. A transferência embrionária foi realizada no 3º dia de desenvolvimento. Dois grupos de embriões foram estabelecidos: 32 embriões que levaram a gestação positiva em 15 pacientes (GP= grupo de gestação positiva) e 36 embriões que levaram a gestação negativa em 18 pacientes (Gn= grupo de gestação negativa). Para avaliar a associação entre as variáveis independentes (tempo (horas) para alcançar certo número de células) e gestação, foi utilizada uma análise de regressão múltipla; os resultados foram dados em odds ratio, intervalo de confiança de 95% e valor de P significativo a P&lt;0,05 e os modelos de regressão foram ajustados para a idade.
RESULTADOS: A análise sugere que quanto maior o tempo necessário para o embrião alcançar T8, maior a chance de gestação (OR: 1.6, IC95%: 0.98-2.66, p&lt;0.059) corroborado por uma correlação de Pearson positiva entre T8 e gestação positiva (p=0,03) e chance de implantação (p=0,03). Quando comparado o tempo médio para os embriões GP chegarem a T8 (62.44 ±2.89 horas) e os embriões Gn chegarem a T8 (59.12 ± 3.0 horas, p=0.003), foi observada diferença estatística. não foram encontradas correlações entre T2, T3, T4 e gestação.
CONCLUSÃO: Este estudo mostra que não somente o número de células, mas o tempo que o embrião leva para alcança-las é importante. As chances de gestação são aumentadas em 60% a cada hora que o embrião demora a chegar ao estágio de 8 células, estando de acordo com estudos prévios que indicam que a clivagem rápida pode levar a erros de imprinting e anormalidades cromossômicas.

 

 

 

08 - Relato de caso de coleta de sêmen pós-morte para um programa de fertilização in vitro: cuidados a serem tomados

Edilberto Araújo Filho1, Cássio Leão Fácio1, Luís Antônio Velani1, Rui nogueira Barbosa1, Lígia Fernanda Previato de Araújo

1Centro de Reprodução Humana de São José do Preto (CRH), São José do Rio Preto, SP, Brasil

INTRODUÇÃO: Póstumas de recuperação de espermatozóides é a extração de sêmen viável de homem recém falecido e usá-lo futuramente na fertilização da parceira. Muito se discute sobre tempo de recuperação do sêmen e dilemas médicos, jurídicos e éticos que esse procedimento representa.
DESCRIÇÃO: R.T.S., 58 anos e O.V.S, 31 anos procuraram tratamento de FIV. Tentativas anteriores falharam resultando em aborto. A paciente apresentava ciclos menstruais regulares, tireóide e prolactina normais e ultrassom transvaginal sem alterações. O marido apresentava oligospermia severa decorrente de orquite por caxumba. Referia ter Doença de Chagas com arritmia cardíaca controlada. A paciente submeteu-se à estimulação ovariana. no 9º dia do ciclo (durante o tratamento), o marido sentiu-se mal na recepção da clínica sofrendo parada cardiorrespiratória. Realizou-se manobras de ressucitação e o transferimos para o hospital, local onde faleceu. A esposa questionou sobre possível coleta de material genético do marido. nosso advogado foi consultado sobre a legalidade desse procedimento, informando-nos que o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) não referia coleta pós-morte. Solicitou então “liminar de autorização de realização de punção testicular para extração de espermatozóides de pessoa falecida” ao juiz (dia do ocorrido), sendo acatada, mas “o material genético deveria ser congelado e não poderia ser utilizado para qualquer finalidade sem prévia autorização judicial”. O juiz refere que a requerente deverá posteriormente ajuizar ação própria para obter ou não a autorização para uso dos espermatozóides congelados. Cinco horas após o falecimento a equipe do CRH realizou punção dos epidídimos. Foi coletado 3 milhões de espermatozóides viáveis. Amostra seminal foi congelada. A esposa submeteu-se à coleta oocitária (quatro dias após o incidente): 15 ovócitos maduros foram obtidos e vitrificados.
COMENTÁRIOS: Esse relato visa alertar centros de reprodução humana da possibilidade de encontrar espermatozóides viáveis pósmorte. Outro ponto é incluir no TCLE um dispositivo que autorize coleta de gametas (masculino e feminino) em caso de morte durante o tratamento para que o cônjuge possa continuar o tratamento que, nesse caso não foi possível e será alvo de disputa judicial.

 

 

 

09 - Diagnóstico genético pré-implantacional por CGH-array-Caracterização das aneuplodias e sua relação com a idade materna

Ana Luiza Sgarbi Rossi1; Lara Freitas nunes Correa2; José Roberto Alegretti2,3; Juliana Cuzzi4; Eduardo Leme Alves da Motta2,3; Paulo Serafini2,5

1Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana , São Paulo, Brasil; 2Huntington Medicina Reprodutiva, São Paulo, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo UNIFESP, São Paulo, Brasil; 4Genesis Genetics Brasil, São Paulo, Brasil; 5Universidade de São Paulo USP, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Avaliar as taxas de aneuploidias embrionárias obtidas pelo diagnóstico genético pré-implantacional (DPI) pela Hibridação Genômica Comparativa por array (CGH-array) em biópsia de trofectoderma em pacientes com diferentes idades submetidas à Fetilização In Vitro (FIV).
MATERIAIS E MÉTODOS: Entre 01/2011 até 04/2012 foram avaliados 280 ciclos de FIV+CGH-array em pacientes com histórico de falhas prévias de FIV e abortos recorrentes. O DPI foi realizado em dia 5 (D5) pela remoção de células da trofectoderma. Os dados foram divididos em 5 grupos de acordo com a idade: A= <35 anos, B=35-37 anos, C=38-40 anos, D=41-42 anos, E=>42 anos. Foram analisados os percentuais de aneuplodias encontradas e foram divididas em anomalias únicas, múltiplas (2 a 3 cromossomos) e complexas (4 ou mais cromossomos).
RESULTADOS: Foram avaliados um total de 1007 embriões em estágio de blastocisto, sendo 692 aneuplóides (68,7%), distribuídos em anomalias únicas (n=290), múltiplas (n=216) e complexas (n=186). O percentual geral de aneuploidias encontrado foi: A=58%, B=69%, C=75%, D=76; E=91%. As anomalias únicas foram distribuídas em: A=46%, B=46%, C=44%, D=32; E=17%. Já a presença de anomalias múltiplas foi: A=23%, B=29%, C=35%, D=38; E=30%. A análise das anomalias complexas mostrou: A=22%, B=21%, C=18%, D=30; E=53%.
CONCLUSÃO: A interpretação dos resultados obtidos vai de encontro com o preconizado: a presença de aneuplodia embrionária em ciclos de FIV está diretamente associada ao aumento da idade materna. Contudo, nosso estudo evidencia uma maior incidência de anomalias únicas abaixo de 38 anos e um aumento das denominadas anomalias complexas acima desta mesma faixa etária. Fato este também esperado, visto que o aumento da idade materna afeta o mecanismo de disjunção cromossômica, podendo comprometer a segregação de todos os cromossomos, já as aneuploidias em oócitos jovens é resultado de evento aleatório e isolado. Deste modo, a análise da totalidade cromossômica deve ser indicada para ciclos de DPI.

 

 

 

10 - O valor preditivo da morfologia embrionária em dia 3 para o cultivo de blastocistos em diferentes grupos etários: avaliação de 4867 pré-embriões

Paula Matunaga1; Mariana Picolomini1; Raquel Mazettor1; José Roberto Alegretti1,2; EDUAEduardo Motta1,2; Paulo Serafini1,3

1Huntington – Medicina Reprodutiva São Paulo; 2Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Departamento de Ginecologia; 3 Universidade de São Paulo – USP– Centro de Reprodução Humana Mario Covas

OBJETIVO: Avaliar o valor preditivo da morfologia embrionária em dia 3 (D3) e sua correlação com a taxa de formação de blastocistos baseado em embriões de boa qualidade morfológica (BQMD3), ainda, sua correlação com diferentes grupos etários em pacientes submetidas a ciclos de Fertilização in vitro (FIV).
MÉTODOS: Entre janeiro/2010 e março/2012 foram analisados 547 ciclos de casais submetidos à FIV. As pacientes foram divididas em grupos etários: A)≤35 anos, B)36-39 anos; C) ≥40 anos. Após a coleta dos óvulos, ICSI foi realizada nos ovócitos maduros e a fertilização foi considerada na presença de 2 prónúcleos (2Pn). Em D3, foram classificados como BQMD3 todos entre 7 a 10 células com até 10% de fragmentação, e em dia 5 (D5), como blastocistos todos aqueles com presença de blastocele. Análises estatísticas foram realizadas com AnOVA, comparação múltipla de Tukey e qui-quadrado (p&lt;0,05).
RESULTADOS: Um total de 7476 ovócitos foram coletados (A=5030; B=1788 e C=658) destes, 4874 ovócitos maduros foram fertilizados (A=3170; B=1237 e C=467). Observou-se diferenças significativas na análise da média de BQMD3 [(A=3,32±2,9; B=2,72±2,5 e C=2,17±2,2)/(AxB-AxC:p&lt;0,001 e BxC: p=0,024)] e média de blastocistos [(A=4,7±3,0; B=4,3±2,0 e C=2,9±2,0)/ (AxC; p&lt;0,001 e BxC; p=0,018)]. A taxa de formação de blastocisto em relação ao número de embriões fertilizados foi diferente no grupo C em relação aos outros 2 grupos [(A=52,5%; B=51,6% e C= 41,4%)/(AxC: p=0,001 e BxC: p=0,01)]. Contudo, não foram observadas diferenças entre os grupos na taxa de conversão de BQMD3 para blastocisto (A=94,6%; B=95,1% e C=75,6%; p&gt;0,05).
CONCLUSÕES: O presente estudo corrobora com a influência da idade materna nos ciclos de FIV. Mulheres acima de 40 anos apresentaram declínio no número de blastocistos formados, contudo, a presença de embriões de boa qualidade morfológica no dia 3 possibilitou taxas de conversão a blastocisto similares aos grupos com idade inferior. Deste modo, a boa qualidade morfológica mostrou-se como indicativo eficiente para o cultivo até o dia 5 mesmo em pacientes com idade avançada.

 

 

 

11 - Efeito do tratamento com antioxidante nos parâmetros seminais de homens subférteis: Estudo duplo cego, randomizado, placebo controlado

Tatiana Moreira da Silva; Mônica Canêdo Silva Maia; Jalsi Tacon Arruda; Mário Silva Approbato; Fabiana Carmo Approbato; Carolina Rodrigues de Mendonça

Laboratório de Reprodução Humana Hospital das Clinicas / Depto de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Goiás

OBJETIVO: avaliar o efeito da suplementação com ácido fólico nos parâmetros espermáticos de homens subférteis.
MATERIAL E MÉTODOS: 49 pacientes com idade média de 35,3 anos (±7,7) foram randomicamente alocados em dois grupos: tratado (GT) e controle (GC). O GT (n= 23) recebeu ácido fólico 5 mg/dia e o GC (n= 26) recebeu placebo, ambos por 3 meses. Para constatar a condição de subfertilidade, realizaram-se dois espermogramas (intervalo de 15 dias entre o primeiro e segundo exame, abstinência 2-7 dias, conforme recomendações da OMS). Exames pré e pós-intervenção realizados no mesmo laboratório por duas profissionais, seguindo os critérios da OMS, 1999. nessa pesquisa avaliaram-se os seguintes parâmetros: concentração, motilidade, morfologia e vitalidade.
RESULTADOS: A concentração média de espermatozóides (x106/mL) no GT antes e após a intervenção foram, respectivamente, 25,9 (±24,1) e 26,1 (±24,5). no GC as médias foram: 20,8 (±19,7) e 20,1 (±16,3). Quanto a motilidade, as médias de espermatozóides móveis progressivos no grupo tratado antes e após a terapêutica foram, respectivamente, 46,5% (±14,9) e 48,3% (±10,7); e no GC foi de 49,2% (±13,5) e 49,6% (±11,9). A média de morfologia normal no GT antes e após o ácido fólico foram 23,3% (±2,9) e 23,9% (±3,7); e no GC antes e após o placebo 22,3% (±3,5) e 24,2% (±3,1), respectivamente. A vitalidade apresentou média de 66,7% (±8,7) e 69,6% (±8) antes e após a intervenção, respectivamente, no GT. Já o GC apresentou 65,8% (±9,4) e 65,4% (±12,6), respectivamente. Aplicou-se o teste qui-quadrado em ambos os grupos. Observamos que não houve melhora estatisticamente significante em nenhum dos parâmetros avaliados.
CONCLUSÕES: nesse trabalho, o tratamento com ácido fólico na dosagem de 5 mg/dia não melhorou os parâmetros espermáticos em homens subférteis. Embora alguns estudos tenham verificado benefícios com o tratamento de antioxidantes (AHMAD et al., 2010; GHAnEM et al. 2010; IMHOF et al., 2011; SAFARInEJAD, 2011), outros não conseguiram observar qualquer efeito (SIGMAn et al., 2006; TUnC et al., 2009). A combinação de diferentes substâncias e dosagens durante períodos variáveis dificultam a identificação do componente ativo e a padronização terapêutica. Assim, este trabalho procurou avaliar o efeito do ácido fólico usando-o isoladamente.

 

 

 

12 - Utilização do diagnóstico genético pré-implantacional por CGH-array, nas falhas repetidas de implantação e abortos recorrentes

Thelma C. Criscuolo1, Bruna C. Barros1, Mariana M. Piccolomini1, Péricles Hassun2, Paulo Serafini1,3, Eduardo Motta1,4

1Huntington Medicina Reprodutiva, São Paulo, Brasil; 2Genesis Genetics Brasil, São Paulo, Brasil; 3Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, Brasil; 4Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Reportar a experiência da biopsia pré-implantacional para análise cromossômica por Hibridação Genômica Comparativa por array (CGH-array), na fase de blastocisto, em pacientes submetidas a ciclos de Fertilização in vitro (FIV) com histórico de falhas sucessivas de implantação e/ou abortos de repetição.
MATERIAIS E MÉTODOS: no período de novembro/2010 a abril/2012 foram analisados 75 ciclos de FIV em casais com histórico prévio de 3 ou mais falhas em ciclos FIV e/ou 2 ou mais abortamentos. Em todos os casos, os embriões foram submetidos a hatching assistido por sistema laser em dia 3, com subsequente cultivo a 90%n2/5%O2/5%CO2 até dia 5. Em dia 5 a biópsia embrionária foi realizada em estágio de blastocisto, com transferência de embriões euplóides a fresco em dia 6.
RESULTADOS: A idade média das pacientes foi de 37,8±3,8 anos, com média de 11,5±5,7 ovócitos coletados, 9,8±5,1 ovócitos maduros e 8,4±4,4 ovócitos fertilizados. Um total de 271 blastocistos foram biopsiados (média de 3,7±1,5/ paciente), sendo obtidos 75 blastocistos euplóides (27,6%). Dos 75 ciclos iniciados, em 31 ciclos (41,3%) não foi realizada a transferência embrionária pois foram identificados apenas embriões aneuploides. Foram transferidos um total de 64 embriões em dia 6 (média de 1,45±0,8/paciente). A taxa de gestação por ciclo iniciado foi de 29,3%, sendo representada por 35,9% de taxa de implantação e de 50% de gestação por transferência realizada. Observou-se ainda 9% de gestações bioquímicas e 10% de perdas gestacionais anteriores a 9 semana.
CONCLUSÕES: A biopsia embrionária por CGH-array provou ser uma ferramenta importante para casais com falhas recorrentes e/ou histórico de aborto, submetidos à FIV. Quando presentes os embriões euploides, foram corretamente identificados os casais aptos a apresentar resultados positivos. Deste modo, o estudo sugere que a tecnologia, quando aplicada a casais bem selecionados, pode oferecer taxas de implantação e gestação semelhantes às taxas observadas em pacientes sem histórico prévio de falhas de implantação/aborto. Deve-se ressaltar que os casais devem ser preparados para possíveis resultados negativos, pois quase metade deles não obtiveram embriões normais, levando ao cancelamento da transferência dos embriões, embora mesmo nesta situação, a determinação da aneuploidia pode levar ao melhor conhecimento e correto aconselhamento futuro.

 

 

 

13 - Cápsula de vitrificação: Uma idéia simples e eficiente para criopreservação de tecido ovariano. Resultados histológicos

Bos-Mikich A, Aquino D, Danielli L, Rigon PSL , Oliveira nP, Frantz n

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz

OBJETIVO: a criopreservação de tecido ovariano é uma opção importante para meninas e mulheres, que enfrentam uma condição oncológica. Vitrificação é uma alternativa de criopreservar o tecido ovariano, mas o contato com o nitrogênio líquido (nli) pode oferecer riscos futuros à paciente. Nosso objetivo foi testar a eficiência, em termos morfológicos, de cápsulas e um recipiente metálicos, para a criopreservação de tecido ovariano bovino, como modelos para terapia humana com grau clínico. Atenção foi dada aos folículos primordiais e primários e ao estroma, responsável pela re-vascularização pós-transplante.
MATERIAL E MÉTODOS: ovários de novilhas chegaram ao laboratório em 2hs. Fragmentos de 1 x 1x 1 mm do córtex foram vitrificados ou serviram de controle. Os tecidos passaram pela solução equilíbrio de 7.5% etileno glicol (EG) e DMSO, seguida pela solução vitrificação de 15% de EG e DMSO e 0.6 M sacarose, ambas em HTF, 15min cada,. Após os tecidos foram acomodados na base das cápsulas ou do recipiente metálicos, que estavam em uma bandeja com nli. As cápsulas introduzidas criotubos e o recipiente vedado foram imersos no nli. Para reaquecimento, os criotubos e o recipiente ficaram à temperatura ambiente por 30-40 seg e banho Maria a 37º.C por 30 seg. Os tecidos foram transferidos direto para as soluções de desvitrificação compostas de 1 e 0.5M de sacarose, por 5 min em cada, antes de serem fixados.
RESULTADOS: análises histológicas demonstraram não haver diferenças significativas na morfologia folicular e do estroma entre os fragmentos criopresevados nas cápsulas e o controle. Os fragmentos do recipiente metálico apresentaram poucos folículos, metade deles intactos e o estroma sem qualquer diferença em relação ao controle. no estroma, as células mantiveram núcleos fusiformes heteropicnóticos e as fibras colágenas compactadas e íntegras, preenchendo espaços em torno dos folículos e vasos.
CONCLUSÕES: estes resultados indicam que ambos os sistemas de vitrificação em receptáculos metálicos são métodos válidos e apropriados para criopreservação de tecido ovariano visando terapias com grau clínico, devendo-se enfatizar a manutenção da integridade dos folículos primordiais e primários, representantes da reserva ovariana feminina e seu potencial reprodutor.

 

 

 

14 - O fluido folicular de mulheres inférteis com endometriose leve pode comprometer o fuso meiótico de oócitos em metáfase II

Michele Gomes Da Broi1, Helena Malvezzi1, Alessandra Aparecida Vireque1, Claudia Paro de Paz2, Rui Alberto Ferriani1, 3, Paula Andrea navarro1, 3

1Setor de Reprodução Humana, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo, 2Departamento de Genética, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo, 3Instituto nacional de Hormônios e Saúde da Mulher, CnPq, Brasil

OBJETIVO: Os mecanismos envolvidos na etiopatogênese da infertilidade relacionada à endometriose não foram totalmente elucidados, principalmente nos estadios iniciais da doença. Questionamos a possibilidade de haver alterações no microambiente folicular dessas pacientes, o que poderia afetar a aquisição de competência oocitária e comprometer a fertilidade natural e os resultados de fertilização in vitro de mulheres com endometriose. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto de diferentes concentrações de fluido folicular (FF) de mulheres inférteis com e sem endometriose sobre a integridade do fuso, alinhamento cromossômico e organização dos microfilamentos de actina de oócitos bovinos maturados in vitro.
MATERIAL E MÉTODOS: amostras de FF foram obtidas de 22 pacientes inférteis (11 com endometriose leve (EL) e 11 controles com infertilidade por fator tubário e/ou masculino) submetidas à estimulação ovariana controlada para injeção intracitoplasmática de espermatozóide. Oócitos bovinos foram submetidos à maturação in vitro (MIV) com meio padrão (sem fluido) e com meio padrão acrescido de quatro concentrações (1%, 5%, 10%, e 15%) de dois FF (um de paciente com EL e outro de paciente controle). Foram realizadas 11 MIVs e cada FF foi utilizado apenas uma vez. Os oócitos foram fixados, corados por imunofluorescência para visualização do fuso e cromossomos e analisados em microscópio confocal. Os oócitos em metáfase II em visão sagital, com fuso em forma de barril e cromossomos alinhados na placa metafásica foram classificados como normais. Para análise estatística, utilizou-se Distribuição Gamma e teste do X2. Foi considerado significativo p&lt;0,05.
RESULTADOS: não houve diferença para a frequência de anormalidades meióticas entre as concentrações testadas dentro de cada grupo e entre os grupos controle e sem fluido. A frequência de anormalidades meióticas em oócitos em MII foi significativamente maior naqueles maturados com FF de pacientes com EL (55,8 %) quando comparados com oócitos maturados com FF de pacientes controles (23,07%) (p&lt;0,01).
CONCLUSÕES: oócitos bovinos maturados in vitro na presença de FF de mulheres inférteis com EL têm maior frequência de anormalidade meiótica. Estes dados sugerem que o FF de mulheres inférteis com endometriose leve pode comprometer a qualidade oocitária por promover danos ao fuso meiótico e/ou alinhamento cromossômico.
SUPORTE: InCT/CnPq.

PALAVRAS-CHAVE: endometriose leve; infertilidade feminina; maturação in vitro; fluido folicular; fuso meiótico; qualidade oocitária.

 

 

 

15 - Suplementação do meio de congelação co fosfolipídio aumenta a motilidade progressiva de espermatozóides humanos criopreserados: Um estudo piloto.

Vireque AA1, Silva OFLLO1, Pereira CS2, Dantas MHY1, Ferriani RA1, Reis RM1

1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP; 2Departamento de Genética – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP

OBJETIVOS: A inclusão de fosfolipídios e colesterol, derivados da gema de ovo, nos meios de congelação contribuiu consideravelmente para os avanços na criopreservação do sêmen humano. O uso da lecitina de soja, cuja formulação contém 10% dos fosfolipídios presentes na gema de ovo, foi recentemente investigado (Jeyendran et al. 2011). Há uma forte correlação entre o número de espermatozoides (SPTZ) imóveis e a viabilidade espermática (Ozkavukcu et al. 2008) e um teste preliminar em nosso laboratório apontou aumento significativo na motilidade progressiva de espermatozoides criopreservados em meio suplementado com fosfolipídio. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da suplementação do meio de congelação com fosfolipídio, na sua forma pura, e em diferentes concentrações, na motilidade e vitalidade pós-criopreservação do SPTZ humano.
MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo experimental. Amostras de sêmen de 5 voluntários, devidamente esclarecidos e após assinatura do TCLE, foram submetidas à análise seminal de rotina (critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde de 2010) antes e após a criopreservação utilizando meio crioprotetor (TEST-yolk buffer– Irvine Scientific) suplementado com fosfatidilcolina (fosfolipídio – PL) nas concentrações de 1% e 3% . Após a adição do meio crioprotetor TEST-yolk ou TEST-yolk + PL, as amostras de sêmen foram envasadas em criotubos de 2 mL e submetidas à criopreservação pelo método rápido. As amostras foram descongeladas em temperatura ambiente e mantidas a 37 °C durante a análise seminal. Os resultados obtidos foram analisados pelo teste t de Student, com p&lt;0,05.
RESULTADOS: Os índices de motilidade progressiva e vitalidade dos SPTZ das amostras pré-congelamento foram, respectivamente, 48,1% e 87% e após o descongelamento: 24,4% e 74% (TEST-yolk), 34,6% e 74,6% (TEST-yolk + PL 1%), 41,6% e 76,4% (TEST-yolk + PL 3%). Houve aumento significativo na motilidade progressiva e redução no número de SPTZ imóveis nos grupos suplementados com PL a 3% (p&lt;0,05).
CONCLUSÃO: O uso de fosfolipídios na sua forma pura pode ser uma alternativa viável como suplemento para o meio de congelamento de sêmen humano e possivelmente como substituto de aditivos de origem animal como a gema de ovo largamente utilizada nos meios crioprotetores convencionais.

PALAVRAS-CHAVE: Criopreservação; Sêmen; Espermatozóide humano; Fosfolipídio; Motilidade progressiva.

REFERÊNCIAS:

Ozkavukcu S, Erdemli E, Isik A, Oztuna D, Karahuseyinoglu S. Effects of cryopreservation on sperm parameters and ultrastructural, morphology of human spermatozoa. J Assist Reprod Genet (2008) 25:403–411. Jeyendran RS, Acosta VC, Land S, Coulam CB. Cryopreservation of human sperm in a lecithin-supplemented freezing medium. Fertil Steril 90(4):1263-1265.

 

 

 

16 - Gene BMPR2 expresso nas células do cumulus de mulheres com SOP apresenta correlação positiva com o hiperandrogenismo e modula a secreção de progestorona.

Resende LOT1, Vireque AA1, Santana LF1, Moreno DA2, Ferriani RA1, Reis RM1

1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP; 2Departamento de Pediatria – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP

OBJETIVO: O gene BMPR2 codifica o receptor tipo 2 para os fatores oocitários BMP15 e GDF9 e é apontado como o receptor mais efetivo para a bioatividade do BMP15 (Moor et al, 2003). Estudos atuais associam mutações do gene BMP15 em ovelhas e mulheres à hipersensibilidade às gonadotrofinas, resultando em ovulação excessiva e SHO. Além disso, polimorfismos neste gene podem estar potencialmente associados com a SOP, o que ressalta sua importância na fertilidade humana. Recentemente, o BMPR2 foi identificado como o principal modulador dos efeitos sinérgicos do GDF9 e BMP15 nas células da granulosa, apresentando ação potencial na supressão da produção de progesterona induzida pelo FSH (Edwards et al. 2007). O objetivo deste estudo foi avaliar a correlação entre a expressão do gene BMPR2 nas células do cumulus (CCs) com o hiperandrogenismo e as concentrações de progesterona no fluido folicular (FF) de mulheres com SOP. A expressão do gene BMP15 também foi avaliada em oócitos maduros SOP e controles.
MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo caso-controle. Dezoito oócitos MII e respectivas CCs foram obtidos de 18 mulheres com SOP e 48 oócitos maduros e CCs de 35 mulheres controles. Ambos os grupos foram submetidos à hiperestimulação ovariana controlada (HOC) e o FF coletado de folículos pré-ovulatórios, com diâmetro > 18 mm. O kit Rneasy Micro (Qiagen®) foi usado para extração do RNA e a expressão dos genes quantificada em cada oócito e nas CCs pela técnica de PCR-RT. Os esteroides foram dosados por RIA. Os dados foram analisados por AnOVA, teste Mann-Whitney e correlação de Pearson (Corr, SAS 2003).
RESULTADOS: A abundância relativa de transcritos do gene BMPR2 foi positivamente correlacionada com as concentrações de testosterona (r = 0,29; p=0,04) e androstenediona (r = 0,55; p=0,03) no FF de mulheres com SOP. A expressão do gene BMP15 foi maior em oócitos SOP e a concentração de progesterona significativamente reduzida no grupo SOP (p=0,03).
CONCLUSÃO: A expressão do gene BMPR2 nas CCs de mulheres com SOP pode ser regulada pelos andrógenos. O BMPR2 modula a inibição da secreção de progesterona induzida pelo BMP15, impedindo a luteinização prematura de folículos SOP.

PALAVRAS-CHAVE: BMPR2, SOP, hiperandrogenismo, células do cumulus, fluido folicular.

 

 

 

Posteres

P01 - Avaliação comparativa da recuperação espermática após criopreservação de espermatozóides humanos em nitrogênio líquido, e vapor de nitrogênio líquido

Gustavo Cardoso Borges

CONCEPT Centro de Reprodução Humana

OBJETIVO: Comparar dois métodos de criopreservação de espermatozóides, em vapor de nitrogênio líquido e mergulhado no nitrogênio líquido, avaliando 3 variáveis: a concentração final, a motilidade final e o número total de espermatozóides.
METODOLOGIA: Foram avaliadas 49 amostras de sêmen colhidas através de masturbação. Foi feita análise macroscópica quanto a volume, cor, viscosidade e liquefação, e análise microscópica de concentração e motilidade. O crioprotetor escolhido foi o TYB (Test-yolk Buffer, Irvine). A criopreservação foi realizada após completa diluição da amostra com o crioprotetor gota-a-gota na proporção de 1:1. Após esta homogeneização os criotubos foram acondicionados em vapor de nitrogênio líquido por 20 minutos e, logo após esse período um dos criotubos mergulhado em nitrogênio líquido e o outro mantido no vapor de nitrogênio por um período de 24 horas. As amostras foram descongeladas com 5 minutos em temperatura ambiente e 20 minutos em placa aquecedora a 37ºC, e analisadas em microscópio quanto a concentração e motilidade.
RESULTADOS: A concentração final não foi significativamente superior entre os dois métodos (média no nitrogênio líquido 41,26milhões/mL X média no vapor de nitrogênio líquido 40,66milhões/mL) bem como a motilidade(p=0,683) e o número total de espermatozóides móveis (p=0,073).
CONCLUSÃO: De acordo com os dados estatísticos analisados não houve diferença entre a criopreservação de espermatozóides em vapor de nitrogênio líquido quando comparado ao método convencional.

 

 

 

P02 - Fragmentação de DnA em espermatozóides humanos com diferentes viscosidades no plasma seminal

KUSSLER APS, PIMEnTEL AM, ALCOBA DD, LIU IP, CORLETA HVE

Núcleo de Reprodução Humana Gerar, Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS, Brasil

Laboratório de Ginecologia e Obstetrícia Molecular, Centro de Pesquisas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS, Brasil e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS, Brasil

OBJETIVO: Comparar a taxa de fragmentação do DnA de espermatozoides humanos em amostras com viscosidade diminuída, fisiológica e aumentada. Avaliar, em amostras hiperviscosas, se o processo mecânico preconizado pela Organização Mundial da Saúde OMS (de expulsão do sêmen através de agulha e seringa), utilizado para reduzir a viscosidade, altera significativamente as taxas de fragmentação do DnA dos espermatozoides.
MÉTODOS: Os parâmetros seminais das amostras de sêmen de 123 pacientes foram avaliados e classificados de acordo com a sua viscosidade. Aquelas com viscosidade aumentada passaram pelo processo de expulsão do sêmen através de uma seringa de 10mL com agulha 18G por 4 vezes, com objetivo de diminuir a viscosidade. A fragmentação do DnA de todas as amostras foi analisada através do ensaio TUnEL (Terminal Deoxynucleotidyl transferase mediated Dutp nick end labeling assay), sendo que nas amostras com viscosidade aumentada a fragmentação foi avaliada antes e após o processo de expulsão em seringa e agulha.
RESULTADOS: não houve diferença na taxa de fragmentação do DnA entre amostras com viscosidade fisiológica, diminuída e aumentada (P=0.857). Nas amostras com viscosidade aumentada foi verificado um aumento estatisticamente significativo (P=0.035) na fragmentação do DnA espermático após a expulsão do sêmen na seringa e agulha.
CONCLUSÃO: não há diferença na taxa de fragmentação do DnA entre amostras com viscosidade diminuída, fisiológica e aumentada, entretanto o processo físico de expulsão do sêmen através de seringa e agulha para redução da viscosidade seminal aumenta significativamente a fragmentação do DnA do espermatozoide. Este procedimento deveria ser proscrito quando os espermatozóides forem utilizados com fins reprodutivos.

 

 

 

P03 - Comparação entre as características de embriões oriundos de oócitos maturados in vivo ou in vitro em ciclos de FIV

Diego Duarte Alcoba1, Anita Mylius Pimentel2, Ilma Simoni Brum1, Helena von Eye Corleta2

1Laboratório de Biologia Molecular Endócrina e Tumoral Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2Associação Hospitalar Moinhos de Vento núcleo de Reprodução Humana Gerar;

OBJETIVO: avaliar a possibilidade de utilização de gametas recuperados em diferentes estágios de imaturidade em ciclos com estimulação hormonal.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo retrospectivo realizado em Clínica Privada de Reprodução Humana. Os prontuários das pacientes submetidas à estimulação ovariana para procedimentos de Reprodução Assistida em que houve recuperação de gametas imaturos PI (prófase I) ou MI (metáfase I) foram revisados. Os oócitos imaturos foram maturados in vitro e fertilizados, utilizandose ICSI. Foram avaliadas as taxas de maturação e fertilização dos gametas e a clivagem, criopreservação e utilização dos embriões (transferência e criopreservação) oriundos desses gametas. Estes parâmetros foram comparados dentre os gametas imaturos e entre os oócitos recuperados maduros (MII maturação in vivo). Para comparar tais taxas aplicou-se o teste Qui-quadrado, suplementado pela análise dos resíduos ajustados. Empregou-se a correlação de Spearman para avaliar a relação entre a taxa de gametas imaturos e a qualidade dos embriões oriundos de gametas maduros. Considerou-se diferença estatística quando p≤0.05.
RESULTADOS: Dentre os 398 ciclos avaliados 118 (29,6%) apresentavam gametas imaturos na punção. As características dos embriões gerados por gametas recuperados nos estágios MI e MII foram similares em todas as avaliações. A taxa de fertilização foi inferior no grupo de oócitos PI comparado com seus homólogos MII (P = 0.031). Igualmente, a taxa de clivagem embrionária foi inferior no grupo PI comparado com seus homólogos MI (P = 0.004) e MII (P < 0.001). Não houve diferença entre as demais variáveis. A taxa de gametas imaturos não apresentou correlação com a fertilização (P = 0.077), clivagem (P = 0.115) ou utilização (P = 0.160) dos embriões gerados por gametas maturados in vivo.
CONCLUSÕES: A recuperação de gametas imaturos é frequente em ciclos estimulados. O desempenho de gametas MI maturados in vitro é similar aos gametas maturados in vivo, permitindo aumentar o número de embriões/ciclo. Gametas PI apresentaram taxas inferiores de fertilização e clivagem embrionária, apesar de exibirem taxas de utilização embrionária similares aos demais gametas, demonstrando potencial de formarem embriões de boa qualidade. Consequentemente, técnicas para discriminar qual gameta PI possui potencial devem ser empregadas com a maturação in vitro.

 

 

 

P04 - Reprodução humana: os graduandos de enfermagem frente

Juliana Almeida nunes, Vilma Melo Oliveira Linares, Patricia Correia Silva, Helena Salina Dias

OBJETIVO: Avaliar o conhecimento dos Graduandos em Enfermagem sobre a atuação do Enfermeiro na área de Reprodução Humana.
MATERIAL E MÉTODO: Estudo transversal de caráter descritivo. Amostra constituída de 139 graduandos em Enfermagem do 8º semestre de uma universidade privada de São Paulo, a coleta de dados foi realizada através do preenchimento de questionário entregue pelo próprio autor ao participante após assinatura do termo de consentimento livre esclarecido, o período do estudo foi de 01 á 30 de Setembro de 2010, após aprovação do comitê de ética da instituição. Como critério de inclusão o participante deveria estar no 8º semestre do curso de Enfermagem e como critério de exclusão pertencer a qualquer outro curso e estar cursando qualquer outro semestre que não fosse o 8º. As informações coletadas foram armazenadas em banco de dados utilizando-se o programa Excel 2007, a análise dos dados foi realizada através da frequência relativa.
RESULTADOS: Dos 139 alunos participantes, 134 (96,4%) afirmaram possuir algum conhecimento sobre Reprodução Humana Assistida (RHA), quando questionados se conheciam algum enfermeiro atuante em RHA 129 (92,8%) não conhecem enfermeiros atuantes neste seguimento. Em relação ao principal local de atuação do enfermeiro 64 (46,05%) responderam ser no Laboratório de Embriologia, 44 (31,65%) no Consultório e 31 (22,03%) no Centro Cirúrgico. Quando perguntado se somente o conteúdo ensinado na Graduação seria suficiente para a atuação do Enfermeiro na área de RHA 138 (99,3%) responderam não ser suficiente.
CONCLUSÃO: Observamos a necessidade de inclusão de disciplina específica sobre RHA na graduação, visto que os alunos mesmo depois de formados não se sentem seguros em atuar nesta área por falta de conhecimento. Apesar das limitações do estudo, concluímos que os alunos possuem pouco conhecimento sobre o assunto, desconhecem o real local de atuação do enfermeiro, visto que a resposta da maioria dos alunos não corresponde com a realidade na pratica clinica. Sendo um momento propício para a revisão da grade curricular de enfermagem, visando formar profissionais mais preparados e que possam garantir seu lugar frente à equipe multiprofissional na área de RHA, atualmente ocupado por outros profissionais por falta de preparo específico do Enfermeiro.

 

 

 

P05 - Correlação entre o índice de massa corpórea, fragmentação do DnA espermático e a motilidade espermática

Macedo, J. F; Gomes, L. M.; Melo, K. R. B. Clínica Reproferty

OBJETIVO: Estudar a correlação entre o índice de massa corpórea, fragmentação do DnA espermático e motilidade.
MATERIAL E MÉTODOS: O estudo retrospectivo envolveu a análise de 93 pacientes avaliados entre agosto de 2011 a março de 2012. não foram incluídos pacientes submetidos a radio ou quimioterapia. O estudo avaliou o índice de massa corpórea (IMC) categorizado como: 20-25 Kg/m2 (referência), 25-29,9 Kg/m2 (sobrepeso) e 30 Kg/m2 (obeso), os parâmetros utilizados da análise seminal macroscópica (OMS, 2010) foram: motilidade total e motilidade tipo A dos espermatozoides. Avaliou-se o índice de fragmentação do DnA espermático (teste SCSA) que recebeu a seguinte classificação: < 16% (normal), > 16 % < 30% (moderada) e > 30% (elevada). Os dados foram submetidos a analise estatística de Kruskal Wallis e pós teste de Student, sendo considerados significantes valores onde p < 0,01.
RESULTADOS: O estudo mostrou que 52% dos pacientes com IMC normal têm índice de fragmentação normal, 32% moderado e 16% elevado. Pacientes com sobrepeso apresentaram 39,6% para índice normal de fragmentação, 37,7% moderado e 22,7% elevado. Encontramos nos pacientes obesos 35,7% de fragmentação normal, 42,8% moderado e 21,5% elevado. na avaliação da motilidade total e tipo A realizadas no estudo não encontramos diferenças significantes, exceto nos casos dos pacientes considerados obesos os quais apresentaram uma motilidade tipo A de 1,66 ± 2,22%.
CONCLUSÕES: Os pacientes com IMC sobrepeso e obesidade mostraram aumento na taxa de fragmentação do tipo moderada e elevada quando comparados aos pacientes com IMC normal. na análise da correlação do IMC com a motilidade total, análise do IMC versus motilidade total, versus motilidade tipo A versus índice de fragmentação do DnA espermático não encontramos diferenças estatisticamente significantes para os pacientes com IMC normal e sobrepeso. Em pacientes com IMC obeso e com índice de fragmentação do DNA espermático elevado verificamos que ocorre uma redução na taxa de motilidade tipo A. nesse estudo verificamos que os pacientes obesos são mais prejudicados em relação à motilidade espermática, assim, realizando uma análise mais aprofundada futuramente, poderemos verificar quais outros fatores podem contribuir para essa queda da motilidade espermática tipo A.

 

 

 

P06 - Comparação das técnicas de processamento seminal “swim-up” e gradiente descontínuo: análise da concentração, motilidade e morfologia dos espermatozóides

Oliveira, B.S.; Mizrahi, F.E.; Glina, S.; Affonso, F.; Vieira, M. Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida, Brasil

OBJETIVO: Comparação das técnicas de “Swim-up” (SUP) e Gradiente descontínuo (GD) em amostras de sêmen, através da verificação da concentração, motilidade e morfologia espermática pré e pós-processamento seminal, com o intuito de verificar qual das duas técnicas pode garantir melhor recuperação e qualidade espermática.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo comparativo e prospectivo, no qual, pacientes com queixa de infertilidade foram submetidos, pela primeira vez no local de estudo, a um espermograma realizado de acordo com as normas padronizadas pela Organização Mundial da Saúde. Através da analise macroscópica e microscópica foram selecionados apenas pacientes cuja análise seminal apresentou volume superior a 3mL e concentração mínima de 5 x 106 espermatozoides/mL (n=40). Cada amostra foi dividida e submetida às técnicas de SUP e GP. A análise estatística foi baseada no Teste dos Postos Sinalizados de Wilcoxon.
RESULTADOS: A análise inicial das amostras apresentou média de concentração de 64,11 x 106/ ml, média de motilidade A + B de 63,07% e média de morfologia de 4,73%. Em relação ao número de espermatozoides móveis recuperados e grau de motilidade, a técnica de SUP apresentou resultados estatisticamente superiores quando comparadas ao GD (SUP: 31,13 x 106 espermatozoides/mL com 90,10% grau A e GD: 22,10 x 106 espermatozoides/mL com 76,10% grau A, p < 0,05). Quanto a analise morfológica não houve diferença estatística quando se comparou as técnicas entre si em relação à taxa de espermatozoides normais (SUP: 8,60% e GD: 8,45%; p < 0,05), no entanto, ambas as técnicas mostraram-se superiores quando comparadas com a amostra a fresco (4,73%). COnCLUSÃO: A partir dos resultados obtidos, pode-se concluir que a técnica de SUP apresentou-se superior em relação à concentração e motilidade espermática quando comparada com a técnica de GD para as amostras analisadas.

 

 

 

P07 - Avaliação da reserva ovariana através do hormônio anti-Mülleriano em pacientes submetidas à ligadura tubária

Ana Luiza Berwanger da Silva; Camila da Ré; Cristine Dietrich; Isabela Piva Fuhrmeister; Anita Pimentel; Helena Von Eye Corleta

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Porto Alegre RS

OBJETIVO: Uma parcela considerável das pacientes submetidas à Ligadura Tubária (LT), queixa-se de sintomas surgidos após a sua realização, principalmente relacionados a mudanças no ciclo menstrual. Estas alterações podem estar relacionadas a alterações na reserva ovariana. Este estudo teve como objetivo avaliar se existe associação independente entre LT e diminuição de reserva ovariana, antes e um ano após a cirurgia, através da dosagem do HAM e, secundariamente, da contagem de folículos antrais (CFA) à ultrassonografia transvaginal.
MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizada uma coorte prospectiva de 80 pacientes férteis consecutivas submetidas à LT entre maio de 2008 e fevereiro de 2009, as quais foram submetidas a coleta de sangue, para dosagem de HAM, e a uma ultrassonografia transvaginal, para a CFA, antes (exames basais) e um ano após a cirurgia. Para a comparação desses resultados, foi utilizado o teste T de Student. Possíveis fatores de confusão (uso de contraceptivos hormonais, tabagismo, técnica cirúrgica, idade e índice de massa corporal) foram avaliados através de regressão linear simples e múltipla.
RESULTADOS: não houve alteração significativa nos valores de HAM (média = 1,79ng/ml ± 1,61 e 2,05ng/m ± 2,16 antes e após LT, respectivamente) e da CFA (média = 9,7 ± 5,9 e 11,1 ± 5,8 antes e após LT, respectivamente) um ano após a LT. As análises, tanto uni, quanto multivariada, dos possíveis fatores de confusão demonstrou associação significativa entre a variação de HAM e o uso de contraceptivos hormonais, sendo que houve aumento desse hormônio em pacientes que usavam tal método antes da LT.
CONCLUSÕES: Os resultados desta coorte de 12 meses sugerem que a LT não está associada com alterações significativas da reserva ovariana. O uso de contraceptivos hormonais poderia provocar discreta diminuição do HAM, o qual demonstrou aumento após sua suspensão, entretanto tal conclusão deve ser interpretada com restrições, e estudos de seguimento mais longo devem ser considerados.

 

 

 

P08 - Motivações para doar ou não gametas em homens e mulheres inférteis

Leis L, Busso CE, Duarte Filho OB, Tso LO, Glina S, Busso nE Projeto Alfa-Fertilização Assistida

OBJETIVO: Compreender as motivações que levam homens e mulheres que vivenciam a dificuldade de gravidez a desejarem doar ou não doar seus gametas para casais inférteis.
MATERIAL E MÉTODOS: Participaram do estudo 35 homens com idades até 39 anos (elegíveis para doação de sêmen) e 35 mulheres com idades até 34 anos (elegíveis para doação de óvulos), que buscavam por tratamentos para infertilidade (FIV ou ICSI), sem ainda tê-lo iniciado. Utilizou-se como instrumento de pesquisa questionário elaborado especialmente para esse estudo, com perguntas abertas e fechadas, contendo as mesmas perguntas para ambos os sexos. na análise estatística foi utilizado o teste do qui-quadrado.
RESULTADOS: Com relação ao desejo de doar ou não espermatozóides/óvulos para outro(a) paciente infértil, a pesquisa constatou que 80% tanto dos homens quanto das mulheres tem esse desejo, porém, nota-se que os motivos para a doação diferem significantemente (p=0.007), entre homens e mulheres, já que para a maioria das mulheres que desejam doar seus óvulos, a principal motivação (64%) é a identificação com o sofrimento da receptora, já nos homens, o principal motivo é simplesmente o desejo de ajudar outra pessoa (68%). Entre os pacientes que não desejam doar seus gametas (20%), o principal motivo para não doá-los, tanto nos homens quanto nas mulheres, é o fato de não desejarem ter um filho sem saber onde ele está, (29%) e (43%) respectivamente. É interessante destacar que, 77% das mulheres aceitariam óvulos doados, se um dia precisassem, já os homens, 54% aceitariam sêmen nesta situação. A recompensa financeira seria um estímulo para doação de gametas para 40% das mulheres e 43% dos homens.
CONCLUSÃO: Concluiu-se que o desejo de doar gametas está vinculado, principalmente, à razões altruístas nos pacientes e que as motivações para uma possível doação destoam entre homens e mulheres. A recompensa financeira parece ser um estímulo para doação em boa parte da população estudada.

 

 

 

P09 - Frequência de fertilizações anormais e de embriões prococes em ciclos de IVM

Adriana Bos-Mikich, Mônica Martins da Silva, Gerta n. Frantz, norma P. Oliveira, nilo Fratnz

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz

OBJETIVO: ocorrência de 10-12% de zigotos anormais (3Pns ou 1 Pn) pós FIV ou ICSI é aceitável para anomalias da fertilização. Por outro lado, a característica de precocidade embrionária (P) é um importante fator para seleção dos embriões a serem transferidos e se reflete diretamente nas taxas de implantação e gestação. nosso objetivo foi analisar a freqüência de fertilizações anômalas, de embriões precoces e o efeito da transferência destes nas taxas de gestações em ciclos de maturação in vitro (IVM).
MATERIAL E MÉTODOS: estudo retrospectivo de 53 ciclos de IVM, onde foram investigadas as freqüências de zigotos 3Pn e 1Pn após ICSI (50 ciclos) e IMSI (3 ciclos). Analisamos ainda, sempre que registrado, devido ao horário da observação, a incidência de embriões P e a sua relação com as taxas de gravidez pós-transferência (TE). Em seis ciclos não houve TE e os embriões foram vitrificados.
RESULTADOS: as freqüências de fertilizações anômalas foram de 11% de 3Pn e 6% de 1Pn nos 369 embriões analisados. Em 24 ciclos foram observados 92 embriões P representando 74% dos zigotos 2Pn. Em média foram transferidos 3,2 embriões por paciente. Em 15 Tes, 40 embriões P foram incluídos no grupo de transferência resultando em 53% de gestações químicas e 27% clínicas. Em 35 ciclos, nos quais embriões P não foram detectados e/ ou selecionados para TE, as taxas de gestações químicas e clínicas foram de 40% e 29%, respectivamente, não havendo diferenças estatisticamente significantes entre os dois grupos.
CONCLUSÕES: nossos dados demonstram que parece existir uma freqüência mais elevada de fertilizações anômalas nos ciclos de IVM, em comparação aos ciclos clássicos. A ocorrência de embriões P gerados após IVM é semelhante ou até superior àquela dos ciclos estimulados. Importante ressaltar que nossos dados sugerem que a observação da clivagem precoce não é fundamental para o sucesso das taxas de gestações químicas e clínicas pós-IVM. Esta constatação contraria o conceito de que a observação de embriões P para sua inclusão no grupo de TE em ciclos clássicos aumenta significativamente as taxas de implantação e gestações.

 

 

 

P10 - Análise de valor de referência de morfologia espermática em pacientes com parâmetros normais e anormais de concentração e motilidade espermática, com base nos novos valores da organização mundial de saúde (OMS,2010)

Erika Caldas1,2; Bárbara Repolho1; Sabrina MR Jacinto-Costa1; Tatiana CS Bonetti1,3; George H. Caldas1

1CEMISE-VIDA – Centro de Reprodução Humana, Aracaju – SE, Brasil; 2Universidade Federal de Sergipe/ RENORBIO UFS, Aracaju – SE, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Departamento de Ginecologia, São Paulo – SP, Brasil

OBJETIVO: As análises seminais fornecem informações quantitativas sobre a função secretora da próstata, vesículas seminais, epidídimo, fornecendo informações valiosas para manejo clínico. A morfologia espermática é resultado do processo altamente complexo que ocorre durante a espermatogênese que pode ser associada a disfunções masculinas e vem sendo relatada como um dos mais relevantes parâmetros seminais de interesse clínico. A utilização de morfologia espermática como ferramenta para diagnóstico in vivo e in vitro, ganhou reconhecimento crescente como um importante preditor de fertilidade masculina. Muitas críticas vêm sendo realizadas aos novos parâmetros de normalidade morfológica, designados pelo manual da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2010). O objetivo deste trabalho foi analisar o valor de referência de morfologia espermática em pacientes com parâmetros de concentração e motilidade normais, com base nos valores da (OMS,2010).
MATERIAL E MÉTODOS: Foram incluídos 1990 espermogramas de pacientes com idade média de 33,96 anos, entre 2009 a 2012 em clínica privada em Aracaju-SE. São realizadas rotinas de controle interno e externo de qualidade para todos os itens das análises. Resultados: Dentre os pacientes estudados 1318 pacientes apresentaram parâmetros normais com relação à concentração e motilidade e valor médio de morfologia (5,87 ± 0,10), 212 pacientes apresentavam astenozoospermia e valor médio de morfologia (3,87 ± 0,23), 245 pacientes apresentavam ligozoospermia e valor médio de morfologia (2,77 ± 0,20), 215 pacientes apresentavam oligoastenozoospermia e valor médio de morfologia (1,40± 0,14). O valor médio de morfologia dentre todos os pacientes foi (4,79± 0,87) o que corrobora com os valores estipulados pelo manual (OMS, 2010). Dentre os pacientes com concentração e motilidade normais, para morfologia havia 95.6% de pacientes teratozoospérmicos segundo OMS 1999 e apenas 33.1% pela OMS 2010.
CONCLUSÕES: Em nossas características populacionais, a maioria dos pacientes estava acima dos valores de referência (OMS, 2010) em termos de concentração e motilidade, dentre eles 33.1% tiveram morfologia alterada. Quando utilizada a OMS 1999, quase a totalidade dos pacientes (95,6%) apresentaria morfologia alterada. Sendo assim, a morfologia espermática segundo os valores de normalidade estabeleidos pela OMS 2010, pode ser ferramenta preditiva de fertilidade masculina e indicação direta para as técnicas de fertilização in vitro.

PALAVRAS-CHAVE: Morfologia espermática; Sêmen; Infertilidade Masculina, OMS.

 

 

 

P11 - Uso de Agonista do GnRH para prevenção da síndrome do hiperestímulo ovariano

João Pedro Junqueira Caetano, Ana Márcia de Miranda Cota, Maria Clara Magalhães dos Santos Amaral, Ricardo Melo Marinho

Pró-Criar Centro de Medicina Reprodutiva

INTRODUÇÃO: A síndrome de hiperestímulo ovariano (SHO) é condição grave, de alta morbidade. Trata-se de complicação totalmente iatrogênica da hiperestimulação ovariana. Pacientes portadoras de síndrome dos ovários policísticos ou que apresentem resposta exacerbada ao estímulo com gonadotrofinas são propensas ao desenvolvimento da SHO. O uso do agonista de GnRH para desencadear o pico de LH para maturação final oocitária tem se mostrado como ótima estratégia para prevenção da SHO. Objetivo: avaliar os ciclos de fertilização in vitro (FIV) onde foi utilizado o agonista do GnRH para desencadear a maturação oocitária para prevenção da SHO.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram avaliados retrospectivamente os casos onde foi utilizado o agonista do GnRH para desencadear a maturação oocitária em ciclos de FIV para prevenção da SHO. As pacientes foram submetidas à hiperestimulação ovariana com protocolo antagonista (ganirelix), gonadotrofina menopáusica humana (hMG) e devido a um risco aumentado de desenvolver a SHO foi utilizado o agonista do GnRH (acetato de leuprolide). Todos os embriões que alcançaram o estágio de blastocisto no dia 5 e 6 do desenvolvimento foram congelados. não houve transferência de embriões a fresco.
RESULTADOS: Foram avaliados 24 ciclos (24 pacientes) de FIV. A idade média das pacientes foi de 32,4 anos. 62,5% das pacientes tinham infertilidade primária e um tempo médio de infertilidade de 3,1 anos. A média do FSH basal (3º dia) das pacientes foi de 5,83mUI/ mL e o número de folículos antrais de 23,5. na estimulação ovariana, o tempo médio de estímulo foi de 11 dias e foram gastos uma média de 1840,6UI de gonadotrofinas. O número médio de folículos maior ou igual a 17mm foi de 12,4 e de folículos menor que 17mm foi de 16,8. A média do estradiol no dia da administração do agonista do GnRH foi de 6700,44pg/mL. O número médio total de oócitos obtidos foi de 24,7, sendo que destes, 62,5% (15,4) estavam maduros. A taxa de fertilização foi de 77%. A média de blastocistos vitrificados foi de 5,4. Não houve nenhum caso de hiperestímulo ovariano.
CONCLUSÃO: A utilização do agonista do GnRH para desencadear a maturação oocitária se mostrou eficaz na prevenção SHO.

 

 

 

P12 - Efeito do ácido linoléico conjugado no acúmulo de lipídeos em mórulas bovinas cultivadas com soro fetal bovino

Laila Succar Teixeira do Rosário Rahme, Raquel de Lima Leite Soares Alvarenga, Bárbara Fernandes Cordeiro, Alan Maia Borges

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Fertitech Tecnologia em Reprodução Assistida

OBJETIVO: Embriões bovinos produzidos in vitro possuem qualidade inferior se comparados com embriões produzidos in vivo. Este fato é devido às condições de cultura e, principalmente, à adição de soro fetal bovino (SFB). O SFB é de extrema importância para o desenvolvimento embrionário por apresentar fatores de crescimento, nutrientes, antioxidantes, proteínas, entre outros. no entanto, a presença do SFB pode acarretar aumento no acúmulo lipídico no citoplasma dos embriões cultivados in vitro, diminuindo assim, a qualidade embrionária. A adição do ácido linoleico conjugado trans 10, cis 12 no meio de cultivo pode diminuir a concentração de gotas lipídicas e aumentar a qualidade embrionária, sem interferir negativamente no desenvolvimento embrionário. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do ácido linoleico conjugado (CLA) no acúmulo de lipídeos em mórulas bovinas cultivas na presença de soro fetal bovino.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizados 936 oócitos divididos em dois grupos de cultivo distintos: grupo contendo soro fetal bovino (controle) e grupo contendo SFB e CLA. Os embriões foram cultivados até o estádio de mórula (quinto dia – D5) e então, fixados em solução de 2% glutaraldeído e 2% formaldeído por 30 dias para posterior quantificação do conteúdo lipídico, por meio do corante nile Red. Os resultados foram examinados para normalidade e independência dos erros, pelo teste de Shapiro-Wilk. Diferenças entre as médias foram avaliadas pelo teste de Wilcoxon, com nível de significância de 5% (SAS version 9.1.3, Institute Inc., Cary, nC, USA).
RESULTADOS: A intensidade média de fluorescência, em unidades arbitrárias, das mórulas (D5) foi superior no grupo controle (188,05 UA) em relação às mórulas cultivadas na presença de SFB mais CLA (110,31 UA), figura 1.
CONCLUSÕES: A adição do ácido linoleico conjugado no meio de cultivo reduz significativamente a concentração do conteúdo lipídico de mórulas bovinas, indicando qualidade superior destes embriões se comparados com embriões cultivados no grupo controle. Mais estudos precisam ser realizados para avaliar taxas de sobrevivência após congelamento e taxas de gestação para verificar a real necessidade de se adicionar o CLA nas rotinas laboratoriais, tendo em vista que este é um reagente que eleva o custo do processo.

 

Figure 1
Figura 1: Imagem de embriões bovinos produzidos in vitro e corados com nile Red, no quinto dia de cultivo. (A) Embrião do grupo controle; (B) embrião cultivado com SFB mais CLA.

 

 

 

P13 - Interferência do processo de criopreservação na blastulação de embriões de baixa qualidade

COMAR VA, YOSHIDA IH, PAVÃO DP, MIZRAHI FE E TOGNOTTI E.

Projeto ALFA – Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida. São Paulo – Brasil

OBJETIVO: Comparar a taxa de formação de blastocistos provenientes de embriões descongelados em relação a embriões cultivados a fresco, ambos de baixa qualidade, e determinar se o processo lento de criopreservação tem influência na blastulação embrionária.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo retrospectivo com embriões submetidos ao cultivo prolongado até sexto dia após ICSI/FIV (D6), realizado no período de janeiro a dezembro de 2011, onde foi comparada a taxa de blastulação entre dois grupos de embriões de baixa qualidade submetidos às mesmas condições de cultivo prolongado até D6: Grupo 1 (G1) embriões a fresco (n=1331) e Grupo 2 (G2) embriões congelados por método lento em estágio de clivagem (n= 58). A média de idade das pacientes foi semelhante em ambos os grupos. Os embriões foram avaliados entre 65 e 72 horas (D3) após FIV/ICSI em microscópio invertido com aumento de 400X e selecionados apenas os de baixa qualidade, ou seja, aqueles que apresentaram pelo menos três das seguintes características: 1fragmentação maior que 30%; 250% ou mais de multinucleação; 3presença de vacúolos; 4alterações na zona pelúcida; 5aumento do espaço perivitelino; 6pequena interação entre os blastômeros e 7assimetria dos blastômeros. Para a análise estatística foi utilizado o teste do Qui Quadrado (p&lt; 0,05). RESULTADO: A taxa de blastulação para o G1 e G2 foi de 17,28% (260/1331) e 10,34% (6/58), respectivamente, não havendo diferença significativa entre os grupos avaliados.
CONCLUSÃO: Apesar de não haver diferença estatisticamente significativa entre os grupos analisados, observou-se que entre 10 e 17% dos embriões de baixa qualidade atingiram o estágio de blastocisto nos dois grupos, demonstrando que o processo lento de criopreservação de embriões parece não interferir drasticamente no potencial de blastulação dos mesmos. Portanto, do ponto de vista clínico, o congelamento em D3 ou a cultura prolongada para transferência em blastocisto de embriões de baixa qualidade pode ser uma opção do médico e do casal, visto que o congelamento em D3 não inviabilizou estes embriões. Porém, estudos randomizados com maior número amostral devem ser realizados.

 

 

 

P14 - Sintomatologia de estresse em casais infertéis

Kátia Maria Straube

Feliccità Insituto de Fertilidade de Curitiba

Esta pesquisa trata das relações atuais entre estresse e infertilidade, refletindo a experiência cotidiana da autora em clínicas de Reprodução Humana Assistida, em Curitiba, Paraná, onde trabalha no acompanhamento de casais que se deparam com a infertilidade. O objetivo é demonstrar que casais que se defrontam com a infertilidade apresentam ou não sintomas semelhantes de estresse, o que pode sugerir um quadro característico de estresse na infertilidade. Para tanto apresenta estudo com 61 casais em tratamento reprodutivo, nos anos de 2009 e 2010, em clinicas da cidade de Curitiba-PR, nos anos de 2009 e 2010, na faixa etária compreendida entre 23 e 50 anos, sendo que as mulheres entre 23 e 50 anos e os homens, entre 27 e 47 anos. Utilizou-se da aplicação do Inventário de Sintomas de Estresse de Lipp, instrumento reconhecido, confiável e fidedigno ao contexto brasileiro, para a avaliação proposta. A metodologia aplicada nesta pesquisa foi a exploratório-descritiva uma vez que pretende explicitar um problema, descrever as características de determinada população ou fenômeno e estabelecer correlações entre variáveis, utilizando-se de técnica padronizada de coleta de dados. Os resultados mostraram semelhança de sintomas de estresse no casal infértil, visto que os sintomas assinalados no inventário muitas vezes se repetem, atingindo semelhança maior quando considerados em prazo largo, como os ocorridos no ultimo mês, o que possibilita pensar que à medida que o problema da infertilidade persiste ou, não se resolve, o nível de estresse se eleva, pode se cronificar e acentuar a semelhança de sintomas no casal. Conclui-se que é possível pensar que o quadro de estresse na infertilidade se manifesta por sintomas específicos como tensão muscular, vontade súbita de iniciar novos projetos, mudança de apetite e insônia. Com o passar do tempo, ou seja, com a persistência da infertilidade que não se resolve, tende a se expressar com mais intensidade através de irritabilidade sem causa aparente, sensibilidade emotiva e pensar num só assunto, além de cansaço, sensação de desgaste, insônia e excesso de gases, em menor intensidade, sendo que insônia é o sintoma que apresentou maior tendência a persistir.

PALAVRAS-CHAVE: infertilidade, estresse, reprodução assistida.

 

 

 

P15 - Endometriose pleural evidenciada após estimulação ovariana e coleta de óvulos para preservação da fertilidade

Karla Zacharias1, Marcia Riboldi1, Maria Angélica Peres1, Maurício Cehin 1,2, Eduardo Leme Alves da Motta1, 2, Paulo Serafini1,3.

1Huntington Medicina Reprodutiva, São Paulo, Brasil. 2Universidade Federal de São Paulo UNIFESP, São Paulo, Brasil. 3Universidade de São Paulo USP, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Relatar caso de endometriose pleural diagnosticado após estimulação ovariana e coleta de oócitos para preservação da fertilidade em mulher com presença de endometriose pélvica.
MATERIAIS E MÉTODOS: Paciente com 36 anos de idade procurou centro de reprodução assistida para vitrificação de óvulos. Anamnese e exame físico somado a exames laboratoriais de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal (TVSBP) para pesquisa de endometriose profunda, dosagens de hormônio anti-Mulleriano (HAM) e hormonal foram realizados.
RESULTADOS: A paciente apresentou evidência de endometriose profunda associado à presença de endometrioma no ovário esquerdo além de espessamento tubário. níveis séricos de HAM de 1,3 ng/ml associados a níveis de CA125 de 71 U/mL foram observados. Paciente utilizou anticoncepcional oral durante 3 semanas antes de iniciar a estimulação ovariana (EO). Para tanto, usou-se r-FSH 250 UI/dia num total de 2750 UI + 0,5 mg de Cetrorelix durante 4 dias + r-hCG gerando 13 oócitos que foram vitrificados. A paciente apresentou boa evolução no período pós-aspiração folicular imediata. no dia seguinte, ela apresentou desconforto respiratório com dor torácica unilateral à direita (D). no pronto atendimento, RX de tórax e RnM pulmonar mostrou mínimo derrame pleural sendo prescrito antinflamatórios. Após 1 semana, a paciente negava dispnéia, mas mantinha dor torácica. nesta ocasião RX de tórax revelou derrame pleural em 2/3 do hemitórax D. Foi realizado drenagem do derrame pleural com biópsia sendo diagnosticado endometriose estromal em pleura com sinais de hemorragia antiga compatível com hemotórax catamenial (ectopia de células estromais endometriais com avaliação histoquímica positiva para CD10). O estudo de citologia oncótica apresentou células mesoteliais isoladas e agrupadas além de esparsos linfócitos distribuídos em fundo amorfo. A paciente foi tratada com agonista de GnRH obtendo melhora clínica.
CONCLUSÃO: Trata-se de um caso raro com aproximadamente 100 relatos na literatura porém, este é o primeiro relato após estimulo ovariano. Devido à ausência de sintomas podemos sugerir que focos de endometriose pré existentes foram ativados pelo estímulo hormonal utilizado. O diagnóstico diferencial requer exames subsidiários e até a biópsia pleural.

 

 

 

P16 - Comparação entre as técnicas de congelamento lento e vitrificação de tecido testicular de bovino, como modelo experimental para tecido humano

Adriana Monteiro Damasceno, Laila Succar Teixeira do Rosário Rahme, Raquel de Lima Leite Soares Alvarenga Cegonha

Medicina Reprodutiva e Instituto de Saúde da Mulher

OBJETIVO: na Reprodução Assistida, o congelamento de espermatozoides é indicado para pacientes que irão se submeter a procedimentos que possam comprometer sua produção espermática. Para adultos os bancos de sêmen é uma opção, mas para crianças que ainda não atingiram a puberdade, a única alternativa seria a criopreservação do tecido testicular. no momento, ainda não há um consenso quanto a melhor forma de criopreservar este tecido. A vitrificação tem se mostrado muito eficiente para a preservação de embriões, óvulos e tecido ovariano. O objetivo deste trabalho foi comparar a sobrevivência de espermatozoides móveis e células testiculares em fragmentos de testículo bovino a fresco e congelados pelo método lento ou pela vitrificação.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizados seis testículos oriundos de diferentes animais. Fragmentos de parênquima testicular foram macerados e analisados a fresco, para visualização de espermatozoides móveis e foram corados com azul de trypan para avaliação da vitalidade celular do pool de células do epitélio germinativo. Fragmentos de tecido testicular (3mm3) foram vitrificados ou congelados usando-se freezer biológico programável. Após aquecimento ou descongelamento foi avaliada a vitalidade das células e motilidade das espermátides alongadas/espermatozoides.
RESULTADOS: A motilidade espermática observada inicialmente foi somente preservada após descongelamento na técnica do congelamento lento. não observamos a motilidade espermática após vitrificação em nenhum dos grupos estudados. A avaliação da vitalidade do pool de células espermáticas com o uso do Teste de exclusão vital com o Azul de Trypan também resultou em melhores resultados após congelamento lento (média de 33,00%), enquanto que na vitrificação a média atingiu 15,67%.
CONCLUSÕES: neste estudo, o processo de congelamento lento se mostrou superior à vitrificação, tanto na preservação da motilidade original dos espermatozoides do tecido testicular, quanto na recuperação das células testiculares criopreservadas.

 

 

 

P17 - A vitrificação de oócitos bovinos prejudica sua capacidade reprodutiva, independente do estado de maturação

Bulgarelli, D.L, Vireque, A.A, Pitangui C.P, Bernuci, M.P., Silva-de-Sá, M.F., Sá Rosa-e-Silva, A.C.

Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo

A criopreservacao de oócitos e tecido ovariano são estratégias para preservação da fertilidade de pacientes oncológicas em idade reprodutiva. Porem, até o momento não há consenso na literatura sobre o melhor estadio de maturação meiótica (imaturo -VG (vesícula germinativa) ou maduroMII (metáfase II)) onde o oócito mantenha sua competência para o desenvolvimento reprodutivo após a criopreservação.
OBJETIVO: Determinar em qual estadio meiótico o oócito é menos susceptível ao dano pela criopreservação, utilizando modelo experimental bovino.
MATERIAL E METODOS: Oócitos imaturos (n =426) foram selecionados para maturação in vitro (MIV) (TCM-199,10%SFB) ou vitrificação (Cryotop methodCryotech Lab) e assim foram divididos em três grupos;1˚Controle: oócitos imaturos submetidos à MIV (n =293);2˚-CRIO-MIV: oócitos imaturos submetidos à vitrificação e depois à MIV (n=71); 3˚-MIV-CRIO: oócitos maturados in vitro e vitrificados (n=62). Antes e após MIV e vitrificação, os oócitos foram avaliados quanto a maturação nuclear (técnica de orceína acética), integridade da zona pelúcida (ZP) (microscopia de polarização), viabilidade oocitária (técnica do DEAD-LIVE) e desenvolvimento embrionário (fertilização in vitro FIV e ativação partenogenética -AT).
RESULTADOS: não houve diferença na capacidade de maturação nuclear entre os oócitos frescos e criopreservados no grupo CRIO-MIV (p=0,23). A avaliação da integridade da ZP apresentou nos três grupos leitura positiva (100%), não havendo correlação com evolução embrionária posterior. A viabilidade oocitaria apresentou-se reduzida no grupo MIV-CRIO (27%;p&lt;0.0001). Os grupos CRIO-MIV e MIV-CRIO apresentaram baixas taxas de clivagem após FIV (28%, p&lt;0,0001; 26%, p&lt;0,0001,respectivamente) e AT (28%, p=0,0002; 22%, p&lt;0,0001,respectivamente). Nos grupos CRIO-MIV e MIV-CRIO não houve formação e eclosão de blastocisto.
CONCLUSÃO: no modelo experimental utilizado, o procedimento de vitrificação comprometeu parcialmente a viabilidade dos oócitos e completamente o desenvolvimento embrionário, independente do estadio de maturação meiótica durante a criopreservação. no entanto, oócitos vitrificados imaturos e submetidos à MIV foram meioticamente competentes e progrediram até o estadio de MII, sugerindo que o dano não compromete a capacidade de maturação nuclear oocitária. Este estudo não conseguiu determinar qual o melhor estadio meiótico oocitário para criopreservação, já que os dois estadios meióticos (VG e MII) se mostraram igualmente prejudicados pela criopreservação em relação à capacidade reprodutiva. SUPORTE:FAPESP (2009/04102-7 e 2010/09368-2010).

 

 

 

P18 - Efeito do extrato aquoso de camomila (Chamomilla recutita L.) na prenhez de ratas e no desenvolvimento de filhotes

JALSI TACON ARRUDA; TATIANA MOREIRA SILVA; MÔNICA CANÊDO SILVA MAIA; MÁRIO SILVA APPROBATO

Universidade Federal de Goiás, Hospital das Clínicas, Laboratório de Reprodução Humana

As plantas medicinais possuem substâncias ativas e, muitas vezes, o efeito tóxico sobre o organismo é desconhecido ou ignorado pelos usuários. A camomila é muito utilizada pela população, porém, contra-indicada para gestantes por possuir indícios de atividade emenagoga e relaxante da musculatura lisa. Por esses motivos, o objetivo do presente estudo foi avaliar os efeitos do extrato aquoso de camomila na gestação e nos filhotes gerados. Foram utilizadas 9 ratas da linhagem Wistar, divididas em 3 grupos, D1 e D2 que receberam infusão de camomila a 5% e 10% respectivamente e controle que recebeu soro fisiológico. Os tratamentos foram administrados por via oral, do 1o ao 7o dia após o cruzamento. Os parâmetros estudados foram prevalência de abortos, ganho de peso materno durante a prenhez, mortes fetal e materna, malformações fetais grosseiras, número de recém nascidos, peso dos filhotes e análise de reflexos neurológicos dos filhotes (postural, preensão e orientação) no 1o, 3o, 5o e 10o dia de vida. Houve gestação em 70% do grupo controle, 40% do D1 e 80% do D2. não houve diferença no ganho de peso materno no 7o e 21o dias, porém os grupos tratados obtiveram um ganho de peso menor em relação ao controle no 14o dia de gestação (p=0,04). As diferenças entre o número de recém nascidos não foram significantes. no peso dos recém nascidos, os animais tratados apresentaram um menor ganho de peso aos dias 1, 3, 5 e 10 após o nascimento (p=0,005; p=0,001; p&lt;0,001; p&lt;0,001; respectivamente). Nos reflexos neurológicos, ocorreram diferenças do reflexo postural no 1o dia, ocorrendo uma aceleração (p=0,005), já no de preensão (p=0,006), e no de orientação (p=0,01) houve um retardo no desaparecimento não ocorrendo alteração nos demais dias ou outros parâmetros avaliados. A camomila pode influenciar no ganho de peso materno durante a gestação e no dos filhotes após o nascimento e pode provocar alterações nos reflexos neurológicos. não se observou alteração nos demais parâmetros estudados. Daí a importância do conhecimento sobre o consumo de plantas para fins terapêuticos para uso seguro, eficaz e consciente.

PALAVRAS-CHAVE: plantas na gravidez, camomila, teratogênese

 

 

 

P19 - Avaliação dos efeitos da buchinha (Luffa operculata (L.) Cogn. Cucurbitaceae) na gestação de ratas wistar e nos filhotes gerados

JALSI TACOn ARRUDA; MÔnICA CAnÊDO SILVA MAIA; TATIAnA MOREIRA SILVA; MÁRIO SILVA APPROBATO

Universidade Federal de Goiás, Hospital das Clínicas, Laboratório de Reprodução Humana

O objetivo foi avaliar os efeitos da Luffa operculata na gestação de ratas e nos filhotes gerados. Foram utilizadas 30 ratas Wistar, divididas em três grupos: tratado D1, tratado D2 e controle que receberam a decocção da buchinha por via oral, uma vez ao dia, durante 7 dias após o cruzamento. As doses foram de 150 mg (D1) e 300 mg (D2) de buchinha por Kg de peso corporal. Os parâmetros avaliados foram o ganho de peso durante a prenhez, a prevalência de abortos, morte fetal e materna, malformações fetais grosseiras, número e peso dos recém nascidos e análise de reflexos neurológicos postural, preensão e orientação no 1o, 3o, 5o e 10o dia de vida. Houve diferença estatisticamente significativa quanto ao número de ratas que engravidaram, no ganho de peso materno no 14o dia de prenhez, peso dos recém nascidos em todos os dias observados e no reflexo de orientação no 10o dia de vida. A Luffa operculata pode influenciar na fertilidade das ratas, no ganho de peso durante a gestação e no peso dos filhotes.

PALAVRAS-CHAVE: Luffa operculata, fitoterápicos e gravidez.

 

 

 

P20 - Comparação dos efeitos de atmosfera 21% e 5% de oxigênio na qualidade embrionária e taxas de gestação

Jhenifer Kliemchen Rodrigues (MSc), Ana Luisa Menezes Silva, Julliane Joviano, Rívia Mara Lamaita (MD, MSc, PhD), Ricardo Mello Marinho (MD, MSc, PhD), João Pedro Junqueira Caetano (MD, MSc, PhD)

Pró-Criar Centro de Medicina Reprodutiva

OBJETIVO: Avaliar o efeito da tensão de oxigênio (O2) sobre os resultados de procedimentos de fertilização in vitro (FIV).
MATERIAL E MÉTODOS: Foram analisados retrospectivamente 55 ciclos de FIV (55 pacientes), com idade inferior a 38 anos, fator tubário como causa de infertilidade, submetidas a protocolos de estimulação ovariana longo, antagonista ou micro-flare. Os embriões foram cultivados em 21% (n = 27) ou 5% de O2 (n = 28). As taxas de fertilização, clivagem, formação de embriões de boa qualidade no dia 2 e 3 de desenvolvimento, formação de blastocisto no dia 5, e taxas de gestação bioquímica e clínica foram comparados entre os grupos. Foram aplicados os testes T Student e Mann-Whitney, através do programa SigmaPlot 12.0, sendo considerado diferença significativa quando P ≤ 0.05.
RESULTADOS: Não houve diferença significativa no perfil das pacientes (idade, média de 35 anos e peso) ou nos resultados da FIV. As taxas de fertilização e clivagem foram semelhantes entre os grupos (85% vs 80%), bem como, a qualidade embrionária no dia 2 (78% vs 78%), dia 3 (46% vs 59%) e a taxa de formação de blastocisto no dia 5 (53% vs 53%) (P > 0,05). Também não foi encontrada diferença significativa nas taxas de gestação bioquímica (7% vs 8%) e clínica (52% vs 50%) (P > 0,05).
CONCLUSÕES: A tensão de O2 ser 21% ou 5%, não teve influência sobre as taxas de fertilização, clivagem, qualidade embrionária durante o cultivo, e taxas de gestação bioquímica e clínica nos casos analisados. Dessa forma, o presente estudo sugere que tanto uma atmosfera de O2 de 21% quanto de 5% são adequadas para cultivar embriões durante o tratamento de fertilização in vitro, sem influenciar nos seus resultados.

PALAVRAS-CHAVE: Tensão de oxigênio; Qualidade embrionária; Taxas de gestação

 

 

 

P21 - Gestação após transferência de blastocisto vitrificado no dia 7 de desenvolvimento: relato de caso

João Pedro Junqueira Caetano (MD, MSc, PhD); Rívia Mara Lamaita (MD, MSc, PhD); Ana Luisa Menezes Silva; Jhenifer Kliemchen Rodrigues (MSc); Ana Márcia de Miranda Cota (MD, MSc); Ricardo Mello Marinho (MD, MSc, PhD)

Pró-Criar Centro de Medicina Reprodutiva, Rua Bernardo Guimarães, 2063, Lourdes Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Paciente LHGG, 33 anos, foi encaminhada ao nosso serviço por infertilidade sem causa aparente. Casada há sete anos e histórico de duas gravidezes espontâneas seguidas de abortos. Relata ciclos irregulares desde a menarca. Cariótipo normal e histerossalpingografia sem alterações. O cônjuge apresentou espermograma normal. Em quatro tratamentos anteriores de FIV, em diferentes serviços, foi utilizado o protocolo longo em um (indução cancelada) e protocolo antagonista em três, quando foram obtidos em média 13 oócitos. Apresentou síndrome de hiperestímulo ovariano (SHO) em todos eles. Em 2 ciclos os embriões foram congelados e transferidos em ciclo posterior, no primeiro ciclo 2 blastocistos e no segundo, 2 embriões dia 3.

No ciclo não cancelado, foram transferidos 4 embriões dia 3. não ocorreu gestação em nenhum deles. na quinta tentativa, realizada em nosso serviço, utilizou-se o protocolo antagonista, com análogo do GnRH para desencadear a maturação oocitária e a prevenção da SHO. Foram obtidos 23 oócitos maduros e 11 embriões no dia 3. Somente 3 atingiram o estágio de blastocisto e apenas no sétimo dia de cultivo, quando foram vitrificados. No ciclo de descongelamento, o preparo endometrial foi realizado com estradiol oral e progesterona e os três embriões foram transferidos. O beta hCG foi positivo e um saco gestacional bem implantado foi visualizado no primeiro ultra-som. O nascimento ocorreu por parto cesariana, com 39 semanas. O recém nascido pesou 3,655 quilos e mediu 50 centímetros. O prolongamento do cultivo até o sétimo dia não é comum. neste período o embrião dá início ao hatching e inicia a produção de fatores de crescimento fundamentais para sua interação com o endométrio. Portanto, o ideal é a realização da transferência no dia 5, como é geralmente feito, já estando o embrião no útero no dia 7. no caso relatado, o resultado do procedimento foi satisfatório, mostrando que em ocasiões onde não houver formação de blastocisto no quinto ou sexto dia de cultivo, a tentativa de se prolongar o desenvolvimento embrionário in vitro até o dia 7, e mesmo com a transferência em ciclo posterior, pode ser considerada, na tentativa de se obter gestação.

PALAVRAS CHAVE: Vitrificação; Blastocisto; Taxas de gestação

 

 

 

P22 - Efeitos da endometriose nos ciclos de reprodução assistida

JALSI TACON ARRUDA; MÔNICA CANÊDO SILVA MAIA; TATIANA MOREIRA SILVA; MÁRIO SILVA APPROBATO

Universidade Federal de Goiás, Hospital das Clínicas, Laboratório de Reprodução Humana

Técnicas de reprodução assistida podem diminuir os efeitos negativos da endometriose. Essa doença quando comparada ao fator tubário, afeta a qualidade dos oócitos e diminui a taxa de fertilização. Os mecanismos envolvidos na etiopatogênese da infertilidade, em pacientes com endometriose, principalmente nos casos de doença mínima e leve em que não se observa alteração do trato reprodutivo, ainda não foram bem elucidados. O objetivo do presente estudo foi avaliar os efeitos da endometriose nos resultados obtidos em ciclos de reprodução assistida. Pacientes submetidas à fertilização in vitro/injeção intracitoplasmática de espermatozóides (FIV/ICSI) foram divididas em dois grupos: A) portadoras do fator endometriose e B) fator tubário. Comparou-se os grupos quanto ao número de coletas realizadas no período de 2009 a 2011, número de oócitos captados, número de embriões formados, taxa de fertilização e taxa de gravidez. O grupo A com média 34,52 anos ± 4,3 (variação de 23 a 40) e o grupo B com 33 anos ± 4,8 (variação de 25 a 41). Foram realizadas 23 coletas no grupo A resultando 83 oócitos; e no grupo B 33 coletas e 187 oócitos (p=0,01). A média de embriões transferidos por paciente do grupo A foi de 1,92 ± 0,86 e no grupo B foi de 2,96 ± 2,54. no grupo A houve uma taxa significativamente menor na formação de embriões em relação ao grupo B (p&lt;0,001). O mesmo foi observado no número de embriões transferidos nos grupos A e B (p=0,04). A taxa de fertilização também foi menor no grupo A (30,12%) do que no grupo B (43,31%). não houve diferença na taxa de gravidez entre os grupos. Resultados conflitantes de alguns estudos têm sugerido a ocorrência de menores taxas de fertilização, implantação e de gestação em portadoras de endometriose, decorrente do comprometimento da qualidade oocitária e, consequentemente, embrionária e/ou defeitos endometriais ou da interação entre o endométrio e o embrião. A endometriose tem um efeito negativo sobre os resultados do programa de reprodução assistida e estes efeitos são variáveis de acordo com o estágio da doença. Estudos mostraram um aumento no número de ciclos cancelados devido à resposta hormonal insuficiente, além das taxas reduzidas de implantação.

PALAVRAS-CHAVE: endometriose,fator tubário, infertilidade.

 

 

 

P23 - Vitrificação e transplante heterotópico de tecido ovariano murino

RAIMANN BW1, FRAJBLAT M2, SALVADOR RA1; AMARAL VLL1.

1UNIVALIUniversidade do Vale do Itajaí-SC; 2UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro

OBJETIVO: O objetivo deste trabalho foi testar a eficiência de um protocolo de vitrificação de tecido ovariano murino submetido a transplante heterotópico. MATERIAL E MÉTODOS: Para a execução do trabalho foram utilizadas 10 fêmeas BALB/c. Foi realizada ooforectomia unilateral e uma metade de cada ovário coletado foi vitrificada utilizando-se solução de equilíbrio (VS1) composta por 7,5% etilenoglicol (EG), 7,5% de dimetilsulfóxido (DMSO) e 20% de soro bovino fetal (SBF) em meio HTF-HEPES por 25 minutos, depois transferida para solução de vitrificação (VS2) composta por 20% EG, 20% DMSO, 20% SBF e 0,5 M de sacarose em HTF-HEPES por 15 minutos. O fragmento de tecido foi então colocado sobre uma gaze estéril e imediatamente colocado em um crio tubo contendo nitrogênio líquido, sendo posteriormente fechado e armazenado a -196°C em um botijão criogênico. Após armazenagem por três dias, o tecido foi removido do crio tubo e colocado em meios HTF-HEPES à 37°C suplementado com 1M de sacarose por 1 minuto. Após ser destacado da gaze, o tecido foi transferido para meio HTF-HEPES à temperatura ambiente suplementado com 0,5M de sacarose por 5 minutos e logo após, colocado em solução HTF-HEPES por 10 min. Os nove fragmentos recuperados foram transplantados para o tecido subcutâneo da região occipital inter-auricular da mesma fêmea. Após 21 dias do transplante, foi feita análise histológica de biópsia excisional de sete fragmentos. A avaliação da viabilidade tecidual e folicular foi realizada por microscopia de luz (400x) por meio da identificação da presença e desenvolvimento de folículos pré-antrais e antrais, assim como danos celulares.
RESULTADOS: Três dos sete fragmentos recuperados apresentaram-se viáveis, o que resulta em 46% de eficiência do protocolo.
CONCLUSÃO: Estes resultados indicam que a vitrificação de tecido ovariano é um método viável, com potencial de aprimoramento e alcance de melhores taxas de eficácia.

 

 

 

P24 - PGD para β-Talassemia e tipagem de HLA: primeiro nascido vivo livre da doença para transplante de célula tronco de cordão umbilical

Amanda Souza Setti1,2 B.Sc., Sylvia Sanches Cortezzi2, Ph.D., Rita de Cássia Sávio Figueira1, M.Sc., Ciro Dresch Martinhago3, M.D., Ph.D., Assumpto Iaconelli Jr.1,2 M.D., Edson Borges Jr1,2 M.D., Ph.D.

1Fertility Centro de Fertilização Assistida, São Paulo SP; 2Associação Instituto Sapientiae Centro de Estudo e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo SP; 3RDO Diagnósticos Médicos, São Paulo – SP

OBJETIVO: Relatar o primeiro caso brasileiro de diagnóstico pré-implantacional para β-talassemia com tipagem de HLA (human leukocyte antigen) resultando no nascimento de uma criança com possibilidade de salvar sua irmã portadora de talassemia major.
MATERIAIS E MÉTODOS: Uma paciente de 34 anos, heterozigota para a mutação IVSI-1G-A para β-talassemia e seu marido, 34 anos, heterozigoto para a mutação Cd39 C-T para o gene da β-globina, com uma filha de cinco anos de idade, homozigota recessiva (portadora das duas mutações, materna e paterna) que requeria transfuSÕEs sanguíneas regularmente. Foi extraído o DnA genômico dos pais e da filha a fim de sequenciar a mutação para a β-talassemia e realizar a genotipagem do HLA. Para identificação dos marcadores moleculares mais informativos foram testados 29 microssatélites em reações individuais de PCR. Destes, foram 2 marcadores para a β-talassemia e 7 marcadores para o complexo HLA. O casal realizou procedimento de ICSI e PGD por PCR nos blastômeros biopsiados utilizando os 9 marcadores previamente identificados e validados. A transferência embrionária foi realizada no estágio de blastocisto, após a confirmação do resultado do PGD.
RESULTADOS: A genotipagem de blastômeros para a mutação foi realizada em 10 embriões. Destes, 5 foram heterozigotos, 3 homozigotos recessivos e 2 embriões homozigotos dominantes. no teste para HLA, apenas 3 embriões foram compatíveis ao da irmã, sendo um embrião homozigoto recessivo, um embrião heterozigoto e um embrião homozigoto dominante. Dois embriões compatíveis para HLA e não afetados (homozigoto dominante e heterozigoto) foram transferidos, resultando em gestação clínica e nascimento de um bebê saudável, homozigoto dominante, portanto, livre da β-talassemia, em fevereiro de 2012. As células tronco do cordão umbilical do bebê foram congeladas e serão utilizadas para transplante na sua irmã em um futuro próximo.
CONCLUSÕES: na ausência de um doador compatível, o PGD associado à tipagem do HLA possibilita a identificação de embriões compatíveis, visando à doação de sangue do cordão umbilical ao nascimento. Sua aplicação clínica representa uma abordagem alternativa pra o tratamento de crianças com hemoglobinopatias tratáveis a partir transplantes de células-tronco hematopoiéticas, incluindo a β-talassemia e a leucemia.

 

 

 

P25 - Perfil sócio demográfico de doadoras de óvulos na realidade brasileira

Rose Marie Massaro Melamed1, Daniela Paes de Almeida Ferreira Braga1,2 M.Sc., Amanda Souza Setti1,2 B.Sc., Rita de Cássia Sávio Figueira1, M.Sc., Assumpto Iaconelli Júnior,1,2, M.D., Edson Borges Júnior1,2, M.D., PhD.

1Fertility Centro de Fertilização Assistida, São Paulo – SP; 2Associação Instituto Sapientiae Centro de Estudo e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo – SP

OBJETIVO: Determinar o perfil sócio-demográfico de mulheres submetidas a ciclos de Reprodução Assistida que se propuseram a doar seus óvulos excedentes para outro casal.
MATERIAIS E MÉTODOS: O estudo avaliou 229 termos de consentimento informado de pacientes atendidas em um centro de reprodução assistida privado. As análises foram efetuadas no início do tratamento, anteriormente ao estímulo ovariano controlado. As pacientes foram dividas em grupos de acordo com a idade, escolaridade e religião e os grupos foram comparados em relação à intenção de doar ou descartar os gametas excedentes.
RESULTADOS: Das 229 pacientes, 79 (34.5%) doariam seus óvulos excedentes para outro casal. Em relação à idade, foi observada uma diferença significativa entre os grupos quanto à intenção de doar os gametas excedentes (<35 anos: 42,1%; entre 35 e 39 anos: 20,7% e >39 anos:33,3, p=0.020). Quanto ao nível de escolaridade, não houve diferença entre as pacientes que doariam ou não seus gametas excedentes (pacientes com ensino superior: 31.6% vs pacientes com ensino médio: 41,9%, p=0.256). Em relação à religião, a maioria das pacientes era católica (59.8%) das quais 37.2% seriam doadoras. Das protestantes, mórmons e judias, nenhuma doaria seus óvulos excedentes, p&lt;0.001.
CONCLUSÕES: A clínica de reprodução assistida sustenta em seus procedimentos científicos e tecnológicos de alta complexidade, recurso às pessoas que não mais possuem seus próprios gametas a contar com a ovodoação. A realidade brasileira tem nos mostrado que o tempo de espera para obtenção de óvulos doados tem aumentado significativamente em função da escassez de doadoras. A partir dos dados apresentados notamos que pacientes mais jovens são mais propensas a doarem seus óvulos excedentes assim como o fato de pertencer à religião católica. Ainda assim, nós enquanto profissionais da área de reprodução assistida devemos buscar recursos para manter a ovodoação como tratamento viável para pacientes que dela necessitem.

 

 

 

P26 - Eficácia da motilidade espermática pós-capacitação e incubação na predição de gravidez após a inseminação intrauterina em indivíduos normospérmicos

Lígia Fernanda Previato de Araújo1,2, Edilberto Araújo Filho1, Cássio Leão Facio1, Márcia Cristina de Oliveira Bossoni1, Ligiane Alves Machado-Paula1, Anaglória Pontes2

1 Centro de Reprodução Humana de São José do Preto(CRH), São José do Rio Preto, SP, Brasil; 2Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Botucatu, UnESP, Botucatu, SP, Brasil

OBJETIVO: Para saber quais casais beneficiariam-se com a IIU, esse estudo teve como objetivo avaliar se a motilidade espermática pós-capacitação em gradiente descontínuo de diferentes densidades e incubação em CO2 em indivíduos normospérmicos é capaz de predizer gravidez.
MATERIAL E MÉTODOS: 175 casais submeteram-se à IIU. Critérios de inclusão: mulheres com idade ≤ 35 anos; trompas sem alterações; endometriose Grau I e II; ISCA; disfunção ovulatória não hiperandrogênica e homens com parâmetros seminais normais. As pacientes submeteram-se à estimulação ovariana com Citrato de Clomifeno associado à Gonadrotofina menopausal humana ou FSH-r. Quando um ou até três folículos atingiram diâmetro médio desejado, administrou-se hCG ou hCG-r e a IIU realizou-se 36-40h após hCG. Capacitação espermática foi realizada pela técnica Isolate. 20μl da amostra foram incubados por 24h a 37ºC em 5% de CO2, seguida da análise da motilidade A+B. Foram utilizados testes de Mann-Whitney; χ2 para resultado expresso em percentual; curva ROC para determinar valor de corte da motilidade, permitimdo calcular valores de sensibilidade, especificidade, vpp, vpn (IC – 95%). Resultados foram representados em medianas, quartis e percentuais. Valor de significância: 5%.
RESULTADOS: Dos 175 casais, 52 engravidaram e 123 não. Análises quanto idade, duração e etiologia da infertilidade, volume, concentração total de espermatozóides, total de espermatozóides móveis e morfologia não mostraram diferenças estatísticas significantes entre os grupos grávidas e não grávidas, exceto a motilidade espermática (p&lt;0,00001). Na análise comparando motilidade A+B após o preparo e 24h pós-incubação nos dois grupos, observou-se que a motilidade A+B 24h pós-incubação foi maior no grupo grávidas. Análise de motilidade nas grávidas pós-preparo e 24h pós-incubação não mostrou alteração da motilidade com 24h pós-incubação e, nos casais que não engravidaram, ocorreu diminuição significativa da motilidade 24h pós-incubação (p&lt;0,0001). A curva ROC gerou valor de corte de 56,5% para motilidade progressiva A+B pós-incubação de 24h, produzindo alta sensibilidade 96,1% (90,9-1,0%) e especificidade 92,7% (88,1-97,3%), vpp 84,7% (75,5-93,9%) e vpn 98,3% (95,9-1,0%).
CONCLUSÃO: A determinação da motilidade dos espermatozóides de indivíduos normospérmicos após a capacitação e incubação em CO2 a 37oC por 24 horas com valor de corte de 56,5% é capaz de predizer o sucesso da IIU.

 

 

 

P27 - Ciclos de ICSI com todos os oócitos em metáfase I: Qual o potencial de desenvolvimento destes oócitos?

Mancebo A.C.A; Souza M.C.B; Antunes R.A; Areas P.C.F; Souza M.M

FERTIPRAXIS - Clinica de Reprodução Humana - RJ

OBJETIVO: Investigar o potencial de desenvolvimento de oócitos metáfase I aspirados em pacientes subme tidas a estimulação ovariana para ICSI.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudamos retrospectivamente (janeiro/2009 a abril/2012) 17 ciclos de ICSI com apenas oócitos metáfase I aspirados. Pacientes foram submetidas a estimulação com antagonista do GnRH e rFSH associado ou não ao HMG. O antagonista foi iniciado em presença de folículo de 14mm, diariamente até o dia do hCG. A maturação oócitária induzida com rhCG em presença de pelo menos 1 folículo 18mm ou 2 16mm.. Captação realizada 35 horas após. Duas horas após a captação foi realizada remoção das células da granulosa/ corona radiata, dos oócitos constatando-se que todos eram metáfase I. A ICSI foi realizada, de acordo com a maturação dos oócitos, 3 a 8 horas após a captação (Grupo 1) e no dia seguinte,entre 24 e 26 h após a captação (Grupo 2). A transferência de embriões foi realizada no dia 3. Os parâmetros avaliados foram taxa de maturação in vitro, taxa de fertilização, qualidade embrionária, taxas de implantação e gestação.
RESULTADOS: 41 oócitos metáfase I foram obtidos de 17 pacientes com idade média 39,5 anos. Destes, 5 oócitos não chegaram a metáfase II (12%) e não foram injetados. na tabela 1 estão registrados os resultados obtidos. Em 11 pacientes foram obtidos embriões para transferência mas não houve gestação.
CONCLUSÃO: A injeção de oócitos metáfase I que chegam a metáfase II no dia 0 e no dia 1 resultou em taxas semelhantes de fertilização e embriões G1/G2 formados, entretanto, embora única alternativa para pacientes com apenas oócitos metáfase I aspirados, não se mostrou eficiente na obtenção de gestação

 

Table 1
Tabela 1. Comparação de fertilização e qualidade embrionária entre os grupos

 

 

 

P28 - Métodos de pesquisa especial para comprovação de azoospermia: comparação entre o cystopin e a técnica de ultracentrifugação

Monteiro RAC1; Pariz JR1; Pieri PC1,2; Hallak J1,3,4.

1Androscience – Clínica e Laboratório de Referência em Andrologia, Criopreservação e Reprodução Masculina, SP-SP; 2Laboratório de Biologia Molecular e Celular LIM15 Faculdade de Medicina da USP, SP-SP; 3Setor de Andrologia, Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina da USP, SP-SP; 4Unidade de Toxicologia Reprodutiva, Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, SP-SP

PALAVRAS-CHAVE: Sêmen, azoospermia, centrifugação.
OBJETIVO: A comprovação da azoospermia está indicada para adequada orientação reprodutiva do homem infértil. O método de centrifugação de suspensão celular em lâminas (Cytospin) é amplamente utilizado para essa finalidade, embora nem sempre seja fácil a identificação de cabeças isoladas de espermatozóides em meio à grande quantidade de debris celulares. O objetivo do presente estudo foi comparar o método Cytospin com a técnica de Ultracentrifugação desenvolvida em nosso laboratório.
MÉTODO: Foram incluídos sêmen de pacientes em idade reprodutiva, com diagnóstico de azoospermia não-obstrutiva em duas análises seminais de rotina, de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2010). A pesquisa especial para comprovação de azoospermia que foi realizada por um dos dois métodos: 1) Cytospin equipamento especial que aplica a força de rotação diretamente a uma lâmina contendo o material a ser analisado; 2) Ultracentrifugação, método desenvolvido por nosso grupo, que processa duplamente a amostra seminal em microcentrífuga. As lâminas foram então fixadas, coradas com NF-PICS e analisadas em microscópio óptico quanto aos parâmetros: integridade morfológica dos espermatozóides e quantidade de debris celulares presentes na lâmina. Foram excluídas amostras em que houve confirmação da azoospermia.
RESULTADOS: Um total de 22 amostras foram processadas no Cytospin (n=7) ou por ultracentrifugação (n=15). Houve diferença estatística na comparação entre os dois métodos: 1) Quanto à integridade dos espermatozóides, 72% das amostras do Cytospin apresentaram espermatozóides não íntegros (ausência de cauda e/ou peça intermediária), versus 100% de espermatozóides íntegros no método de ultracentrifugação (p=0,003); 2) Debris celulares foram observados em 100% das amostras processadas no Cytospin e em apenas 28% das obtidas por ultracentrifugação (p=0,002).
CONCLUSÃO: O método de Ultracentrifugação seminal mostrou-se tão eficaz quanto o Cytospin. No entanto, a Ultracentrifugação, além de simples e de baixo custo, apresenta a vantagem adicional da facilidade na leitura e interpretação, com espermatozóides íntegros e lâminas livres de debris celulares.

 

Table 2

 

 

 

P29 - Caso clínico: A infertilidade masculina como indicador da saúde integral do homem

Pieri PC1,2; Monteiro RAC1; Pariz JR1; Hallak J1,3,4

1Androscience – Clínica e Laboratório de Referência em Andrologia, Criopreservação e Reprodução Masculina, SP-SP; 2Laboratório de Biologia Molecular e Celular LIM15 Faculdade de Medicina da USP, SP-SP; 3Setor de Andrologia, Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina da USP, SP-SP; 4Unidade de Toxicologia Reprodutiva, Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, SP-SP

PALAVRAS-CHAVE: Infertilidade masculina, toxicologia reprodutiva, microdeleção do cromossomo Y, deleção parcial de AZFc. .
OBJETIVO: Apresentação de caso clínico com associação de múltiplas causas concorrendo para a infertillidade masculina e queda da saúde integral do homem.
MÉTODOS: Foi realizada anamnese e exame físico do paciente, e solicitados exames laboratoriais que incluíram análise seminal completa, dosagens hormonais e pesquisa ampla de metabólitos urinários/plasmáticos/fecais, cariótipo com bandas e pesquisa de microdeleções do cromossomo Y.
RESULTADOS: Paciente de 38 anos, casado há 10 anos e história de infertilidade primária há 5 anos. Queixa de cansaço, insônia, dores articulares e musculares, enxaqueca e rinite. Um ciclo de reprodução assistida anterior por ICSI sem investigação inicial que resultou em gestação bioquímica. Ao exame físico foi identificada IMC 30,1, varicocele grau II à esquerda com refluxo bilateral >2seg, Análises seminais 1,2Msptz/mL, 24Msptz/mL, 8Msptz/mL todas com morfologia estrita 0% e A+B+C entre 30-40% (A0%). Cariótipo 46,XY,9ph, microdeleção do Y normal. Metabólitos indicando grave intoxicação por mercúrio, arsênico, xileno e DDE, grave disbiose intestinal, acidose metabólica, déficit nutricional com déficit de produção de energia, estresse oxidativo, imunossupressão, alergia alimentar, grave redução dos níveis de cortisol (salivar e sérico), vitamina D, progesterona e DHEA. Foi realizada varicocelectomia e suplementação com hCG 1.500UI 2x/semana por 6 meses. no pós operatório imediato também foi iniciada ampla reeducação alimentar, detoxificação, correção da flora intestinal, suplementação alimentar, suporte hepático, suplementação de vitamina D e solicitada retirada das obturações de amálgama. Em maio/2011 e ago/2011 houve melhora da concentração seminal (26M/mL e 40M/mL respectivamente) sem melhora da morfologia. Em jan/2012 o paciente havia atingido IMC de 24,5, referiu ausência das enxaquecas, das dores artro-musculares e sem insônia. Mas a análise seminal revelou novamente uma redução na concentração (2M/mL) com melhora para 4M/mL em fev/2012. Diante da oscilação nos valores seminais foi realizada pesquisa de microdeleções parciais no cromossomo Y que revelou deleção das cópias DAZ1/DAZ2/DAZ3 em AZFc.
CONCLUSÃO: A infertilidade masculina é multideterminada e o presente caso ilustra a interação de fatores ambientais (intoxicação por metais pesados e solventes orgânicos) com hábitos e estilo de vida (ingesta hipercalórica e de baixo teor nutricional) e fatores genéticos (midrodeleções parciais de cópias de genes importantes na sub-região AZFc do cromossomo Y). Ilustra também a importância da intervenção multidisciplinar e uma abordagem mais específica e completa na saúde do paciente visando mais que o resgate da fertilidade, a saúde global do homem.

 

 

 

P30 - “A RHA deve ser uma coisa boa” percepções de homens a respeito da FIV

Claudia V. FONTENELE; Ana Cristina d’Andretta TANAKA. Faculdade de Saúde Pública – Universidade de São Paulo/USP

OBJETIVO: descrever as percepções sobre a FIV (fertilização in vitro), de homens casados com mulheres laqueadas que estão à espera de tratamento de reprodução humana em hospital da rede pública do Estado de São Paulo1.
MATERIAL E MÉTODOS: foram colhidas entrevistas abertas com 6 homens que aguardam com suas esposas, tratamento de FIV. Foram utilizadas também anotações das observações de campo.
RESULTADOS: mesmo que a paternidade seja importante na vida social desses homens, as percepções relacionadas à FIV se mostraram diferentes. Os discursos são perpassados por afirmações que levam a crer que a FIV pode possibilitar “o sonho de ser pai”, “a alegria de ter um moleque correndo em casa”, uma vez que contraíram matrimônio com mulheres laqueadas. no entanto, o segundo grupo tem percepções diferentes sobre essa possível gestação. Esses homens afirmam que caso a FIV não tenha sucesso, não há problema, pois o casamento é ainda mais importante que o nascimento de um filho. Esses homens enfatizam que o encontro com a esposa é: “mais importante que ter filho, porque ter filhos deve ser bom, mas eles vão embora e é a mulher da gente que fica” ou “se ela tiver o nosso filho de proveta, ótimo, mas se não tiver, ótimo porque ela é mais importante que eles [os filhos]”.
CONCLUSÕES: A abordagem inicialmente feita permitiu dividir os homens em dois grupos: um que considera que a FIV proporcionará uma gravidez que resultará na alegria de ter o primeiro filho e ser pai. O segundo, a maioria, considera que uma gravidez por meio de FIV será algo de ordem positiva, mas não a mais importante de sua vida. Considera que o casamento ora estabelecido é mais importante que o provável nascimento de um filho. Ambos os grupos consideram importante à busca que empreendem da gravidez, ainda que amparada na tecnologia.

DESCRITORES: FIV. Paternidade. Casamento. Gravidez

1Esse resumo é concernente às primeiras análises do material de pós-doutoramento intitulado: “Mater semper certa est, pater nunqua” – uma análise da paternidade no contexto da reprodução humana assistida, que tem financiamento do CNPq.

 

 

 

P31 - Influência do índice de massa corpórea (IMC) na qualidade seminal

Erika Caldas1,2; Bárbara Repolho1; Sabrina MR Jacinto-Costa1; Tatiana CS Bonetti1,3; George H. Caldas1

1CEMISE-VIDA – Centro de Reprodução Humana, Aracaju – SE, Brasil; 2Universidade Federal de Sergipe/ RENORBIO UFS, Aracaju – SE, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Departamento de Ginecologia, São Paulo – SP, Brasil

OBJETIVO: Sobrepeso e obesidade se tornaram uma grande preocupação de saúde pública mundial, principalmente em sociedades industrializadas. Tem sido sugerido que o IMC elevado, está associado com infertilidade masculina uma vez que são observadas anormalidades nos níveis séricos de hormônios reprodutivos e, em menor escala, anormalidades na análise seminal e integridade do DnA espermático. O objetivo deste trabalho foi verificar a relação entre IMC e qualidade seminal.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram incluídos 3876 espermogramas de pacientes com idade média de 33,83 anos, entre 2001 a 2012 em clínica privada em Aracaju-SE.
RESULTADOS: Dentre os pacientes estudados 2516 preencheram os critérios de inclusão e apresentaram IMC médio de 26,46 (± 0,087). Dentre eles 975 pacientes (38,8%) apresentaram IMC normal (IMC≤25), 12 (0,5%) IMC abaixo da normalidade, 1092 (43,4%) com sobrepeso e 437 (17,4%) com obesidade. na população estudada, não houve uma relação significativa entre os parâmetros seminais analisados de rotina como volume (p=0.112), concentração (p=740) e motilidade progressiva (p=0,28) com sobrepeso e obesidade, porém houve uma correlação fraca negativa entre a obesidade e parâmetros morfológicos (pearson correlation: r=-0.041; p=0.038). ConcluSÕEs: nosso estudo inclui uma casuistica grande de 10 anos de rotina em analise seminal e não foram encontradas relações entre os parâmetros seminais e sobrepeso e obesidade, o que corrobora com estudos de reviSÕEs sistemática com metanálise que não mostram evidências de associação entre IMC elevado e parâmetros seminais. Alguns trabalhos sugerem a relação entre obesidade e alterações no volume, morfologia e fragmentação de DnA, o que pode ser explicado através das alterações hormonais geralmente encontradas na obesidade, já que estes controlam as secreções das glândulas genitais acessórias e maturação espermática. Estudos prospectivos avaliando a qualidade seminal de pacientes obesos associando dosagens hormonais e fragmentação de DNA devem ser realizados a fim de esclarecer tais questionamentos.

PALAVRAS-CHAVE: Obesidade; Sêmen; Infertilidade Masculina.

 

 

 

P32 - Influência do consumo de medicamentos na qualidade seminal

Erika Caldas1,2; Bárbara Repolho1; Sabrina MR Jacinto-Costa1; Tatiana CS Bonetti1,3; George H. Caldas1

1CEMISE-VIDA – Centro de Reprodução Humana, Aracaju – SE, Brasil; 2. Universidade Federal de Sergipe/ RENORBIO UFS, Aracaju – SE, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Departamento de Ginecologia, São Paulo – SP, Brasil

OBJETIVO: Dentre os fatores que afetam a qualidade seminal, a exposição a medicamentos apresenta uma importância particular. É sabido que medicamentos podem ser transportados para o plasma seminal, composto por secreções de várias glândulas genitais acessórias. A solubilidade lipídica e o grau de ionização da droga são fatores importantes neste processo. O objetivo deste trabalho foi analisar a influência do consumo de medicamentos na qualidade seminal.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram incluídos 3289 espermogramas de pacientes com idade média de 33,96 anos, entre 2001 a 2012 em clínica privada em Aracaju-SE. Resultados: Dentre os pacientes estudados 2870 pacientes relataram a não utilização contínua de medicação, enquanto 419 pacientes relataram o uso de drogas como anti-hipertensivos (36,28%), antidepressivos (10,98%), suplementos alimentares (8,11%), finasterida (calvície; 6,2%) e outros (38,42%). Não houve uma relação significante entre a concentração espermática e uso contínuo de medicação, porém quando analisados dados de motilidade progressiva (A+B) foi observado que pacientes que fazem uso contínuo de medicação apresentam menor motilidade espermática (p < 0,001). Confirmando os dados anteriores, observamos maior porcentagem de pacientes astenozoospérmicos entre aqueles que tomam medicação (25,4%), comparado aos que não tomam (21,1%; p=0,055). Quando avaliada a qualidade seminal de acordo com tipo de medicamento, observamos que pacientes que tomam antihipertensivos tem motilidade reduzida (45%) comparado com pacientes que não fazem uso contínuo de medicação (50.4%; p=0.044).
CONCLUSÕES: Anti-hipertensivos foram predominantemente utilizados pelos pacientes do estudo em questão (36.28%) e está relacionado com menor motilidade espermática. A hipertensão arterial representa o sintoma principal da síndrome metabólica, que é conhecida por comprometer a fertilidade masculina causando danos à qualidade seminal, geralmente explicada pela produção excessiva de EROS e defesa antioxidante limitada. Estudos relatam uma baixa qualidade espermática nos indivíduos hipertensos, com uma diferença significativa na motilidade, vitalidade e fragmentação do DnA, o que corrobora com os resultados deste estudo. Entretanto, não se sabe ao certo se a qualidade seminal é prejudicada pela fisiopatologia da hipertensão ou pelos medicamentos utilizados. Estudos prospectivos avaliando a qualidade seminal de pacientes antes de iniciar o tratamento com anti-hipertensivos e após utilização contínua devem ser realizados a fim de esclarecer tais questionamentos.

PALAVRAS-CHAVE: Medicamentos; Sêmen; Infertilidade Masculina.

 

 

 

P33 - Flora microbiana vaginal de acordo com o protocolo de bloqueio hipofisário em pacientes submetidas a ciclos de ICSI

Erika Caldas1,2; Marco Mesquita Salviano1; Monica Almeida1,2; Sabrina MR Jacinto-Costa1; Tatiana CS Bonetti1,3; George H. Caldas1

1CEMISE-VIDA – Centro de Reprodução Humana, Aracaju – SE, Brasil; 2Universidade Federal de Sergipe/ RENORBIO UFS, Aracaju – SE, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Departamento de Ginecologia, São Paulo – SP, Brasil

OBJETIVO: As infecções genitais podem ser causa importante de infertilidade, pois os microorganismos patogênicos podem se infiltrar para a cavidade uterina. As consequências da vaginose nas taxas de implantação de ciclos de fertilização in vitro são pouco claros e pouco estudados. O objetivo deste estudo foi analisar os microbiológicos da microbiota vaginal no dia da punção folicular, e investigar a possível relação com o protocolo de bloqueio hipofisário e as taxas de gravidez.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram incluídos 70 pacientes com idade 35,5 ± 4,5 anos submetidos à estimulação ovariana e ICSI. O protocolo de estimulação consistiu de bloqueio hipofisário com GnRH agonista ou antagonista; FSH recombinante e Hcg recombinante para a maturação de oócitos final. Foi realizada uma coleta com swab vaginal para exame microbiano, pouco antes da punção folicular, e analisado pelo sistema automatizado (Autoscan 4, Siemens). Um a três embriões de alta qualidade foram transferidos e gravidez clínica foi detectada por ultrasonografia.
RESULTADOS: Foi observado crescimento microbiano positivo em 51,4% das amostras vaginais. Entre as culturas positivas, Escherichia coli (57,9%) e Streptococcus sp (21,0%) foram as mais prevalentes. Os dados sobre a idade dos pacientes (36,2 ± 0,7 x 34,9 ± 0,8; p = 0,241), dose administrada FSH (2080 ± 175IU x 1804 ± 115IU; p = 0,195), a taxa de fertilização normal (68,9% x 67,1%, p = 0,842) e número de embriões transferidos (2,3 ± 0,2 x 2,4 ± 0,2, p = 0,574) não variou significativamente entre os pacientes com cultura negativa e positiva. A prevalência de positividade de culturas vaginais também foi semelhante de acordo com bloqueio hipofisário (GnRH antagonista: 54,6%, GnRH agonista: 35,7%, p = 0,206). A taxa de gravidez foi de 30,0% para pacientes com cultura vaginal positiva e 22,2% para aqueles com cultura negativa (p = 0,504).ConcluSÕEs: Apesar da alta prevalência de infecção microbiana vaginal (51,4%), esta não é influenciada pelo protocolo de bloqueio hipofisário. Além disso, os resultados sugerem que a infecção microbiana vaginal não afeta o ambiente uterino, pois as taxas de gestação após ciclos de ICSI foram semelhantes em pacientes com análise de swab positivo e negativo.

PALAVRAS-CHAVE: flora microbiana vaginal, bloqueio hipofisário, ICSI

 

 

 

P34 - Comparação entre procololo curto com agonista do gnrh em dias alternadoseprotocololongodeusodiário em pacientes normorrespondedodoras em ciclos de fertilização in vitro

Carla Iaconelli1, M.D., Rosane Santana Rodrigues1, M.D., M.sc., Adriana de Goes Soligo1, M.Sc., Amanda Souza Setti1,2, B.Sc., Assumpto Iaconelli Jr.1,2, M.D., Edson Borges Jr1,2, M.D., PhD.

1Fertility Centro de Fertilização Assistida, São Paulo SP; 2Associação Instituto Sapientiae Centro de Educação e Pesquisa em Reprodução Humana Assistida, São Paulo – SP

OBJETIVO: Comparar dois protocolos de bloqueio hipofisário com agonista do GnRH (GnRHa) em pacientes normorrespondedoras submetidas a ciclos de injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI).
MATERIAIS E MÉTODOS: O estudo incluiu 92 ciclos de estímulo ovariano controlado (EOC) para ICSI realizados em mulheres com até de 35 anos divididas em dois grupos de acordo com o protocolo de bloqueio hipofisário: protocolo curto com uso do GnRHa em dias alternados (Grupo GnRHa-curto, n=26) e protocolo longo com uso diário do GnRHa (Grupo GnRHa-longo, n=66). Para o Grupo GnRHacurto o bloqueio foi iniciado no 1° dia do ciclo menstrual com administração de acetato de triptorrelina em dias alternados seguido do estímulo com FSH e microdose de hCG. Para o Grupo GnRHa-longo o bloqueio hipofisário foi obtido com acetato de leuprolide seguido do estímulo com FSH. Os dois grupos foram comparados em relação à resposta ovariana, resultados clínicos e custos dos ciclos.
RESULTADOS: Os grupos GnRHa-curto e GnRHa-longo não diferiram em relação à idade materna (31,3 ± 2,7 vs 30,7 ± 2,6, p=0,355), número de folículos aspirados (28,0 ± 19,4 vs 22,6 ± 11,8, p=0,192), óocitos recuperados (16,5 ± 12,5 vs 16,9 ± 9,9, p=0,863), oócitos maduros (14,0 ± 11,2 vs 12,7 ± 8,1, p=0,609) e taxa de embriões de boa qualidade (57,5% vs 60.9%, p=0536), respectivamente. A dose total de FSH foi menor no Grupo GnRHa-curto (1413 ± 245 vs 2230 ± 454UI , p&lt;0.001) e o nível sérico de estradiol mais alto (4462 ± 2473 vs 2480 ± 1503 pg/mL, p=0,006) quando comparados ao Grupo GnRHa-longo. As taxas de implantação e gestação foram mais altas no Grupo GnRHa-longo (31,5 vs 9,1%, p&lt;0.011 e 40.7 vs 9.1%, p < 0.004). Finalmente, o protocolo com GnRHa-curto custou em média R$4000,00 enquanto o protocolo com GnRHa-longo custou R$ 6431,00 (p&lt;0,001).
CONCLUSÕES: Os achados do presente estudo sugerem que apesar de ser mais prático e mais barato, o protocolo curto com GnRHa em dias alternados leva a piores resultados clínicos e deve ser utilizado com cautela em paciente submetidas a ciclos de reprodução assistida.

 

 

 

P35 - Lavagem folicular: Análise das taxas de recuperação oocitária e taxa de gestação

Franciele Farias da Costa1 – Costa, F.F.1; Daniela Scherer da Silva1 – Silva, D.S.1; Carolina Andreoli – Andreoli1, C.; Vanessa Genro – Genro, V.1; Alberto Stein – Stein, A.1; João Sabino Lahorgue da Cunha Filho – Cunha-Filho, J.S.2

1Insemine; 2Insemine e UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

INTRODUÇÃO: Durante a estimulação ovariana utilizada nos protocolos de reprodução assistida algumas pacientes não respondem bem a indução dando origem a poucos folículos. A lavagem folicular poderá minimizar as chances de perda do ciclo de tratamento pela ausência de oócito, embora a literatura seja controversa e com poucos casos.
OBJETIVO: Analisar a taxa de recuperação oocitária e taxa de gravidez de pacientes submetidas a tratamento de fertilização in vitro através da lavagem folicular.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram submetidas à lavagem folicular para recuperação dos oócitos 47 pacientes em tratamento para reprodução assistida que apresentaram menos de 3 folículos durante a indução da ovulação. A lavagem folicular foi realizada através do uso de seringa contendo meio de manipulação, acoplada a agulha de punção guiada por ultra-som. Cada folículo era lavado no mínimo uma vez. Os procedimentos de fertilização in vitro foram realizados segundo protocolo padrão pré-estabelecido pelo laboratório. Após o 3° dia de desenvolvimento os embriões foram transferidos e ao final de 12 dias as pacientes realizaram a dosagem de βhCG.
RESULTADO: As 47 pacientes analisadas apresentaram média de 36,8 (29-45) anos de idade e as seguintes causas de infertilidade: desconhecida 6,4% (3/47); endometriose 14% (7/47); falência ovariana 6,4% (3/47); múltiplas causas 30% (14/47); SOP 2,21% (1/47); tubária 19,14% (9/47) e masculina 21,27% (10/47). De todas submetidas à lavagem folicular apenas quatro não tiveram oócito recuperado, resultando na taxa de recuperação oocitária de 91,4%. A taxa de fertilização do grupo em questão foi 76% sendo que nove pacientes do total tiveram oócito recuperado, mas não obtiveram desenvolvimento até D3. A média de embrião transferido por paciente foi de 1,3 (1-3) e das 33 pacientes que transferiram embrião em D3, sete pacientes engravidaram sendo 21,2% a taxa de gestação por TE.
CONCLUSÃO: Observou-se que a lavagem folicular no mínimo uma vez cada folículo tem impacto positivo na taxa de recuperação oocitária e taxa de gravidez sendo uma alternativa nos casos em que se tem uma pobre resposta à indução ovariana a fim de evitar perda total do ciclo de tratamento.

 

 

 

P36 - Nascimento livre de fibrose cística após diagnóstico genético pré-implantacional (PGD)

Marcela Felix Fortis1,2; Marcos Höher1; Marcelo Oliveira Ferreira1; Caroline Gross Dutra1; Gerta noeli Frantz1; nilo Frantz1

1Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz;

2Universidade Federal do Rio Grande do Sul

INTRODUÇÃO: A fibrose cística (FC) é uma doença autossômica recessiva resultante de mutações no gene CFTR. A FC causa: bronquiectasia, insuficiência pancreática, infertilidade masculina e disfunções intestinais. Com o uso de técnicas de reprodução assistida indivíduos afetados podem superar o obstáculo em sua fertilidade, entretanto é recomendada a realização do PGD para evitar a transmissão da doença.
DESCRIÇÃO DO CASO: Casal com infertilidade primária há 5 anos. O marido (34 anos) apresentava azoospermia devido à FC, a mulher (33 anos), portadora de mutação no gene CFTR e com reserva ovariana diminuída (hormônio anti-Mülleriano de 0,68ng/mL). Foram realizados 5 ciclos de estimulação ovariana (antagonista GnRH, HMG e citrato de clomifeno) para a acumulação de oócitos. A captação de espermatozóides foi feita por punção de epidídimo. Os 14 oócitos obtidos nos primeiros 4 ciclos foram desvitrificados e acrescidos de 1 oócito fresco obtido no 5º ciclo. A fertilização com ICSI deu origem a 10 embriões viáveis para o PGD. no terceiro dia foi realizada a biópsia de 1 ou 2 blastômeros para a PCR em busca de mutações no gene CFTR. Dos 10 embriões analisados, 3 eram portadores de mutação no gene CFTR, 4 afetados pela FC e em 3 houve falha de amplificação. Devido à idade da paciente, foram transferidos 2 embriões, ambos sem FC. Houve gestação de feto único do sexo masculino. O parto de um menino saudável foi realizado com 38 semanas.
DISCUSSÃO: Sem o PGD a probabilidade de o casal produzir embriões afetados pela FC era de 50%. Através das técnicas de reprodução assistida com o diagnóstico genético pré-implantacional, a infertilidade masculina foi superada, foram selecionados embriões livres da fibrose cística e foi gerado bebê sem a doença.

 

 

 

P37 - Existe diferença entre as taxas de implantação e gestação de embriões cultivados até o estágio de blastocisto por incubadoras convencional ou de triplo-gás?

Bruna Barros1; Mariana nicolielo1; José Roberto Alegretti1,2, Marcia Riboldi1; Paulo Serafini1,3; Eduardo Leme Alves Da Motta1,2

1Huntington – Medicina Reprodutiva São Paulo, Brasil; 2Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo, Brasil; 3Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Avaliar e comparar a eficiência do uso de atmosfera com nível de Oxigênio (O2) reduzido (5%) entre os dias 3 a 5 de cultivo embrionário e sua correlação com as taxas de formação de blastocistos, gestação e implantação em pacientes submetidos à Fertilização in vitro (FIV).
MATERIAIS E MÉTODOS: no período entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011 foram avaliados 628 ciclos de FIV com a formação de 5712 embriões. Todos os embriões obtidos foram mantidos em cultivo em incubadoras tradicionais, sob atmosfera de 20% de O2, quando em dia 03, foram divididos em dois grupos: A) incubadora convencional; B) incubadora triplo gás (90%n2/5%O2/5%CO2). Foram considerados embriões em estágio de blastocisto todos aqueles que apresentaram presença de blastocele com 120h de cultivo. As análises estatísticas foram realizadas com o teste Z, t de Student´s e Mann Whitney. Diferenças entre dados com valor de p&lt;0,05 foi considerado significante.
RESULTADOS: Ambos os grupos foram formados por mulheres de idade semelhante (A=34,4±4,0 e B=34,0±5,0 anos; p=0,292), contudo foram observadas diferenças significativas no número de ovócitos coletados (A=15,0±7,0 e B=14,0±7,0; p=0,039), número de ovócitos em MII (A=12,1±6,0 e B=11,2±6,1; p=0,048), número de embriões fertilizados (A=10,1±5,1 e B=9,0±4,1; p=0,001) e número de embriões transferidos (A=2,4±0,8 e B=2,3±0,6; p=0,038). Os embriões do grupo B apresentaram resultados significantes em relação à formação de blastocistos (B=91% e A=76%; p=0,002), taxas de implantação (B=34% e A=28%; p=0,048) e de gestação (B=60% e A=49%; p= 0,011).
CONCLUSÃO: A transferência de embriões em estágio de blastocisto, embora simule as condições naturais, ainda suscita debates da sua real aplicabilidade, pois é questionável a capacidade laboratorial em mimetizar o ambiente tubário. nossos resultados demonstraram que oócitos de similar potencial, aferidos pela idade materna, apresentaram, ao final, melhores taxas de formação de blastocisto, implantação e gestação, se cultivados em incubadoras triplo gás em comparação às incubadoras tradicionais, mesmo partindo de um número menor de embriões disponíveis para atingir o 5° dia. Possivelmente, as incubadoras que apresentam o ambiente compartilhado de n2, O2 e CO2 apresentem melhor habilidade ao desenvolvimento celular.

 

 

 

P38 - O fator masculino influência no desenvolvimento embrionário até o estágio de blastocisto e no sucesso em ciclos de ovodoação?

Andrea Belo1; Thais Serzedello1; Érica Semaco1; José Roberto Alegretti1,2; Paulo Serafini1,2; Eduardo Leme Alves Da Motta1,3

1Huntington – Medicina Reprodutiva São Paulo, Brasil; 2Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Avaliar a relação entre os parâmetros seminais e o desenvolvimento embrionário até o estágio de blastocisto em ciclos de ovodoação e taxas de gestação e implantação.
MATERIAIS E MÉTODOS: no período entre janeiro/2010 e dezembro/2011 foram avaliados 72 ciclos de ovodoação. Em todos os casos a técnica ICSI foi utilizada para a fertilização dos ovócitos. A transferência embrionária foi realizada no 5° dia de desenvolvimento (estágio de blastocisto). Os grupos foram divididos de acordo com a qualidade seminal segundo a OMS-2010 em: Grupo A: normozoospermicos (n=19); Grupo B: Teratozoospermicos (n=41); e Grupo C: Oligoteratozoospermicos (n=12). As análises estatísticas foram realizadas com os testes qui-quadrado, AnOVA e comparação múltipla de Tukey (p&lt;0,05).
RESULTADOS: Houve diferença estatística entre todos os grupos em relação à concentração de espermatozóides/ml (A=71,1±37,5 milhões, B=47,6±28 milhões, C= 5,7±4,5 milhões; p&lt;0,05) e entre a morfologia estrita (Kruger) (A=5%, B= 2%, C=1,4%*; p&lt;0,05). não houve diferença estatística entre os grupos em relação à idade masculina (A=44,4±6, B=42,4±6, C=41,8±8; p&gt;0,05); número de ovócitos recebidos (A=10,16±3,8, B=10,73±3,6, C=10,83±4; p&gt;0,05); taxa de fertilização (A=88%, B=83%, C=77%; p&gt;0,05); número de embriões em D2 (A=8,68±3,4, B=8,63±3,3, C=7,75±2,9; p&gt;0,05); número de embriões de boa qualidade morfológica em D3** (A=5,2±2,4, B=5,0±2,9, C=4,8±1,6; p&gt;0,05); número de embriões em estágio de blastocisto (A=5,1±2,4, B=5,1±2,4, C=4,3±2,1; p&gt;0,05); número de embriões transferidos (A=2,4±0,6, B=2,3±0,6, C=2,50±0,5; p&gt;0,05); taxa de gestação química (A= 84%, B=80%, C=100%; p&gt;0,05); e taxa de implantação (A=48%, B=55%, C=79%; p&gt;0,05).
** Não foi possível analisar a morfologia estrita de cinco pacientes do grupo C devido à baixa concentração de espermatozoides.
** Foram considerados embriões de boa qualidade morfológica todos aqueles que em D3 apresentaram entre 6 e 10 células com até 10% de fragmentação celular (grau morfológico I).
CONCLUSÃO: nosso estudo demonstrou que o desenvolvimento embrionário não é influenciado pela qualidade seminal desde as primeiras divisões celulares até o estágio de blastocisto, mesmo em paciente com alterações severas nos parâmetros seminais. A taxa de gestação química e a taxa de implantação também não são influenciadas por esses parâmetros. Com o advento das técnicas os fatores masculinos são facilmente transpostos corroborando para o sucesso do tratamento.

 

 

 

P39 - Qual o melhor dia de cultivo embrionário para realizar a biópsia, em diferentes idades, no diagnóstico pré-implantacional por cgh array

José Roberto Alegretti1,2, Péricles Hassun3, Juliana Cuzzi3, Maria Angélica Peres1, Paulo Serafini1,4, Eduardo Motta1,2.

1Huntington Medicina Reprodutiva, São Paulo, Brasil; 2Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo, Brasil; 3Genesis Genetics Brasil, São Paulo, Brasil; 4Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, Brasil.

OBJETIVO: Avaliar as taxas de normalidade cromossômica, em diferentes faixas etárias, de mulheres submetidas a tratamentos de Fertilização in vitro (FIV) por falhas prévias em FIV e/ou abortos recorrentes, através do Diagnóstico Genético pré-Implantacional, pela técnica de Hibridização Genômica Comparativa por array (aCGH), em relação ao dia da biópsia embrionária: em dia 3 (D3) – biópsia de blastômero ou em dia 5 (D5) biópsia de trofoderma.
MATERIAIS E MÉTODOS: Entre novembro/2010 a abril/2012, foram avaliados 332 ciclos, sendo 69 com biópsia em D3 e 263 em D5, totalizando 1254 embriões (D3=273 e D5=981), Os casos foram posteriormente subdivididos em 03 grupos etários: A) ≤35 anos, B) 36-39 anos, C) ≥40 anos. Taxas de euploidia e cancelamento da transferência embrionária (TE) foram analisados pelos testes qui-quadrado, t-student e Man-Withney (p&lt;0,05).
RESULTADOS: O mesmo número médio de embriões foi biopsiado entre todas as faixas etárias (D3=3,96±1,8 e D5=3,73±1,6; p=0,316). Observou-se diferença estatística, tanto na taxa de euploidia, quanto de cancelamento da TE, entre os grupos A e B, conforme o dia da biopsia embrionária: grupo A (euploidia D3=30% e D5=45%; p=0,017 e cancelamento D3=37% e D5=13%; p=0,004) e grupo B (euploidia D3=16% e D5=31%; p=0,002 e cancelamento D3=65% e D5=27%; p=0,001). Contudo, não foram observadas diferenças significantes nas taxas de euploidia e cancelamento da TE, conforme o dia da biópsia embrionária, para o grupo C (euploidia D3=8% e D5=14%; p=0,280 e cancelamento D3=82% e D5=57%; p=0,353).
CONCLUSÃO: nosso estudo demonstra que a biópsia embrionária, na fase de blastocisto, pela técnica do aCGH, identifica maiores taxas de normalidade cromossômica e produz menores taxas de cancelamento em mulheres até 39 anos, sugerindo que o cultivo estendido laboratorial auxilie nesta determinação. Contudo, nas mulheres com idade superior a 40 anos, este ganho não é tão perceptível, comprovando que este grupo etário se caracteriza por alto índice de aneuploidias. Deste modo, a biópsia embrionária em D5 associada à técnica de aCGH deve ser a opção de escolha, por manipular embriões naturalmente selecionados e identificando aqueles mais aptos na implantação.

 

 

 

P40 - Ação de diferentes isoformas do fsh na eletrofisiologia das células do cumulus oóphorus humano

Laura Silveira Ayres, nilo Frantz, norma Pagnoncelli Oliveira, Ana Paula Jacobus, Adriana Bos-Mikich, Eloísa da Silveira Loss

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz

OBJETIVO: As células do cumulus têm um papel fundamental na maturação e capacidade de desenvolvimento do oócito pós-fertilização. Em ciclos de reprodução assistida clássicos emprega-se o FSH exógeno para estimulação ovariana. Esta gonadotrofina é apresentada em duas isoformas, uma mais ácida e outra menos ácida. Esta diferença pode potencialmente exercer um efeito diferencial no crescimento folicular e maturação oocitária afetando as taxas de sucesso nos tratamentos de infertilidade. Tratando-se de um estudo inédito, nosso objetivo inicial foi padronizar as condições de trabalho para observar a ação das diferentes isoformas de FSH comerciais no potencial de membrana das células do cumulus, comparativamente à ação de um FSH padrão do laboratório e menos purificado ovino.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizadas células do cumulus de 12 pacientes. Células provenientes de diferentes pacientes tiveram registros individuais. O potencial de membrana foi registrado com microcapilares acoplados a um eletrômetro. FSH ovino foi aplicado topicamente após estabilização do potencial em repouso. Os resultados foram dados como média ± SEM. Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética para Pesquisas em Humanos da UFRGS (processo número 20173).
RESULTADOS: Os experimentos realizados até o momento permitiram que padronizássemos o meio de perfusão Krebs Ringer bicarbonato (37oC, pH 7,4 com Hepes) e o tempo de cultura das células pré-registro em 48 horas. A resistência dos eletrodos foi padronizada entre 15 e 25 MΩ. Registramos potencial de membrana em repouso de10 células do cumulus ooforus humano, obtendo uma média -34.02 mV ± 6.46 e erro padrão da média ± 2.04. A resistência média ao fluxo de íons através da membrana foi de 16.5 mΩ ± 4.03 e SEM ± 1.8. Além disso, os experimentos com FSH ovino em células do cumulus de duas pacientes demonstraram uma despolarização lenta seguida de um aumento na resistência da membrana.
CONCLUSÕES: Os dados preliminares demonstram a adequação da metodologia de eletrofisiologia nas células do cumulus e estes resultados preliminares permitem fazermos a comparação das isoformas comerciais com o padrão de FSH ovino.

 

 

 

P41 - Estudo comparativo da liberação in vitro de progesterona micronizada veiculada em cápsulas de gelatina mole e em óvulos manipulados, usados para suporte da fase lútea no tratamento de infertilidade

Marta Curado Carvalho Franco Finotti1, Délio Marques Conde2, Mariana de Oliveira Berreta3, Eliana Martins Lima3, Rodopiano de Souza Florêncio1.

1Serviço de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Goiás; 2Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde, Universidade Federal de Goiás; 3Laboratório de Tecnologia Farmacêutica e Sistemas de Liberação de Fármacos, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Goiás

OBJETIVOS: Avaliar o perfil de dissolução da progesterona micronizada nas formas farmacêuticas de cápsulas de gelatina mole e de óvulos manipulados, para suporte de fase lútea no tratamento de infertilidade. Métodos: Realizou-se estudo laboratorial, avaliando-se a progesterona micronizada veiculada sob a forma de cápsulas de gelatina mole, provenientes de dois laboratórios farmacêuticos diferentes (produtos A e B) e sob a forma veiculada em óvulos, provenientes de três farmácias magistrais. A investigação foi realizada por meio de ensaios de liberação in vitro. Para as formas farmacêuticas de cápsulas de gelatina mole foram investigados o perfil de dissolução, a cinética e a eficiência de dissolução. As características dos produtos com a mesma forma farmacêutica foram comparadas. Foram aplicados a AnOVA e os testes de Tukey e t de Student, utilizando-se o programa SPSS.
RESULTADOS: O perfil de dissolução da progesterona micronizada sob a forma de cápsulas de gelatina mole dos três lotes dos produtos avaliados (A e B), provenientes de diferentes laboratórios, demonstrou dissolução de 80% do fármaco até a quarta hora. O perfil de dissolução dos óvulos de farmácias magistrais mostrou-se diferente entre os lotes analisados e entre as farmácias avaliadas. nos óvulos, a média das concentrações máximas de progesterona micronizada não ultrapassou 80% da dose declarada no rótulo. Houve diferenças estatisticamente significativas com relação à média das concentrações de progesterona entre lotes da mesma farmácia e entre as farmácias pesquisadas.
CONCLUSÕES: O perfil de dissolução da progesterona micronizada sob a forma de cápsulas de gelatina mole estava dentro das especificações definidas na validação do método, e foi semelhante para os dois produtos avaliados. Os óvulos das farmácias magistrais não atenderam os critérios estabelecidos pelas agências reguladoras e compêndios oficiais quanto aos requisitos de qualidade para medicamentos. nesse contexto, recomenda-se que os óvulos não façam parte do arsenal terapêutico para suporte da fase lútea, uma vez que os mesmos não demonstraram uniformidade nas formulações analisadas e que a média da concentração máxima da progesterona micronizada foi abaixo do esperado. Dessa forma, não é possível estabelecer intercambialidade dos produtos manipulados testados com os produtos de referência.

 

 

 

P42 - Perfil clínico epidemiológico de casais inférteis considerando história de vida, exposição a fatores de risco para a saúde reprodutiva e parâmetros seminais

Whitaker Jean Jaques e Silva, Sirlene Lucena de Moura, Tonia Costa, Ricardo Vasconcellos Bruno, Maria do Carmo Borges de Souza

Instituto de GinecologiaUFRJ

O estudo objetiva estabelecer o perfil clínicoepidemiológico do casal infértil por meio da análise de questionário orientado e de duas amostras de sêmen (OMS 1999,2010). Estudo exploratório longitudinal. no total, 110 casais consentiram em participar, 17 sem resultado de espermograma. Perfil dos casais: 75% das mulheres entre 26 a 35 anos e 100% dos homens entre 21 e 40 anos; 62% possuem renda mensal total familiar até R$ 1500,00, 35% entre R$ 1501,00 e R$3500,00, 1% entre 3.500 e 5.500 e 2% superior a 5.500. 30% das mulheres e 43% dos homens têm até nove anos de estudo, 58% delas ingressaram no Ensino Médio e 30% deles o concluíram; 9 mulheres (9%) e 10 homens (9%) iniciaram o Ensino Superior. Dentre as mulheres, 9,18% trabalham em indústrias de transformação, 36,12% serviços domésticos e 30,48% comércio; 18% dos homens na construção, 21,3% comércio, 12,24% transporte e 16,32% em atividades administrativas e serviços complementares. Água da torneira foi a principal fonte de consumo: 87% das mulheres, 93% dos homens: não tratada para 15,45% delas e 28,18% deles. Quanto à adicção: 11 mulheres a tabaco, 30 álcool e 7 drogas ilícitas (maconha e cocaína); 50 homens a álcool, 14 tabaco e 22 drogas ilícitas (maconha, cocaína, crack e outras); 15 mulheres (13,6%) e 20 homens (19,6%) ex-tabagistas. Exposição a fatores de risco: 14,3% a cloro, 33,3% produtos de limpeza, 23,8% produtos químicos, óleos e solventes, 9,5% tinta (homens) e 38,9% a cloro, 38,9% produtos de limpeza (mulheres).
HISTÓRIA REPRODUTIVA: fator ovariano (56,5%), infecção (75,3%), obstrução tubária (32,8%) e 13,8% de alterações na forma/ motilidade dos espermatozóides, 12,9% varicocele, 20,7% doenças sexualmente transmissíveis e 14,9% baixa concentração de espermatozóides. A comparação considerando os parâmetros de 1999 e 2010, em homens com dois resultados de espermogramas, revelou maiores diferenças em relação ao volume (11,31%), motilidade progressivos (16,98%) e morfologia (22,64%). A adoção dos novos parâmetros pode desconsiderar alterações importantes na avaliação da saúde reprodutiva masculina, que, acrescida da recusa em realizar o espermograma (estoicismo), dificulta o diagnóstico e estabelecimento de condutas, ampliando o tempo de tratamento, altamente relevante na rede pública.

PALAVRAS-CHAVE: infertilidade masculina, fatores ambientais, exposição ocupacional.

 

 

 

P43 - Prevalência da chlamydia trachomatis pela reação em cadeia da polimerase (pcr) em mulheres inférteis

Fabiana Carmo Approbato, Mario Silva Approbato, Rodopiano Florencio, Monica Canedo Silva Maia, Tatiana Moreira da Silva, Jalsi Tacon Arruda

Laboratório de Reprodução Humana Hospital das Clinicas / Depto de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Goiás

OBJETIVO: Avaliar a prevalência de Chlamydia trachomatis por PCR e enzimaimunoensaio ou imunofluorescência indireta em pacientes com esterilidade feminina.
MATERIAL E MÉTODOS: Desenho: Estudo de prevalência. Teste diagnóstico. Pacientes: Foram estudadas 120 pacientes atendidas entre 2011 a 2012 com idade entre 20 e 48 anos. Principais resultados medidos: Faixa etária, tempo de exposição à gravidez, prevalência da clamídia, risco de Odds para obstrução tubária, gravidez ectópica e outras DSTs. Calculou-se o histogramas de frequência para idade e tempo de exposição. Foi utilizada a estatística de Qui quadrado para cálculo do risco de Odds de obstrução tubária entre as pacientes soro positivas; o risco de Odds de gravidez ectópica em pacientes soro positivas e o risco de Odds das pacientes soropositivas ter outras DSTs. O nível de significância escolhido foi 5 % (p = 0,05).
RESULTADOS: A média de idade das pacientes foi 33,2 anos. A média de tempo de exposição à gravidez foi de 48,6 meses. A prevalência de infecção detectada pelo exame de PCR foi menor do que 1 % (0,83%). A prevalência da infecção pelo exame de PCR entre as pacientes soro positivas foi 2,4 % (uma paciente). não encontramos PCR positivo entre as soro negativas. O risco de Odds entre as pacientes soro positivas para obstrução tubária foi 2,5. Valor estatisticamente significativo. O risco de Odds entre as pacientes soro positivas para apresentar gravidez ectópica foi 1,31. Não significativo. O risco de Odds entre as pacientes soro positivas foi de 4,1 para apresentar outras DSTs. Valor estatisticamente significativo. O risco de Odds entre as pacientes com obstrução tubária para apresentar gravidez ectópica foi de 19,1. Valor significativo (p = 0,001). Encontramos um nnT de 42 neste trabalho.
CONCLUSÕES: A prevalência da clamídia detectada por PCR foi menor do que 1 %. Encontramos associação entre a sorologia positiva para Chlamydia trachomatis e obstrução tubária, gravidez ectópica e outras DSTs. A média de idade das pacientes foi 33,2 anos, acima da faixa de prevalência nas adolescentes, quando a presença de clamídia é elevada.

 

 

 

P44 - Persistência recorrente da vesícula germinativa em oócitos, com ausência de maturação in vitro, em ciclos subsequentes de fiv, em paciente jovem: Relato de caso

Nícolas Thiago nunes Cayres, Hitomi Miura nakagava, Íris de Oliveira Cabral, Antônio César Paes Barbosa, Adelino Amaral Silva, Bruno Ramalho de Carvalho

GenesisCentro de Assistência em Reprodução Humana, Brasília-DF

INTRODUÇÃO: A identificação da vesícula germinativa em oócitos obtidos após estimulação para fertilização in vitro (FIV) sugere interrupção da maturação na fase de prófase I da meiose, identificável pela observação de nucléolo compacto típico. Isso ocorre a despeito da administração do hCG recombinante (hCGr), que, ao simular ação do LH, deveria conduzir o oócito à fase de metáfase II. Relatamos um caso de reincidência de imaturidade total de oócitos após estimulação controlada para FIV, com falha total de maturação in vitro (MIV), em paciente jovem.
DESCRIÇÃO DO CASO: 32 anos, infertilidade primária há 5 anos, endometriose grau IV, de acordo com a American Society for Reproductive Medicine. Procurou o serviço em uso de goserelina por 18 meses. Parceiro com 57 anos, saudável, vasectomia há 20 anos, dois filhos. Aproveitou-se o análogo do GnRH em uso para protocolo ultralongo, em primeiro ciclo de indução com FSH recombinante (FSHr), 225 UI/dia. Ciclo cancelado por resposta monofolicular. Instituiu-se novo ciclo em protocolo longo com leuprolida, 0,1 mL/dia, reduzido para 0,05 mL/dia ao início de FSHr, 200 UI/dia, associado a LH recombinate (LHr), 75 UI/dia. Maturidade oocitária induzida com hCGr, 200 mcg. Recuperados 6 óocitos em fase de vesícula germinativa (VG), com ausência de maturação após 24 horas de cultivo em meio G-IVF™ Plus. nova tentativa em protocolo longo com leuprolida, 0,05 mL/dia, com FSHr, 225 UI/dia, associado a LHr, 75 UI/dia. Maturidade oocitária novamente induzida com hCGr, 200 mcg. Recuperados 3 óocitos em fase de VG, novamente sem MIV após 24 horas.
COMENTÁRIOS: Relatamos caso de falha total de maturação de oócitos in vivo após estimulação ovariana em protocolo padrão para FIV, de rara incidência, com possível associação à endometriose. Existem, portanto, lacunas referentes ao seu entendimento. O cancelamento de ciclos de FIV devido a persistência da VG constitui frustração para o casal infértil e, ainda hoje, desafio para serviços de medicina reprodutiva. Embora a MIV tenha mostrado resultados promissores, com taxas de aneuplodia semelhantes às observadas para oócitos maturados in vivo, ainda são baixas as taxas de gestação e nascimentos, e permanece indefinido protocolo ideal para sua realização.

 

 

 

P45 - Preparo endometrial para transferência de embriões vitrificados: Ciclo natural modificado é uma boa opção?

Lopes V.M.1; Brasileiro J.P. B.1; Pereira T.R.1; Café T.C.1; Melo F.A.S.1; Lopes J.R. C.2

1Instituto VERHUMBrasília; 2Cenafert -Salvador

OBJETIVO: Comparou-se a eficácia do preparo endometrial para transferência de blastocistos desvitrificados através de duas técnicas: ciclo natural modificado ou bloqueio hipofisário com agonista de GnRH.
MATERIAIS E MÉTODOS: Coletaram-se os dados retrospectivamente. Avaliaram-se as transferências realizadas entre 01/01/2011 e 30/03/2012, após desvitrificação de blastocistos. O protocolo utilizado foi escolhido pelo médico assistente, baseado nos custos e na conveniência da paciente. O protocolo do grupo A (ciclo natural modificado) consistiu em: ultrassonografia basal (± D-3 do ciclo menstrual) e seriada a partir do D-10/D11 até o folículo atingir diâmetro médio de 18mm, quando era aplicado 250μg de hCG recombinante. Após dois dias administrou-se 400mg/dia de progesterona via vaginal e 4mg/dia de estradiol oral. Procedeu-se a desvitrificação e transferência dos blastocistos no sexto ou sétimo dia após a aplicação do hCG. no grupo B, utilizou-se a-GnRH (nafarelina nasal) na segunda fase do ciclo interrompendo no dia de início da progesterona. no preparo endometrial usou-se valerato de estradiol, via oral, em doses crescentes até 6-8 mg/ dia. Transferiram-se os blastocistos no quinto dia de uso de progesterona micronizada, via vaginal, na dose de 600mg/ dia. As variáveis analisadas foram: Média de idade e embriões transferidos; taxa de abortamento, implantação e gestação (BCF+ na ecografia de 12 semanas); Foram comparadas as taxas de gestação e implantação de acordo com a faixa etária (20-29; 30-34; 35-39; ≥40) e tipo de preparo. Na análise estatística utilizou-se o nível de significância p <0,05. Resultados: Foram avaliados 40 ciclos no grupo A e 49 no grupo B. A média de idade e de embriões transferidos foram: 34,5 vs 35,7(p= 0,14) e 2,1 vs 2,3(p=0,03) para o grupo A e B respectivamente. As taxas de abortamento, implantação e gestação foram respectivamente para o grupo A e B: 2/17(11,7%) vs 5/20(25%) (p=0,39); 17/84(20,2%) vs 16/114(14,0%)(p=0,24) e 14/40(35%) vs 14/49(28,5%) (p=0,42). Em relação às faixas etárias apenas houve diferença estatística para a taxa de implantação do grupo de 35-39 anos, apresentando melhores resultados com ciclo natural 8/28(28,5%) vs 7/50(14%)(p=0,03). Conclusão: O preparo endometrial, para transferência de embriões criopreservados, através do ciclo natural modificado traz resultados semelhantes ou melhores ao preparo com bloqueio hipofisário.

 

 

 

P46 - Taxas de gestação e perfil das pacientes submetidas à técnica de reprodução assistida de baixa complexidade em hospital público

Priscila Scalco, Letícia Filippon, Luciane Baptista, Simone Mattiello, Andrea nácul

Hospital Femina

OBJETIVO: Avaliar a taxa de gestações, assim como o perfil de pacientes inférteis submetidas à inseminação intra-uterina (IIU) em um hospital público de Porto Alegre.
MÉTODO: Foram incluídas no estudo pacientes que realizaram IIU como tratamento de infertilidade no período de 2009 a abril 2012. Todas foram submetidas à ecografia basal entre o 1° e o 3° dia do ciclo e orientadas sobre o esquema de indução da ovulação, sendo utilizado, preferencialmente, o citrato de clomifeno e hMG. Após 6 dias de indução, as pacientes retornaram para realização de nova ecografia e foram monitorizadas até que seus folículos dominantes atingissem o diâmetro médio de 18mm. neste momento, as pacientes foram orientadas a realizar a aplicação do hCG e 36 horas após foram submetidas a IIU com sêmen preparado pelo método Percoll.
RESULTADOS: Foram incluídas, no estudo, 178 pacientes com indicação de IIU para o tratamento da infertilidade. Destas, 49 tiveram procedimento cancelado devido a não resposta a indução, múltiplos folículos, dentre outros fatores. A média de idade das pacientes foi de 34 ± 5 anos. A mediana do tempo de infertilidade foi de 5 (3 8) anos. Cento e trinta e quatro pacientes (75,3%) apresentavam infertilidade primária e 44 (24,7%) infertilidade secundária. Endometriose foi a causa mais prevalente, sendo encontrada em 21,3% das pacientes, seguida pelo fator masculino (18%) e infertilidade sem causa aparente (12,9%). A associação de fator masculino e endometriose foram encontradas em 6,7%. Em relação à concentração de espermatozóides no Percoll, 14% apresentaram quantidade menor de 5 milhões, 20,2% entre 5 e 20 milhões e 65,9% maior que 20 milhões. Quanto aos dias de indução, a mediana foi de 12 dias, variando de 10 a 14 dias. A mediana dos folículos dominantes foi de 1. A dosagem de hMG utilizada teve uma mediana de 300UI (225 375 UI). A taxa de gestação das pacientes submetidas à IIU foi de 17% (22 pacientes), destas, 18 (81,8%) apresentaram gestação única, duas (9,1%) múltipla e duas (9,1%) abortaram.
CONCLUSÃO: Os resultados encontrados, em relação à taxa de gestações em pacientes submetidas à técnica de reprodução assistida de baixa complexidade, são semelhantes aos descritos na literatura. A IIU permanece sendo uma opção entre os tratamentos de reprodução assistida.

 

 

 

P47 - Criopreservação de gametas uma alternativa nas clínicas de reprodução humana

Kvitko D1; Okada L1; Reig V1; Azambuja R1; Badalotti M1,2; Petracco A1,2

1Fertilitat Centro de Medicina Reprodutiva. Porto Alegre, RS. Brasil; 2Departamento de Ginecologia, Faculdade de Medicina, PUCRS Porto Alegre, RS, Brasil

OBJETIVO: Determinar as taxas de sobrevivência e gravidez após a vitrificação dos oócitos, através de um estudo retrospectivo observacional.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizados neste estudo 18 ciclos de oócitos congelados noano de 2012 (Janeiro-Maio). A estimulação hormonal foi realizada com gonadotrofina, após dessensibilização hipofisária com acetato de leuprolide. A captação oocitária ocorreu por ecografia pélvica transvaginal 34 ± 2 horas após a administração de gonadotrofina coriônica humana, sendo as amostras seminais preparadas usando gradiente de concentração descontínuo. Os oócitos então foram congelados segundo o protocolo de Kuwayama et al., 1998, e descongelados dois dias antes da transferência utilizando este mesmo protocolo. Duas horas após o descongelamento foi realizada ICSI nos oócitos sobreviventes, e após este procedimento, os embriões foram mantidos em estufa a 5% de CO2, a 37°C até a data da transferência. Para a transferência, o endométrio foi preparado 3 dias antes, utilizando-se 90mg/ dia de progesterona sob forma de gel, e também Estradiol via oral com uma dose inicial de 2mg/dia, a partir do terceiro dia do ciclo menstrual. A dose máxima usada foi 6mg/dia, quando o endométrio atingia uma espessura de 8 mm no controle ecográfico. As taxas de sobrevivência, fertilização e gestação foram comparadas com os dados disponíveis na literatura.
RESULTADOS: A idade média das pacientes que realizaram o descongelamento de oócitos foi de 33,6 ± 4,9. Foi descongelado um total de 148 oócitos, dos quais 124 sobreviveram (83,8%), 76 (61,3%) fertilizaram de forma normal e 38 (50%) embriões foram transferidos. A taxa de gravidez geral foi de 50% (9/18), sendo que 6 (33,3%) pacientes apresentaram gravidez clínica.
CONCLUSÃO: Os resultados demonstram que a criopreservação de oócitos é um método eficiente, podendo ser uma opção segura de escolha nas clinicas de reprodução humana.

 

 

 

P48 - Diagnóstico genético pré-implantacional em ciclos de ovodoação: utilização de cgh-array e biópsia de blastocisto

José Roberto Alegretti1,2; Marcia Riboldi1; Paula Fettback1,3; Renata Miranda1; Paulo Serafini1,3 e Eduardo Leme Alves da Motta1,2.

1Huntington Medicina Reprodutiva, São Paulo, Brasil; 2Universidade Federal de São Paulo UnIPESP, São Paulo, Brasil; 3Universidade de São Paulo USP, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Analisar os resultados do diagnóstico genético pré-implantacional através da técnica de hibridação genômica comparativa por array (CGH-array) em blastocistos de pacientes submetidas a ciclos de Fertilização in vitro com ovócitos doados (OD).
MATERIAIS E MÉTODOS: Entre Janeiro/2011 a Abril/2012 foram avaliados 65 ciclos de OD divididos em 2 grupos: A) Ciclos OD com transferência em dia 5 (n=48); B) Ciclos OD com prévia análise por CGH-array em dia 5 e transferência em dia 6 (n=17). Todos os embriões foram cultivados em meio seqüencial, sendo transferidos dia 03 para incubadoras sob atmosfera de 90%n2/5%O2/5%CO2, até o momento da transferência embrionária, além disso, no grupo B, os embriões foram submetidos a hatching em dia 03. O preparo endometrial das receptoras consistiu no uso de valerato de estradiol 4mg/dia e ao atingir a espessura ≥ 8 mm, suplementação com progesterona micronizada 800mg/dia. Estatística foi realizada pelo teste t Student (p < 0,05).
RESULTADOS: A média de blastocistos formados no grupo A foi de 6,3±2,6 e no B 5,8±2,4 (p=0,48). no grupo B, 88 embriões provenientes de ciclos OD foram analisados por CGH-array, determinando 5,2±2,5 embriões biopsiados por paciente, resultando um total de 53% de embriões anormais. A média de embriões transferidos no grupo A foi de 2,3±0,6 e no B de 2±0,9 (p&lt;0,126), resultando em uma taxa de gestação de 83% e 82% respectivamente. A taxa de implantação entre os grupos foi de 55% no grupo A e 69% grupo B (p=0,233). Contudo, observamos 13% de gestação bioquímica no grupo A e 0% no B, com 8,5% de abortamento no grupo A e 0% no B, perfazendo uma perda gestacional cumulativa (gestação bioquímica + gestação clínica) de 20% no grupo A e 0% no grupo B.
CONCLUSÃO: Os resultados obtidos no estudo, não evidenciaram diferenças significativas entre as taxas de gestação e implantação entre os grupos. Contudo, observou-se ausência de perdas gestacionais cumulativas no grupo de pacientes submetidas à análise por CGH-array. Deste modo, a biópsia de blastocisto associada à completa análise cromossômica mostrou ser ferramenta válida mesmo quando utilizadas em ciclos de ovodoação por minimizar as perdas gestacionais iniciais, e assim, aumentar a eficiência do procedimento.

 

 

 

P49 - Gestação clínica em reprodução assistida com doação de óvulos

Michelle Silva Borges, Isa Alves Rocha, Genevieve Marina Coelho

IVI Salvador

OBJETIVO: Avaliar taxa de gestação clínica em mulheres submetidas a tratamento de Reprodução Assistida como receptoras de óvulos doados.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram avaliadas as taxas de gestação clínica (número de pacientes com saco gestacional intraútero/número de transferências embrionárias realizadas) em todos os ciclos de Reprodução Assistida que utilizaram o programa de doação de óvulos em uma clínica de infertilidade em Salvador-Bahia no período de novembro de 2010 a Março de 2012. Os ciclos foram realizados em receptoras hígidas, com média de idade de 44 anos ± 6 anos, sem anomalias uterinas diagnosticadas em ultrassonografia transvaginal e histeroscopia. Foram realizadas 24 transferências embrionárias a fresco e 22 transferências de embriões provenientes de técnica de descongelamento. As doadoras tinham idade até 35 anos, sem patologia clínica relevante e com cariótipo normal. Todas as pacientes apresentaram consentimento livre e esclarecido para a realização dos tratamentos. O número máximo de embriões transferidos em cada receptora foi no máximo dois e as transferências ocorreram em Dia 3-5/6 de desenvolvimento embrionário.
RESULTADOS: 46 receptoras foram submetidas a transferências de embriões provenientes de óvulos doados obtendo uma taxa global de gestação clínica de 60,1%. Destas, 66% de gestações clínicas foram de embriões frescos e 54,5% de embriões descongelados.
CONCLUSÃO: O programa de doação de óvulos permanece como um tratamento de Reprodução Assistida que apresenta taxas de sucesso bastante satisfatórias. Por motivos diversos como Menopausa, Falência Ovariana Prematura, ausência cirúrgica de ovários ou insuficiência ovariana pós quimioterapia, a doação de óvulos é capaz de promover gestação em casais com possibilidades prévias bastante remotas de obtê-la. Tanto a técnica de utilização de embriões frescos quanto a transferência de embriões criopreservados mostraram-se bastante eficazes, confirmando, desta maneira, que a qualidade ovocitária e embrionária são os principais fatores responsáveis pela implantação endometrial e, por conseguinte, maior taxa de gestação clínica.

 

 

 

P50 - Comparação entre duas formas de realização do gradiente descontínuo de densidade utilizado para o processamento de amostras seminais de pacientes em investigação de infertilidade

Mayara Araujo Baptista Silva, Caio Parente Barbosa, Ângela nimwegen

Setor de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina do ABC. Instituto Ideia Fértil

INTRODUÇÃO: O gradiente descontínuo de densidade é a técnica mais freqüentemente utilizada para processamento seminal em associação com o espermograma. nesta técnica, os espermatozóides de melhor qualidade ficam depositados no fundo do tubo cônico formando um precipitado. Existem dúvidas se a forma de se acessar o precipitado, ou seja, remoção do mesmo ou do sobrenadante, pode influenciar os parâmetros seminais resultantes do processamento.
OBJETIVO: Avaliar se a forma de acessar o precipitado de espermatozóides resultante do gradiente descontinuo de densidade influencia os parâmetros seminais pós-processamento.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram selecionados 432 pacientes, no período de abril a dezembro de 2011. O critério de inclusão foi análise seminal inicial dentro dos padrões de normalidade segundo os parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2010. Após a análise seminal inicial, cada amostra foi dividida em duas (grupo I e grupo II) e colocadas em dois tubos diferentes sobre as colunas com os diferentes gradientes de densidade. Depois da centrifugação, no grupo I foi retirado o pellet e ressuspendido em outro tubo, e no grupo II foi retirado o sobrenadante e ressuspendido no mesmo tubo. Foram avaliados os seguintes parâmetros: concentração/ mL, motilidade e morfologia. Comparação entre os grupos foirealizada com software SPSS versão 15 utilizando o teste T student e o chi-quadrado. Foi considerada diferença significante quando p&lt; 0,05.
RESULTADOS: Comparação entre os dois grupos mostrou diferenças significativas (p&lt;0,001) em todos os parâmetros avaliados. A concentração/mL foi menor no grupo I do que no grupo II, 21,6 milhões/mL e 24,7 milhões/mL, respectivamente. A motilidade foi menor no grupo II do que no grupo I, 84,7% e 91,6%, respectivamente. Enquanto que a morfologia foi melhor no grupo I do que no grupo II, 7,7% e 7%, respectivamente.
CONCLUSÃO: Os parâmetros seminais pós-processamento obtidos pela técnica do gradiente descontínuo de densidade variam significantemente de acordo com a forma de acesso do precipitado de espermatozóide formado durante a realização do procedimento.

PALAVRAS - CHAVE: análise seminal, centrifugação com gradiente de concentração, espermatozóides, motilidade espermática, morfologia espermática.

 

 

 

P51 - Acurácia metodológica e resultados clínicos obtidos em ciclos de pgs: Análise por cgh-array de 2745 blastocistos

Cuzzi, JF1; Vulcani-Freitas, TM1; Bertelli, T1; Motta, PCR1; Hassun, PA1

1 Genesis Genetics Brasil, São Paulo, SP, Brasil

OBJETIVOS: Hibridação Genômica Comparativa por arrays (aCGH) é a tecnologia mais usada no Screening Genético Pré-Implantacional (PGS) por ser capaz de detectar aneuploidias dos 23 pares cromossômicos simultaneamente. O objetivo deste estudo foi relatar a acurácia metodológica e descrever os resultados clínicos obtidos pela análise de aCGH em biópsias de blastocistos. Materiais e Métodos: A aCGH foi empregada no tratamento de 545 casais. As indicações para o PGS foram: abortos espontâneos, falhas sucessivas de implantação, fator masculino severo, idade materna avançada ou indicações mista. A idade feminina média foi 38,2 anos. Foram biopsiados 2853 embriões no estágio de blastocisto, dia 5 do desenvolvimento in vitro. O protocolo CGH-array foi realizado em 24 horas, incluindo amplificação e marcação do DnA, hibridação, lavagem, escaneamento e análises dos dados. na manhã do dia 6, embriões foram diagnosticados como euplóides, aneuplóides ou portadores de anomalias complexas (envolvendo pelo menos 4 cromossomos).
RESULTADOS: A amplificação genômica foi bem sucedida em 2745 biópsias (96,3%). Um total de 2053 embriões foram diagnosticados como alterados (74,8%). Entre os embriões anormais, 677 (33%) foram diagnosticados como portadores de anomalias complexas. Do restante dos embriões alterados, 31% (426/1376) apresentaram aneuploidias apenas para os 9 cromossomos analisados pelo programa FISH (cromossomos 13, 15, 16, 17, 18, 21, 22, X e Y); 37,5% (514/1376) também tiveram aneuploidias para outros cromossomos e em 31,6% (435/1376) foram detectadas somente aneupolidias para cromossomos diferentes dos 9 analisados pela FISH. Em 514 ciclos foram observados embriões euplóides, resultando em uma taxa de implantação de 44,6% por ciclo e 65,4% por transferência.
CONCLUSÕES: A CGH-array tem provado ser um método diagnóstico robusto e os resultados obtidos nestes dois anos comprovam a sua importância clínica, aumentando a acurácia do PGS. Utilizando esta técnica foi possível detectar 31,6% mais alterações cromossômicas do que pela análise por FISH 9 cromossomos. O aprimoramento das técnicas de cultivo embrionário, biópsia de blastocisto e screening cromossômico tem resultado no aumento das taxas de gestação e nascimento de bebês saudáveis.

 

 

 

P52 - Marcadores de estresse oxidativo no fluido folicular de mulheres inférteis com e sem endometriose submetidas à estimulação ovariana

Michele Gomes Da Broi1, Vanessa Silvestre Innocenti Giorgi1, Rui Alberto Ferriani1,2, Wellington Martins1, Jhenifer K. Rodrigues1, Paula Andrea navarro1,2

1Setor de Reprodução Humana, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo, 2Instituto nacional de Hormônios e Saúde da Mulher, CnPq, Brasil

OBJETIVO: o estresse oxidativo (EO) no microambiente folicular pode promover anormalidades meióticas e estar envolvido na etiopatogênese da infertilidade relacionada à endometriose (E). Assim, o objetivo deste estudo foi comparar seis marcadores de estresse oxidativo no fluido folicular (FF) de mulheres inférteis com e sem E submetidas à hiperestimulação ovariana controlada (EOC) para injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).
MATERIAL E MÉTODOS: foram prospectivamente incluídas no estudo 45 pacientes inférteis (18 com endometriose e 27 com fator tubário e/ou masculino de infertilidade) submetidas à EOC para realização de ICSI, com idade inferior a 38 anos, índice de massa corporal menor que 30 kg/m2 e níveis de FSH basal menor que 10 mil/mL. Amostras de FF sem contaminação sanguínea foram individualmente obtidas do primeiro folículo maior que 15mm aspirado no dia da captação oocitária a fim de determinar os níveis séricos glutationa (GSH), vitamina E (VITE), superóxido dismutase (SOD), capacidade antioxidante total (CAT), malondialdeído (MDA) e produtos avançados de oxidação proteica (AOPP). Os níveis foliculares de GSH, MDA e AOPP foram mensurados por espectrofotometria. Os níveis de SOD e CAT foram avaliados por ensaio imunoenzimático e os níveis de VITE por cromatografia líquida de alta eficiência. Os níveis totais de proteínas (pt) foram determinados por kits Labtest. Os dados paramétricos foram estatisticamente analisados pelo teste t não-pareado e os não-paramétricos pelo teste de Mann-Whitney. O nível de significância foi estabelecido em 5%.
RESULTADOS: os níveis de CAT foram significativamente maiores nos FF de mulheres inférteis com E quando comparadas às controles (0,51 ± 0,09 mMol equivalentes de Trolox /L e 0,44 ± 0,14 mMol equivalentes de Trolox /L, respectivamente). nenhuma diferença significativa para os demais marcadores foi observada entre os grupos.
CONCLUSÕES: nossos resultados indicam a presença de EO no FF de mulheres inférteis com endometriose pélvica submetidas à EOC. níveis aumentados de CAT no FF de pacientes com endometriose podem representar uma tentativa de prevenir o EO neste importante microambiente reprodutivo, o que precisa ser melhor avaliado em estudos futuros.

SUPORTE: FAPESP (Proc. 2008/58197-6), CnPq (Proc. 474858/2009-0), InCT.

PALAVRAS-CHAVE: endometriose; infertilidade; estresse oxidativo; fluido folicular.

 

 

 

P53 - Diagnóstico genético pré-implantacional em casais portadores de translocação revela alta incidência de aneuploidias não associadas ao rearranjo

Cuzzi, JF1; Vulcani-Freitas1, TM; Motta1, PCR; Bertelli1, T; Alegretti, JR2; Hassun, PA1.

1Genesis Genetics Brasil. São Paulo, SP, Brasil; 2Huntington Centro de Medicina Reprodutiva, São Paulo, SP, Brasil

OBJETIVOS: Alterações cromossômicas estruturais são uma das principais causas de abortos espontâneos e falhas repetidas de FIV. O objetivo deste trabalho é apresentar resultados técnicos e clínicos do diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) para casais portadores de translocações e inversões.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram realizados 53 ciclos de PGD em 22 casais. Destes pacientes, 14 eram portadores de translocação recíproca (RecT), 5 portadores de translocação robertsoniana (RobT), 1 portador de 2 translocaçães recíprocas e 2 portadores de inverSÕEs. A maioria dos casos a análise por hibridação genômica foi realizada a bióspia de trofectoderma biopsiados e analisdos pela técnica de hibridação genômica comparativa por arrays (aCGH), apenas 30% dos embriões foram biopsiados em dia 3.
RESULTADOS: no total, 265 embriões foram biopsiados e 258 foram diagnoosticados com sucesso (97,3%). Dos embriões analisados em cada grupo, os euplóides ou equilibrados corresponderam a 18,5% em RecT, 30% em RobT e 32% em inverSÕEs. Ao fazer o screening completo das células embrionárias, a aCGH mostrou que um terço dos embriões normais para os cromossomos envolvidos no rearranjo apresentaram aneuploidias para outro par cromossômico. A taxa de gestação clínica por transferência foi de 75%. O sucesso reprodutivo destes casais, independentemente da alteração estrutural, sofreu forte influencia da idade materna. Para casais RecT em que a idade materna era menor que 37 anos, a taxa transferência embrionária foi de 27% decaiu para 16% em mulheres com idade avançada. Os resultados também revelaram que o número de embriões euplóides varia de acordo com a origem do rearranjo, favorecendo casais em que o homem é portador da alteração (38 vs 25%).
CONCLUSÕES: Este levantamento mostrou que as aneuploidias afetam uma porcentagem significativa dos embriões normais para os cromossomos translocados. Desta forma, os resultados confirmam a vantagem metodológica do uso aCGH para o PGD de casais portadores de translocações. Além disso, este estudo também ressalta a importância de fatores clínicos como idade materna, baixa reserva ovariana e até mesmo do sexo do portador do rearranjo cromossômico, no sucesso do tratamento reprodutivo destes casais.

 

 

 

P54 - Comparação das técnicas de fish e cgh array no diagnóstico genético embrionário de casal portador de translocação

Vulcani-Freitas, TM1; Cuzzi; JF1; Motta, PCR1; Bertelli, TS1; Perin, PM2; Hassun, PA1

1Genesis Genetics Brasil, São Paulo, SP, Brasil; 2Centro Especializado em Reprodução Humana (CEERH). São Paulo, SP, Brasil

OBJETIVO: A técnica de Hibridação in situ Fluorescente (FISH) até final de 2010 era a única metodologia empregada no Brasil para diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) de casais portadores de translocação equilibrada. Com a introdução da Hibridação Genômica Comparativa por microarrajos (CGH array) foi possível analisar não somente os cromossomos envolvidos na translocação como também os demais cromossomos em um único teste. O objetivo do trabalho foi comparar as técnicas de FISH e CGH array no PGD de um caso de translocação.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram analisados 8 embriões de um casal portador de translocação recíproca equilibrada t(4;9)(q31;q32) de origem materna. Quatro embriões foram analisados pela técnica de FISH, utilizando sondas para os cromossomos (4 e 9) e mais os cromossomos (13, 18, 21, X e Y) que estão associados com o nascimento de crianças cromossomicamente afetadas. Os quatro restantes foram analisados pela técnica de CGH array.
RESULTADOS: Dois embriões, um por cada metodologia, foram identificados como normais para os cromossomos analisados. nos dois grupos da FISH e CGH array, 3 embriões possuíam alterações envolvendo os cromossomos 4 e 9, 2 destes apresentavam anomalias em outros cromossomos pela técnica de FISH e 1 pela CGH array. Além disso, pela CGH array foi possível detectar alteração em cromossomo em que a FISH não seria capaz de identificar e também possibilitou análise de deleções e duplicações nos cromossomos translocados. O casal obteve sucesso gestacional após a transferência realizada em D6 do embrião diagnosticado como normal pela CGH array, pois houve falha de implantação na primeira tentativa pela técnica de FISH.
CONCLUSÃO: As duas técnicas foram capazes de detectar alterações nos cromossomos envolvidos na translocação. no entanto, a técnica de FISH possui uma limitação quanto ao número de cromossomos analisados e na identificação de microalterações como duplicações e deleções, o que pode ter levado a falha de implantação do embrião identificado como normal. Já a técnica de CGH array além de analisar os cromossomos envolvidos na translocações consegue analisar todos os demais cromossomos, incluindo pequenas alterações, tornando-se a metodologia mais indica para identificação precisa e elucidação de alterações cromossômicas provenientes das translocações.

 

 

 

P55 - Mulheres inférteis com endometriose submetidas à estimulação ovariana apresentam maiores níveis circulantes de marcadores de estresse oxidativo no dia da captação oocitária

Michele Gomes Da Broi1, Vanessa Silvestre Innocenti Giorgi1, Rui Alberto Ferriani1,2, Wellington Martins1, Luciana Âzor Dib1, Paula Andrea navarro1,2

1Setor de Reprodução Humana, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo, 2Instituto nacional de Hormônios e Saúde da Mulher, CnPq, Brasil

OBJETIVO: o estressse oxidativo (EO) tem sido implicado na patogênese da infertilidade relacionada à endometriose (E). Evidências recentes tem sugerido a presença de EO sistêmico em mulheres com E, o que pode ser influenciado pela hiperestimulação ovariana controlada (EOC). Assim, o objetivo deste estudo foi comparar oito marcadores de EO no soro de mulheres com e sem endometriose submetidas à EOC no dia da captação oocitária. Material e Métodos: foram incluídas neste estudo 85 pacientes inférteis (39 com E e 46 com fator tubário e/ou masculino de infertilidade) submetidas à EOC para injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) com idade inferior a 38 anos. Amostras de sangue periférico foram coletadas no dia da captação oocitária a fim de determinar os níveis séricos de total de hidroperóxidos (FOX1), glutationa (GSH), vitamina E (VITE), superóxido dismutase (SOD), capacidade antioxidante total (CAT), malondialdeído (MDA), produtos avançados de oxidação proteica (AOPP) e 8-hidroxidesoxiguanosina (8-OHdG). FOX1, GSH, MDA e AOPP foram analisados por espectrofotometria. SOD, TAC e 8-OHdG foram analisados por ensaio imunoenzimático e VITE por cromatografia líquida de alta eficiência. Níveis totais de proteínas (pt) foram determinados por kits Labtest. Os dados foram estatisticamente analisados pelo teste t não-pareado. O nível de significância foi estabelecido em 5%.
RESULTADOS: os níveis de FOX1, GSH, VITE e SOD encontrados foram significativamente maiores, enquanto a CAT foi significativamente menor no soro de mulheres com E (8,57 ± 1,79 μMol/ g pt; 227,48 ± 51,16 nMol/g pt; 24,25 ± 6,93 μMol/L; 95,98 ± 39,94 U/mL; 0,36 ± 0,17 mMol equivalentes de Trolox/L, respectivamente) comparadas às controles (7,65 ± 1,78; 193,00 ± 46,09; 21,22 ± 6,13; 77,55 ± 31,71; 0,46 ± 0,15, respectivamente).
CONCLUSÕES: nossos dados indicam a ocorrência de EO sistemicamente identificável em mulheres inférteis com E submetidas à EOC no dia da captação oocitária. Outros estudos são necessários para elucidar se a ocorrência de EO sistêmico no dia da captação oocitária pode ser relacionada com piores resultados de ICSI.
SUPORTE: FAPESP (Proc. 2008/58197-6), CnPq (Proc. 474858/2009-0), InCT.

PALAVRAS-CHAVE: endometriose; infertilidade feminina; estresse oxidativo; soro; captação oocitária.

 

 

 

P56 - PGD para doenças monogênicas associado ao screening de aneuploidias

Vulcani-Freitas, TM1; Cuzzi, JF1; Morais, CE1; Motta, ELA2; Serafini, P2; Hassun, PA1

1Genesis Genetics Brasil; 2Huntington Medicina Reprodutiva

OBJETIVO: Diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) para doenças monogênicas tem como objetivo identificar embriões livres da mutação gênica herdada dos pais, sem se preocupar com a análise de alterações cromossômicas as quais são frequentes em casais que buscam a reprodução assistida. O objetivo deste trabalho foi avaliar os resultados das análises de alterações cromossômicas de casais que fizeram PGD para doenças monogênicas.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram avaliados 7 casais portadores de doenças monogênicas com idade materna média de 33 anos. Esses casais fizeram juntamente com o PGD, o Screening genético préimplantacional (PGS) pela técnica de CGH array. no total, 41 embriões foram analisados.
RESULTADOS: Do total de embriões analisados, 63% eram normais para doença gênica e desses 35% eram cromossomicamente alterados. Dos 7 casais, apenas um não teve transferência pois os 3 de 4 embriões, normais para doença monogênica, eram alterados cromossomicamente. Este casal tinha idade materna acima de 37 anos enquanto que os demais apresentaram idade abaixo de 37 anos. Dois casais que já transferiram os embriões livres da mutação e de aneuploidias estão com gestação em andamento. Os outros 4 casais estão aguardando o próximo ciclo para fazer a transferência embrionária.
CONCLUSÃO: Associar o PGS pela técnica de CGH array ao PGD para doenças monogênicas pode auxiliar no sucesso reprodutivo de casais portadores de doenças gênicas, uma vez que reduz os índices de falha de implantação e abortos decorrentes das aneuploidias, principalmente em casais com idade materna avançada.

 

 

 

P57 - Estudo caso-controle das alterações metabólicas no comprimento do telômero nas mulheres com síndrome dos ovários policísticos

Pedroso, D.C.C.1, Okuka, M.2, Martins W.P.1, Keefe D.L.2, Silva C.2, Reis R.M.1

1Setor de Reprodução Humana, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil;2Setor de Endocrinologia Reprodutiva e Infertilidade, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Universidade do Sul da Flórida, Tampa, FL, Estados Unidos da América.

OBJETIVO: Analisar o tamanho do telômero nas mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a associação do comprimento do telômero com a Resistência à Insulina (RI) e os marcadores inflamatórios.
MATERIAL E MÉTODOS: neste estudo caso-controle cada mulher com SOP foi pareada por idade (± 2 anos) e índice de massa corporal (IMC) (± 2 kg/m2) com uma mulher controle. Pressão arterial sistêmica, circunferência da cintura, perfil lipídico, glicemia, insulina, modelo homeostático da sensibilidade à insulina (HOMA-IR), LH (hormônio luteinizante), FSH (hormônio folículo estimulante), testosterona, androstenediona, 17-hidroxiprogesterona, prolactina, globulina de ligação de hormônio sexual (SHBG), proteína C reativa (PCR), homocisteína, Índice de androgênio livre (FAI) e hormônio estimulador da tireóide (TSH) foram analisados. O comprimento do telômero foi mensurado nos leucócitos através da Reação em Cadeia da Polimerase Quantitativa em Tempo Real. Os dados foram analisados pelo teste não paramétrico de Wilcoxon para as amostras dependentes e o modelo de regressão linear com efeitos mistos foi utilizado para avaliar as variáveis preditoras do tamanho do telômero.
RESULTADOS: Um total de 50 mulheres com SOP e 50 mulheres Controle foram avaliadas. O grupo SOP apresentaram níveis mais elevados de pressão arterial sistólica (116,6 mmHg ± 9,55 vs 112,11 ± 12,64, p=0,02), insulina (8,14 μIU/ml ± 7,37 vs 4,98 ± 4,52, p&lt;0,01), HOMA-IR (2,27 ± 2,18 vs 1,42 ± 1,35, p=0,03), LH (7,4 mU/ml ± 5,21 vs 4,98 ± 3,26, p&lt;0,01), FSH (4,39 mU/ml ± 2,05 vs 3,57 ± 1,93, p=0,03), testosterona (86,78 ng/dl ± 31,5 vs 66,5 ± 29,76, p&lt;0,01), androstenediona (104,68 ng/dl ± 45,24 vs 87,2 ± 32,04, p=0,01) e FAI (8,98 ± 9,61 vs 4,92 ± 3,43, p&lt;0,01). O comprimento do telômero no grupo SOP (3347,56 Kb ± 536,27) não diferiu do controle (3435,18 ± 483,02)(p = 0,52). não houve associação da RI e da PCR com o comprimento do telômero.
CONCLUSÕES: não encontramos encurtamento do telômero nas mulheres com SOP. Também não foi encontrada associação da RI e da PCR com o tamanho do telômero. Mais estudos em diferentes faixas etárias são necessários para determinar a influência das alterações metabólicas da SOP no comprimento do telômero.

 

 

 

P58 - O conhecimento dos níveis séricos do hormônio anti-mülleriano (AMH) é fundamental para uma boa estimulação ovariana, independentemente da idade e do peso corporal

Nilo Frantz, Andrea nácul, Marcos Höher, Mônica Martins da Silva, Marcelo O. Ferreira, Adriana Bos-Mikich

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz

OBJETIVOS: Verificar a possível correlação entre concentração sérica do AMH e a quantidade de gonadotrofinas necessárias para estimulação ovariana em diferentes faixas etárias e índices de massa corporal (IMC). Acessar a potencialidade do uso do nível sérico de AMH como um instrumento prognóstico de gestação em ciclos de RA.
MATERIAL E MÉTODOS: análise retrospectiva dos dados de AMH, IMC e gestações de 190 ciclos de RA, nos quais as pacientes foram estratificadas em 3 grupos: <35 anos, de 35 a 39 ou > 40.
RESULTADOS: nossos resultados demonstram que não houve diferença significativa nas taxas de gravidez em quaisquer das faixas etárias, nem entre as pacientes com IMC <25 ou >25. Houve, entretanto, em todas as faixas etárias e em ambos os grupos de IMCs uma diferença estatisticamente significativa nas doses de gonadotrofinas utilizadas para a estimulação ovariana em pacientes com AMH < 1ng/ml.
CONCLUSÕES: a dosagem do AMH é um excelente indicador da quantidade de gonadotrofinas exógenas que devem ser administradas às pacientes, especialmente àquelas jovens, mas que já apresentam de forma oculta uma reserva ovariana comprometida. Uma vez bem ajustada a estimulação ovariana, as taxas gestacionais não são diferentes entre pacientes mais jovens ou aquelas acima de 40 anos, com peso corporal aumentado ou não.

 

 

 

P59 - Solicitar ou não o amh como rotina para mulheres que recorrem às técnicas de reprodução humana assistida?

Marcos Höher, Adriana Bos-Mikich, Marcela Felix Fortis, nilo Frantz

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz

OBJETIVOS: AMH constitui útil ferramenta na escolha do protocolo e da dose de gonadotrofinas, além de predizer com acurácia o risco de má resposta e de hiperestimulação ovariana. no entanto, muitas instituições não o adotam nas suas rotinas ou solicitam somente após os 35 anos. O objetivo deste estudo foi revelar o perfil de reserva ovariana, através da dosagem do AMH, de mulheres de 20 a 39 anos que consultaram em uma clínica de reprodução assistida (RA). Com base nos dados obtidos, avaliar a aplicabilidade deste exame na rotina de um serviço de RA.
MATERIAL E MÉTODOS: analise dos registros de 209 mulheres que buscaram, de 2010 a 2012, atendimento em clínica de RA e tiveram os níveis de AMH aferidos. O grupo comportou pacientes com infertilidade conjugal (n=198), interessadas em criopreservação oocitária (n=10) e doadora (n=1), estratificadas em 2 faixas: 20-34 anos (n=103) e 35-39 anos (n=106).
RESULTADOS: dos casos analisados, 135 (48,2%) apresentaram níveis de AMH abaixo do percentil 25 (28,2%) ou acima do percentil 75 (20%) para a faixa etária. Do total, 22(10,5%) eram fumantes, 10 (4,8%) tinham endometrioma, 13 (6,2%), foram submetidas à cirurgia ovariana e 5 (2,4%) tinham somente um ovário. no grupo com idade de 20 a 34 anos, verificouse que 9 (8,7%) tinham AMH entre os percentis 25 e 10, e 13 (12,6%) abaixo do percentil 10, totalizando 21,3% de pacientes dessa faixa etária com AMH considerado baixo. Também foi constatado que 27 (26,2%) apresentaram níveis acima do percentil 75, sendo que 15 (14,6%) acima do percentil 90.
CONCLUSÃO: Com base nos nossos dados, acreditamos ser a relação custo-benefício favorável à sistemática dosagem do AMH, inclusive em mulheres jovens por adequar as expectativas de pacientes e profissionais envolvidos. É justamente neste grupo que, sem a prévia análise do AMH, nos deparamos freqüentemente com desempenhos inesperados, frustrantes ou exacerbados após a estimulação ovariana. Ressalta-se que, se é o AMH o melhor método para avaliar quantidade de folículos/oócitos, segue sendo a idade o melhor parâmetro qualitativo.

 

 

 

P60 - Gestaçãoclínicaapóstransferência de embriões desvitrificados obtidos em ciclo de IVM

Marcos Höher, Adriana BosMikich, Gerta Frantz, norma P Oliveira, nilo Frantz

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Centro de Pesquisa e Reprodução Humana nilo Frantz

OBJETIVO: descrever um caso de gestação clínica após a combinação bem sucedida de duas promissoras técnicas de reprodução humana assistida no Brasil, a maturação in vitro de oócitos (IVM) e a vitrificação de embriões.
MATERIAL E MÉTODOS: paciente PWM, 34 anos, AMH de 27.3 ng/ml, acometida por infertilidade de causa anovulatória devido à síndrome dos ovários policísticos se submeteu a ciclo de IVM. Foram coletados e encaminhados à maturação in vitro 27 complexos cumulus-oócitos. Os mesmos foram então denudados, sendo que 24 deles atingiram MII. Após inseminação por IMSI se obteve 15 zigotos, dos quais 10 apresentaram no mínimo 6 células no terceiro dia pós-fertilização. Diante de espessura endometrial desfavorável à transferência embrionária (3 mm), três embriões de 7-8 células e 1 mórula inicial foram vitrificadas. Após ciclo de preparo com 6 mg diários de valerato de estradiol via oral foi obtido endométrio medindo 7 mm e aspecto trilinear. Quando reaquecidos, dois embriões com boas características morfológicas foram selecionados e transferidos.
RESULTADO: a paciente apresentou gestação química que evoluiu para saco gestacional único na 5ª semana gestacional, não sendo, no entanto, verificado desenvolvimento embrionário à ultrassonografia.
CONCLUSÃO: apesar de esta gestação ter se interrompido, o seu relato corrobora recentes referências internacionais que indicam a vitrificação de embriões obtidos por IVM como alternativa para contornar a insuficiente proliferação endometrial, uma das limitações em ciclos não estimulados. Assim, este caso contribui para o maior entendimento e utilização da IVM em ciclos de RA humana.

 

 

 

P61 - Análise comparativa do fuso meiótico de oócitos humanos maturados in vivo pela microscopia de polarização e confocal de alto desempenho

Dib LA, Da Broi MG, Picinato MC, Giorgenon RS, Ferriani RA, navarro PAAS

Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/FMRP – USP

OBJETIVOS: Tendo em vista a escassez de dados na literatura sobre a capacidade preditiva de microscopia de polarização (PM) na identificação de anormalidades meióticas em oócitos humanos, os objetivos deste estudo foram comparar a concordância entre as técnicas da PM e da microscopia confocal (CM) na identificação do grau de maturidade nuclear oocitário e avaliar a percentagem de oócitos com fuso celular em posicionamento normal e de risco com normalidade e anormalidade meiótica e a percentagem dos oócitos com fuso visível ou não com normalidade e anormalidade meiótica.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo prospectivo realizado com pacientes inférteis submetidas à estimulação ovariana controlada para a realização de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). Oócitos humanos maturados in vivo com extrusão do primeiro corpúsculo polar (CP) foram avaliados por meio da técnica de PM e imediatamente após, foram fixados e corados para avaliação dos microtúbulos e cromatina por CM.
RESULTADOS: Foram analisados 73 oócitos frescos com presença do primeiro CP, oriundos de 23 pacientes. A análise pela PM evidenciou 03 oócitos em telófase I (TI) e 70 oócitos em metáfase II (MII), sendo 54 com o fuso celular visível. Dos 73 oócitos analisados pela CM, 06 estavam em TI e 67 em MI (47 foram fixados em visão sagital, sendo considerados analisáveis no presente estudo). Dos 47 oócitos MII analisáveis, 28 apresentaram fuso e distribuição cromossômica anormal e 19 apresentaram anormalidades meióticas. Observamos que 72.7% (08/11) dos oócitos em MII com fuso celular não visível à polarização apresentaram anormalidades meióticas à análise confocal e que 55.6% (20/36) dos oócitos em MII com fuso celular visível à polarização apresentaram-se como oócitos anormais à análise confocal e que somente 44.4% (16/36) dos oócitos com fuso celular visível à polarização apresentaram-se com fuso e distribuição normal à análise confocal.
CONCLUSÕES: A visualização do fuso meiótico de oócitos humanos em MII pela PM não seria um bom preditor para normalidade meióticas oocitárias. Os presentes achados tornam questionável a utilidade desta metodologia como ferramenta para a seleção não invasiva oocitária para os procedimentos de reprodução assistida.

 

 

 

P62 - O fluido peritoneal de mulheres inférteis com e sem endometriose minima/leve reduz a expressão dos genes gsr e cat em oócitos bovinos

Helena Malvezzi1, Michele Gomes Da Broi1, Julio Cesar Rosa e Silva1, Rui Alberto Ferriani1,2, Juliana Meola1, Paula Andrea navarro1,2

1Setor de Reprodução Humana, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo, 2Instituto nacional de Hormônios e Saúde da Mulher, CnPq, Brasil

OBJETIVOS: os mecanismos envolvidos na etiopatogênese da infertilidade relacionada à endometriose, especialmente nos estágios iniciais (endometriose mínima e leve, EI/II), não foram completamente elucidados, podendo a piora da qualidade oocitária estar envolvida. O potencial papel deletério do fluido peritoneal (FP) de mulheres com endometriose na qualidade oocitária tem sido questionado. Enzimas do sistema antioxidante, como a superóxido dismutase 1 (SOD1), catalase (CAT) e glutationa redutase (GSR) parecem ser importantes para a aquisição de competência oocitária. Assim, o objetivo do presente estudo foi verificar o impacto do FP de mulheres inférteis com EI/II, controle infértil (CI, fator masculino e/ou tubário de infertilidade) e controle fértil (CF) na expressão dos genes SOD1, CAT e GSR em oócitos bovinos maturados in vitro na presença de FP de pacientes desses 3 grupos.
MATERIAL E MÉTODOS: amostras de FP foram obtidas de 30 pacientes (10 com EI/II, 10 CI e 10 CF) durante videolaparoscopia. Oócitos bovinos imaturos foram submetidos à maturação in vitro (MIV) sem adição de FP (S-FP) e com a adição de 4 concentrações de FP de CI e CF. A expressão relativa dos genes SOD1, CAT e GSR nos oócitos maturados foi determinada por PCR em tempo real.
RESULTADOS: não houve influência das concentrações de FP na expressão gênica dentro de cada grupo analisado. Uma redução significativa na expressão dos genes GSR e CAT foi observada nos grupos EI/II e CI, comparados ao grupo CF.
CONCLUSÕES: os presentes achados demonstram haver uma menor expressão dos genes GSR e CAT em oócitos bovinos maturados in vitro na presença de FP de mulheres inférteis (com e sem EI/II) comparadas a mulheres férteis. nossos resultados apontam à possibilidade da infertilidade por se poder estar associada com a piora da capacidade antioxidante dos oócitos, o que pode comprometer a qualidade dos gametas, mesmo em mulheres que, aparentemente, não apresentam fatores para piora da qualidade oocitária. Estes achados precisam ser melhor avaliados em estudos futuros com metodologias pertinentes.
SUPORTE: InCT/CnPq.

PALAVRAS-CHAVE: endometriose; infertilidade feminina; maturação in vitro; fluido peritoneal; estresse oxidativo; expressão gênica.

 

 

 

P63 - Importância da espessura endometrial nos resultados de gravidez em ciclos de fertilização in vitro

Ana Paula Peixoto, Vinícius Rosa, José Augusto neto, Alessandro Schuffner

Clínica Conceber – Centro de Medicina Reprodutiva – Curitiba/PR

OBJETIVO: Demonstrar a importância da espessura endometrial nos resultados de gravidez em ciclos de fertilização in vitro (FIV), corroborando a literatura.
MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizado um estudo retrospectivo de caso-controle onde foram selecionadas 183 pacientes submetidas a protocolos diferenciados de fertilização in vitro (FIV), no período de Janeiro de 2011 a Março de 2012. Foi analisado a taxa de gravidez comparando as diferentes espessuras endometriais no dia da aplicação do hCG (gonadotrofina coriônica humana). Apenas foram considerados ciclos com transferência de embriões a fresco. Ciclos de doadoras não foram incluídos na análise. Foram realizadas três análises em relação ao ponto de corte da espessura endometrial no dia do Hcg: com 07, 08 e 09mm.
RESULTADOS: Conforme análise estatística realizada pelo teste de Fisher e considerando um p&lt;0,05 como critério para significância estatística, observou-se que a taxa de gravidez (ß-Hcg) foi menor no grupo com espessura inferior a 07mm (10%) versus 42,8% no grupo com espessura maior que 07mm, com p=0,04. nos pontos de corte 08 e 09mm também foi observada maior taxa de gravidez para endométrios mais espessos (27,8 e 56%; 33,3 e 45,3% respectivamente) , contudo não houve significância estatística nestes grupos (p=0,08 e p=0,12 respectivamente).
CONCLUSÕES: A taxa de implantação de embriões com boa qualidade ainda permanece baixa em ciclos de FIV, apesar dos grandes avanços nos regimes de estimulação ovariana e nas condições de manipulação dos gametas e embriões. É consenso na literatura que o sucesso na implantação depende de uma forte relação entre o endométrio e o blastocisto, onde vários fatores estão envolvidos, sendo um deles a espessura endometrial no dia do Hcg. Ainda não há consenso em relação à espessura endometrial mínima para a ocorrência de gravidez. A maioria dos autores concordam que a gravidez não ocorre com uma espessura endometrial menor que 07mm. neste estudo, foi possível observar uma diferença estatisticamente significativa neste ponto de corte, corroborando a literatura.

 

 

 

P64 - Evidência de baixa reserva ovariana em mulheres inférteis com endometriose profunda infiltrativa

Carolina Kimati1, Luciana Chamié2, Carolina Piazza2, Marcia Riboldi1, Eduardo LA Motta1,4, Paulo Serafini1,3.

1Huntington Medicina Reprodutiva, São Paulo, Brasil; 2Chamié Imagem da Mulher e Grupo Fleury, São Paulo, Brasil; 3Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, Brasil; 4Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, São Paulo, Brasil

OBJETIVO: Avaliar a incidência de endometriose profunda infiltrativa (EPI) bem como a contagem de folículos antrais (CFA) e dos níveis séricos de hormônio Anti-Mulleriano (HAM) em mulheres inférteis.
MATERIAL E MÉTODOS: 334 mulheres inférteis com idade entre 26-43 anos foram avaliadas para EPI através de ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal (TVSBP), através do ultrassom Voluson® E8. Presença de nódulos, infiltrado na parede intestinal, espessamento nas regiões dos ligamentos uterosacrais e cistos ovarianos (endometriomas) foram anotados. Dosagens de HAM foram realizadas por imunoensaio (Quest Diagnostics-ng/ mL). Pacientes foram divididas de acordo com a ausência/presença de EPI e de endometriomas em 3 grupos: Grupo I: ausência de EPI; Grupo II: presença de EPI sem OMAS e Grupo III: presença de EPI e OMAS. A análise estatística foi realizada pelo teste de ANOVA; p&lt;0,05.
RESULTADOS: O intervalo de infertilidade foi de 2,4±1,1 anos enquanto a idade das pacientes foi: GI:32,4±4,7; GII:35,3±4,1 e GIII:34,6±3,9 anos (p=0,37). Em 132 mulheres avaliadas, no GI não foi detectado EPI (39,5%), no GII 176 pacientes apresentavam EIP (52,7%) e no GIII 26 pacientes apresentavam EPI+OMAS (7,8%). Em GII e GIII foi observado um total de 120 EPI, sendo 71 ligamento redondo e 49 bexiga e peritônio vésico-uterino. no compartimento posterior foram detectadas 322 EPI, sendo 223 ligamentos uterosacrais, 32 rectovaginal/ paracervical, 2 ureteral e 65 entre retosigmóide e região ileocecal. no GIII mulheres apresentaram 59 endometriomas (1-60 cm3). A CFA por grupos foi GI:13,6±8,2; GII:9,5±6,9 e GIII:7,2±5,1; p&lt;0,001.Significante diminuição dos níveis séricos de HAM foi observada nas comparações entre os grupos; (GI) 1.8±0,9; (GII) 1,3±1,0; e (GIII) 0,9±0,7 ng/mL; (F=15.74) p=0,000.
CONCLUSÃO: A comprovação da elevada incidência de EPI presente em vários sítios da pelve de mulheres inférteis tornam o exame de TVSBP com profissional experiente imprescindível. Aconselhamento detalhado após exame é imperativo. OS achados de significativa redução da CFA e do HAM em mulheres com multiplas leSÕEs de EPI e as com a presença de endometriomas tem grande relevância clínica e para estimar futuro reprodutivo. Adiciona-se também a importância destes dados quanto ao aconselhamento da paciente e na escolha da dose dos fármacos a serem usados para a fase da indução da ovulação.

 

 

 

P65 - A idade da doadora até os 36 anos não afeta os resultados da doação compartilhada de oócitos

Lopes V. M.1; Brasileiro J.P.B.1; Pereira T. R.1; Santos J.M.2; Adami K.2; Lopes J.R.C.2

1Instituto VERHUMBrasília; 2Cenafert -Salvador

OBJETIVO: Comparar índices de gravidez em ciclos de FIV/ICSI, em receptoras que receberam óvulos frescos doados.
MATERIAL E MÉTODOS: Resultados de doação compartilhada de óvulos no período de janeiro/1993 a dezembro/2008, em dois serviços brasileiros, foram analisados, totalizando 362 transferências de embriões frescos em receptoras. Critérios de seleção das doadoras: idade entre 18 e 23 anos, histórico familiar, cariótipo, FSH basal <10 UI/L e avaliação psicológica. Critérios de seleção das receptoras: necessidade óvulos doados para submeter-se a FIV/ICSI, boa saúde, avaliação psicológica e idade <51 anos. Utilizou-se bloqueio hipofisário com agonista do GnRH, na fase lútea média, em todas as doadoras e em receptoras com função ovariana. Estimulação ovariana com FSH e/ou HMG. Preparo endometrial das receptoras com valerato de estradiol em doses crescentes, desde o início de estímulo das doadoras. Óvulos partilhados igualmente entre doadoras e receptoras. Apoio luteal com progesterona IM/vaginal. Transferências realizadas no quarto dia de uso de progesterona. Receptoras divididas em: Grupo A (218 transferências), recebendo óvulos de doadoras <31 anos; Grupo B (144 transferências) recebendo óvulos de doadoras ≥ 31anos. Média de idade das doadoras do Grupo A foi de 27,4 (± 5,14) e Grupo B foi de 32,5 (± 1,31)anos, respectivamente. Idade das receptoras, nº de oócitos inseminados, embriões transferidos e índices de gestação evolutiva (≥12 semanas) analisados estatísticamente (Statistical package for social Science versão 10.0), Mann Whitney U teste e Student’s t-test.
RESULTADO: Média de idade das receptoras no Grupo A de 41,7 (± 4,95) vs 42,0 (± 5,14) no grupo B. Média de oócitos injetados e embriões transferidos para o Grupo A e Grupo B foram, respectivamente, 7,4 vs 7,9 e 3,1 vs 3,5 (p=0,39). Os índices de implantação e gestação evolutiva foram, respectivamente, Grupo A e Grupo B: 17,0% (127/744) vs 16,5% (84/508) (p=0,80) e 33,03% (72/218) vs 27,78% (40/144) (p=0,29). Sem diferença estatisticamente significante ao intervalo de confiança de 95% entre os resultados.
CONCLUSÕES: Doadoras com <31 anos não oferecem melhores resultados gestacionais em receptoras, em relação ao grupo de doadoras na faixa etária de 31 a 36 anos.

 

 

 

P66 - ANÁLISE DOS RESULTADOS DE AnÁLISES SEMInAIS COnSIDERAnDO OS PARÂMETROS DE nORMALIDADE ESTABELECIDOS nOS MAnUAIS DA OMS 1999 E 2010 EM POPULAÇÃO DO nORDESTE DO BRASIL.

Erika Caldas1,2; Bárbara Repolho1; Monica Almeida1,2; Sabrina MR Jacinto-Costa1; Tatiana CS Bonetti1,3; George H. Caldas1

1CEMISE-VIDA – Centro de Reprodução Humana, Aracaju – SE, Brasil; 2Universidade Federal de Sergipe/ RENORBIO UFS, Aracaju – SE, Brasil; 3Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Departamento de Ginecologia, São Paulo – SP, Brasil

OBJETIVO: O método padrão para análise seminal se baseia no manual da Organização Mundial da Saúde (OMS), WHO laboratory manual for the examination and processing of human semen. O manual publicado em 1999 foi utilizado até 2009 e o manual atualizado e publicado em 2010 traz modificações nos limites de normalidade para concentração (de 20x106 para 15x106 espermatozóides/mL), motilidade progressiva (de 50% para 32%), e morfologia baseada nos critérios de Tygerberg (de 14% para 4%). O objetivo deste estudo foi verificar concordância dos resultados de análises seminais considerando os parâmetros de normalidade estabelecidos nos manuais da OMS 1999 e 2010.
CASUÍSTICA E MÉTODO: Foram avaliadas retrospectivamente 1884 análises seminais realizadas entre 2001 e 2012, cujos resultados não apresentassem azoospermia. Os exames foram classificados de acordo com concentração, motilidade e morfologia utilizando os parâmetros de normalidade estabelecidos nos manuais da OMS de 1999 e 2010.
RESULTADOS E CONCLUSÕES: Em relação à concentração, 32,4% dos pacientes eram considerados oligozoospérmicos segundo OMS 1999, e 26,9% pela OMS 2010 (Kappa 0,87). Para motilidade, 25,7% eram astenozoospérmicos (OMS 1999) e apenas 17,2% pela OMS 2010 (Kappa 0,75). Para morfologia, havia 84,4% de pacientes teratozoospérmicos segundo OMS 1999 e apenas 31,7% pela OMS 2010 (Kappa 0,16). Pudemos notar que em todos os parâmetros, principalmente na morfologia, muitos pacientes que antes eram considerados com parâmetros anormais, passam a ter resultados dentro dos novos limites de normalidade modificando a interpretação dos resultados, podendo acarretar em mudanças incluindo o efeito sobre o encaminhamento do paciente, diagnóstico e tratamento de condições reconhecidas, tais como varicocele, e sobre as indicações de tecnologias de reprodução assistida. nossos achados corroboram com a diminuição dos limites de normalidade dos parâmetros seminais.

PALAVRAS - CHAVE: OMS; análise seminal; infertilidade masculina.

 

 

 

P67 - Uso de hmg isolado versus fsh recombinante (Fsh-R) isolado versus fsh-r associado a hmg em ciclos de fertilização in vitro (FIV) e taxa de gravidez

Ana Paula Peixoto, Vinícius Rosa, José Augusto Lucca neto, Alessandro Schuffner

Clínica Conceber – Centro de Medicina Reprodutiva – Curitiba/PR

OBJETIVO: Analisar a taxa de gravidez obtida, incluindo gestações bioquímicas, com diferentes protocolos de indução ovulação para ciclos de FIV realizados na clínica no período de janeiro de 2011 a março de 2012.
MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizado um estudo observacional com um total de 185 pacientes, sendo estas divididas em três grupos, de acordo com os protocolos utilizados: 88 receberam hMG isolado (grupo 1), 63 receberam FSH-r isolado (grupo 2) e 21 receberam FSH-r associado a hMG (grupo 3). A média de idade foi de 35 anos para o grupo 1, 33 anos para o grupo 2 e 37 anos para o grupo 3. O principal fator de infertilidade foi causa feminina para os três grupos. Em relação ao uso de agonista ou antagonista de GnRH, optou-se por agrupar estes 02 subgrupos, sendo o esquema com antagonista o principal utilizado (93 %).
RESULTADOS: Conforme análise estatística realizada pelo teste chi-quadrado e considerando um p&lt;0,05 como critério para significância estatística, observou-se que a taxa de gravidez positiva (clínica) foi semelhante nos 03 grupos: 30,0% para o uso de hMG isolado versus 34,9% para o uso de FSH-r isolado versus 33,3% para o uso de FSH-r associado a hMG. Também não houve diferença estatística entre os grupos em relação às taxas de gravidez negativa e de gravidez bioquímica.
CONCLUSÕES: Inúmeros estudos são constantemente realizados comparando os diversos protocolos de estimulação ovariana controlada e sua eficácia. No entanto, não existe um consenso para cada grupo, devendo cada paciente ser analisada individualmente de acordo com a idade, fator causal da infertilidade, resposta anterior a outros tipos de protocolos, entre outras variáveis. Este estudo mostrou uma taxa de gravidez positiva semelhante com os 03 principais tipos de protocolos utilizados em ciclos de FIV.

 

 

 

P68 - Diagnóstico genético pré-implantacional por cgh-array em 223 ciclos de fertilização in vitro com biópsia de blastocisto

Mariana nicolielo1, José Roberto Alegretti1,2, Bruna Barros1, natali Guimarães nóbrega1, Paulo Serafini1,3, Eduardo Motta1,2.

1Huntington Medicina Reprodutiva São Paulo; 2Universidade Federal de São PauloUNIFESPDepartamento de Ginecologia; 3Universidade de São PauloUSPCentro de Reprodução Humana Mario Covas

OBJETIVO: Comparar as taxas de implantação e gestação em pacientes de diferentes idades que se submeteram a ciclos de FIV, após realização do Diagnóstico Genético Préimplantacional (PGD) por indicação de falhas de implantação, abortos espontâneos, mulheres com idade avançada ou histórica de alteração genética familiar, através da técnica de Hibridação Genômica Comparativa por array (CGH-array).
MATERIAIS E MÉTODOS: Entre novembro/2010 a março/2012 foram analisados 223 pacientes. As mulheres foram divididos em 2 grupos etários: A) ≤ 37; B) ≥38 anos. Em dia 3 de cultivo embrionário, os embriões entre 06-10 células foram submetidos ao hatching e cultivados a 90%n2/5%O2/5%CO2. Em dia 5, procedeuse a biópsia de trofectoderma nos blastocistos e em dia 6, os embriões euplóides foram transferidos ao útero. Os resultados foram comparados pelo teste t de Student e qui-quadrado (p&lt;0,05).
RESULTADOS: Foram avaliadas 89 pacientes no grupo A e 134 no grupo B. A média de ovócitos coletados foi semelhante entre os dois grupos (A=12,40±5,90; B=10,90±5,50; p=0,051). Observaramse diferenças significativas no número de: ovócitos maduros (A=10,50±4,90; B=9,10±4,40; p=0,03), ovócitos fertilizados (A=8,70±4,20; B=7,60±3,09; p=0,047) e blastocistos (A=4,30±2,30; B=3,70±1,60; p=0,013). no grupo A, todos os casos apresentaram blastocistos formados em dia 05, já no grupo B, 01 caso não apresentou formação de blastocisto, com a biópsia cancelada (0,7%). Observou-se menor taxa de embriões aneuplóides no grupo A em relação ao grupo B (A=62,0%; B=82,0%; p&lt;0,001), menor taxa de cancelamento por ausência de embriões euploides (A=20,20%; B=53,0%; p&lt;0,001) e número de embriões transferidos (A=1,50±0,60; B=1,30±0,50; p=0,025). Contudo, não foram verificadas diferenças estatísticas significativas nas taxas de implantação (A=36,0%, B=33,0%; p=0,627) e taxas de gestação (A=47,0%; B=39,0%; p=0,482). A taxa de gestação por ciclo iniciado foi de 37,0% no grupo A e 18,0% no grupo B (p&lt;0,001).
CONCLUSÕES: nosso estudo sugere que ciclos de FIV após a identificação cromossômica embrionária, através da técnica de aCGH com biópsia em blastocisto e transferência em dia 6, que apresentarem embriões euplóide, proporcionaram maiores taxas de implantação e gestação, independente da idade reprodutiva da mulher.

 

 

 

P69 - Marcadores séricos e foliculares de estresse oxidativo e resposta à hiperestimulação ovariana controlada em ciclos de ICSI

Paula Andrea navarro1, Gustavo Salata Romão2, Michele Gomes Da Broi1, Wellington de Paula Martins1, Rui Alberto Ferriani1, Alceu A Jordão Junior1.

1Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP; 2Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos

OBJETIVO: o estresse oxidativo (EO) pode estar envolvido na etiologia da maturação oocitária e desenvolvimento embrionário afetados. Entretanto, o potencial impacto do EO na resposta ovariana à hiperestimulação controlada (EOC) para ciclos de FIV ainda não foi avaliada. Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar a relação entre os níveis de marcadores de EO no soro e fluido folicular (FF) e os padrões de resposta à EOC em ciclos de FIV.
MATERIAL E MÉTODOS: foram incluídas no estudo 85 mulheres inférteis com idade inferior a 38 anos e fator masculino e/ou tubário de infertilidade submetidas à EOC para realização de injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI). Amostras de sangue periférico e de FF sem contaminação sanguínea foram coletadas no dia da captação oocitária. Os níveis de total de hidroperóxidos (FOX1), glutationa (GSH), vitamina E (VITE), superóxido dismutase (SOD), capacidade antioxidante total (CAT), malondialdeído (MDA), produtos avançados de oxidação protéica (AOPP) e 8-hidroxidesoxiguanosina (8-OHdG) foram avaliados. FOX1, GSH, MDA e AOPP foram avaliados por espectrofotometria; SOD, TAC e 8-OHdG foram avaliados por ensaio imunoenzimático e VIT E por cromatografia líquida de alta eficiência. Os níveis totais de proteínas (pt) foram determinados por kits Labtest. Com base no número de oócitos recuperados, as pacientes foram divididas em más-respondedoras (≤ 3 oócitos; 24 pacientes) ou normo-respondedoras (> 3 oócitoos; 61 pacientes).
RESULTADOS: as más-respondedoras apresentaram níveis séricos de AOPP e MDA significativamente menores, maiores níveis circulantes de 8-OHdG e maiores níveis foliculares de FOX-1 quando comparadas às normo-respondedoras.
CONCLUSÕES: níveis circulantes diminuídos de AOPP e MDA, indicadores de dano oxidativo às proteínas e lipídicos, respectivamente, e aumentados de 8-OHdG, marcador de dano oxidativo ao DnA, assim como maiores níveis foliculares de FOX1 no dia da captação oocitária, sugestivo da presença de estresse oxidativo no microambiente folicular, podem estar relacionados a má resposta à EOC em ciclos de FIV.
SUPORTE: FAPESP (Proc. 2008/58197-6), CnPq (Proc. 474858/2009-0), InCT.

PALAVRAS - CHAVE: ICSI; resposta à hiperestimulação ovariana controlada; estresse oxidativo; fluido folicular; soro;

 

 

 

P70 - Fator de estimulação de colônia de granulócito (g-csf) pode melhorar resultados em ciclos de fertilização in vitro em más respondedoras

Arnaldo Schizzi Cambiaghi, Rogério de Barros Ferreira Leão e Patricia Figueiredo do nascimento

IPGO Instituto de Ginecologia, Obstetricia e Medicina da Reprodução

OBJETIVO: O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia do G-CSF em melhorar a resposta em ciclos de Fertilização in vitro (FIV) de pacientes más respondedoras.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foi realizado um estudo prospectivo de Julho a Dezembro de 2011, onde foram selecionadas 10 mulheres que seriam submetidas a ciclos de FIV e que cumpriam os seguintes critérios: 2 falhas prévias de FIV em ciclos com menos de 3 óvulos e FSH sérico normal no terceiro dia do ciclo. Todas foram submetidas ao mesmo protocolo de estimulação ovariana realizado no seu último ciclo, associado a 0,25 ml Filgrastim 300 mcg/ml subcutâneo em dias alternados a partir do início da estimulação ovariana e repetido por 4 vezes. As variáveis estudadas foram: número de oócitos, número de oócitos maduros e número de embriões, expressas como médias; e taxa de gravidez, expressa em porcentagem. As variáveis foram comparadas entre o ciclo atual e o último ciclo prévio. Médias foram comparadas utilizando teste t de Student. Para comparar a taxa de gravidez, foi realizado teste exato de Fisher.
RESULTADOS: no ciclo prévio, sem G-CSF, tinham sido obtidos em média 0,9 oócito, 0,7 oóocito maduro e 0,5 embrião, sem nenhuma gravidez. nos ciclos com G-CSF, foram obtidos 3,4 oócitos, 2,3 oócitos maduros, 1,8 embriões e taxa de gravidez de 20%. Apesar do aumento em todos os parâmetros, nenhum teve diferença estatisticamente significativa.
CONCLUSÃO: Em mulheres más respondedoras, a terapia adjuvante com G-CSF parece aumentar o número de oócitos e embriões, assim como melhorar a taxa de gravidez. Entretanto, são necessários estudos com maiores casuísticas para se confirmar a eficácia do tratamento neste grupo de pacientes.

 

 

 

P71 - Prevalência de causas de infertilidade em pacientes atendidos em um serviço de reprodução assistida

Mônica Canêdo Silva Maia; Tatiana Moreira Da Silva; Jalsi Tacon Arruda; Mário Silva Approbato

Universidade Federal de Goiás, Hospital das Clínicas, Laboratório de Reprodução Humana

OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi descrever a prevalência das causas de infertilidade em casais atendidos em um serviço de Reprodução Humana.
MATERIAL E MÉTODOS: Foi realizada uma análise retrospectiva e quantitativa utilizando planilha Excel do banco de dados do serviço.
RESULTADOS: Foram estudados 428 casais atendidos no período de Janeiro de 2008 a Dezembro de 2011. Esses casais apresentaram 480 causas de infertilidade, já que a associação de fatores é comum. O fator mais freqüente foi o tubárioperitoneal, correspondendo a 160 casos (37,4%), destes, 88 (55,0%) foram mulheres arrependidas da laqueadura tubária (LTB) prévia. Em seguida: fator masculino com 157 registros (36,7%) e endometriose com 50 registros (11,7%). Com menor freqüência: fator ovariano/ ovulatório com 25 casos (5,8%), infertilidade sem causa aparente 23 casos (5,4%), fator uterino/cervical 5 registros (1,2%) e causa sistêmica 8 registros (1,8%).
CONCLUSÃO: Os resultados analisados demonstraram que o fator predominante como causa de infertilidade foi o tubárioperitoneal, relacionado em grande parte, à esterilização cirúrgica. Os resultados obtidos estão de acordo com os descritos na literatura.

PALAVRAS-CHAVE: infertilidade, fator tubário.

 

 

 

P72 - Fator estimulador de colônia de granulócito (G-CSF) como terapia adjuvante em ciclos de fertilização in vitro pode ser uma alternativa para mulheres com falhas repetidas de implantação

Arnaldo Schizzi Cambiaghi, Rogério de Barros Ferreira Leão e Patricia Figueiredo do nascimento

IPGO Instituto de Ginecologia, Obstetricia e Medicina da Reprodução

OBJETIVO: O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia do G-CSF em melhorar as taxas de implantação e gravidez em ciclos de Fertilização in vitro (FIV) em pacientes com falhas repetidas de implantação.
MATERIAL E MÉTODOS: Foi um estudo prospectivo realizado entre novembro de 2011 e Março de 2012, onde foram selecionadas 20 mulheres que seriam submetidas a ciclos de FIV com antecedente de pelo menos 2 falhas em ciclos de FIV com transferência de pelo menos um embrião, idade menor ou igual a 40 anos e FSH sérico normal em fase folicular inicial. As pacientes foram divididas aleatoriamente em dois grupos. Todas foram submetidas ao mesmo protocolo de indução ovariana com antagonista de GnRH e hMG. no grupo 1, além do suporte usual de fase lútea, as mulheres receberam 0,25 ml de Filgrastim 300 mcg/ml subcutâneo em dias alternados a partir do dia da transferência de embriões até a confirmação de saco gestacional ao ultrassom realizado 4 semanas após a transferência. no grupo 2, receberam somente suporte de fase lútea. As variáveis estudadas foram: idade, número de oócitos, número de oócitos maduros e número de embriões, expressas como médias; e taxa de implantação e gravidez, expressas em porcentagem. Médias foram comparadas utilizando teste T de Student. Para comparar as taxas, foi realizado teste exato de Fisher.
RESULTADOS: não houve diferença em relação à idade, número de oócitos, oócitos maduros e embriões entre os dois grupos. no grupo que utilizou G-CSF, foram observadas maiores taxas de implantação (19% versus 10%) e de gravidez (40% versus 20%). Os resultados não foram estatisticamente significativos, talvez devido ao pequeno número de casos.
CONCLUSÃO: Terapia adjuvante com G-CSF pode melhorar a taxa de gravidez em ciclos de FIV de pacientes com antecedente de falhas prévias. Entretanto, estudos com casuísticas maiores devem ser feitos para se confirmar sua eficácia assim como o grupo de pacientes que poderiam ser beneficiadas com seu uso.

 

 

 

P73 - Injeção intra-uterina de fator de estimulação de colônia de granulócito (G-CSF) para expandir endométrio fino em ciclos de fertilização in vitro: Relato de 6 casos

Arnaldo Schizzi Cambiaghi, Rogério de Barros Ferreira Leão e Patricia Figueiredo do nascimento

IPGO Instituto de Ginecologia, Obstetricia e Medicina da Reproducao

OBJETIVO: O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia do G-CSF para expandir endométrio fino arresponsivo em ciclos de transferência de embriões.
MATERIAL E MÉTODOS: nós relatamos 6 casos de pacientes submetidas a ciclos de FIV com endométrio sem resposta (<7mm) mesmo com altas doses de estradiol e terapia com sildenafil. Todas foram submetidas a injeção intra-uterina de 1 ml de Filgrastim 300UI/ml. Três delas eram receptoras de oócitos doados e 2 estavam em ciclo de transferência de embrião congelados. Elas receberam a injeção no 7º dia do preparo endometrial. Uma delas estava em ciclo de estimulação ovariana para FIV e recebeu a injeção de G-CSF no 8º dia da estimulação ovariana.
RESULTADOS: A paciente em ciclo de estimulação ovariana teve expansão do endométrio para 8 mm no dia do HCG e obteve gravidez. As receptoras de óvulos doados mantiveram endométrio abaixo de 7 mm e os embriões foram congelados. Uma das pacientes do ciclo de congelado atingiu 7 mm de endométrio e o embrião foi transferido, mas beta-HCG negativo. A outra mulher em ciclo de congelado não teve expansão do endométrio e o embrião não foi transferido.
CONCLUSÃO: Injeção intra-uterina de G-CSF não apresentou efeito na linha endometrial em pacientes com endométrio fino sem resposta ao preparo endometrial.

 

 

 

P74 - Injeção intra-uterina de gonadotrofina coriônica humana (HCG) antes da transferência embrionária pode melhorar a taxa de gravidez em ciclos de fertilização in vitro de pacientes com múltiplas falhas de implantação

Arnaldo Schizzi Cambiaghi, Rogério de Barros Ferreira Leão e Patricia Figueiredo do nascimento

IPGO Instituto de Ginecologia, Obstetricia e Medicina da Reproducao

OBJETIVO: O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia da injeção intra-uterina de hCG antes da trasnferência de embriões em melhorar as taxas de implantação e gravidez em pacientes com falhas em ciclos de fertilização in vitro (FIV) prévias.
MATERIAL E MÉTODOS: Foi um estudo prospectivo realizado entre janeiro e abril de 2012, onde foram selecionadas 11 mulheres que seriam submetidas a ciclos de FIV com antecedente de pelo menos 2 falhas anteriores em ciclos com transferência de pelo menos um embrião, idade menor ou igual a 40 anos e FSH sérico normal em fase folicular inicial. Todas foram submetidas ao mesmo protocolo de estimulação ovariana usada no seu último ciclo. Os critérios de exclusão foram: linha endometrial no dia do hCG não maior que 7mm e menos de 2 embriões para transferência. Todas foram submetidas à injeção intra-uterina de 500 UI de hCG 6 horas antes da transferência. As variáveis estudadas foram: número de oócitos, número de oócitos maduros e número de embriões, expressas como média; e taxa de implantação e gravidez, expressas em porcentagem. Médias foram comparadas utilizando teste T de Student. Para comparar as taxas, foi realizado teste exato de Fisher.
RESULTADOS: não houve diferença em relação ao número de oócitos, oócitos maduros e embriões entre os dois grupos. Com o uso do hCG tivemos um aumento na taxa de implantação (de 0 para 14%) e gravidez (0 para 36%). Os resultados não foram estatisticamente significativos, talvez devido ao pequeno número de casos.
CONCLUSÃO: a injeção intra-uterina de hCG antes da transferência de embriões pode melhorar as taxas de implantação e gravidez em pacientes com história de falhas prévias de implantação. Apesar de não ser um ensaio clinico randomizado, duplo-cego, os resultados são encorajadores para que maiores estudos sejam realizados para se avalair a real eficácia desta terapia neste grupo de pacientes.

 

 

 

P75 - Alterações no exame seminal de pacientes atendidos em um serviço de reprodução assistida

Mônica Canêdo Silva Maia; Tatiana Moreira Da Silva; Jalsi Tacon Arruda; Mário Silva Approbato

Universidade Federal de Goiás, Hospital das Clínicas, Laboratório de Reprodução Humana

OBJETIVO: Realizar uma pesquisa, através de nosso banco de dados, dos resultados de exame seminal de pacientes atendidos em um serviço de Reprodução Humana, verificando, entre os exames anormais, qual alteração teve maior prevalência.
RESULTADOS: Dos 268 exames analisados, 183 (68,3%) apresentaram alterações no líquido seminal, sendo que: 11 (6,0%) eram oligozoospérmicos; 7 (3,8%) astenozoospérmicos; 11 (6,0%) azoospérmicos; 79 (43,2%) teratozoospérmicos. Dois tipos de alterações: oligoastenozoospermia 7 casos (3,8%); oligoteratozoospermia 16 casos (8,8%); astenoteratozoospermia 19 casos (10,4%). Em 33 casos (18,0%) havia os três tipos de alterações.
CONCLUSÕES: As causas mais freqüentes de subfertilidade masculina são: varicocele, obstruções, criptorquidia, infecções, gonadotoxinas, disfunção ejaculatória, falência testicular, causas genéticas e fatores ambientais como o fumo e álcool. Verificamos que entre os casos analisados há altas taxas de exame do sêmen alterado. A principal anormalidade verificada no período estudado foi na morfologia dos espermatozóides (teratozoospermia) que tem sido correlacionada clinicamente com varicocele e tabagismo.

PALAVRAS - CHAVE: espermograma, infertilidade masculina.

 

 

 

P76 - Exposiçãoaodietilestilbestrol(DES) ainda presente, requer atenção na RA: Modificações epigenéticas em curso?

Santos, M.J.B.1 2 ; Mancebo, A.C.A.1; Antunes, R.A.1; Areas, P.C.F.1; Souza, M.M.1; Souza, M.C.B.1

1FERTIPRAXISClinica de Reprodução Humana RJ;

2Profeminina – Centro de Saúde da Mulher RJ

INTRODUÇÃO: A exposição intra-útero ao DES tem impacto negativo sobre a prole das pacientes submetidas a seu uso. Embora proibido há pelo menos 40 anos, seguimos diagnosticando (Santos e col, 2011) modificações uterinas, possivelmente na segunda geração dos casos. É esperado que algumas destas mulheres busquem as técnicas de RA.
OBJETIVO: Demonstrar que ainda existem pacientes sob os efeitos do DES como dificultador reprodutivo, o que exige atenção aos métodos de imagem, para diagnóstico e acompanhamento adequados.
MATERIAL E MÉTODO: Descrevemos 01caso clínico em paciente de 34 anos com infertilidade primária há 2 anos e 4 meses. Ciclos regulares, útero T-shaped na HSG, segmento inferior longo, cavidade hipoplásica, OI incompetente (achados confirmados na Histeroscopia). Espermograma normal. Há histórico materno anterior de uso de medicações hormonais na sua gravidez, embora com dificuldade de reconhecer uma lista de nomes comerciais anteriores, do mesmo. Em 2010 submetida a IIU sem êxito. Em 2011 ciclo de ICSI, protocolo com valerato de estradiol 4mg/dia-7 dias, prévio à menstruação. Protocolo: rFSH 2250 UI + antagonista GnRH (4 doses), rhCG. Obteve-se 6 oócitos MII, dos quais 5 fertilizaram, sendo transferidos 2 embriões de boa qualidade, no dia 3. Resultou gestação única, parâmetros ducto venoso, osso nasal e translucência nucal sem anormalidades, colo uterino fechado (12,5 semanas). Monitorada, USG com 14 semanas demonstrava colo uterino aberto, sendo realizada a circlagem. Com 24 semanas, US morfológico normal, segue bem.
DISCUSSÃO: Estes efeitos DES não deveriam mais estar sendo encontrados. Persiste a dificuldade no relato de dados das mães, que mostram alguma “culpa” quando questionadas. A RA parece ser uma boa opção para as pacientes, e os relatos devem ser mantidos, na busca de uma explicação genética adequada, além de apontar para a necessidade de monitoragem obstétrica.
CONCLUSÃO: O atual relato de gravidez em paciente de RA sugere também incluir a possibilidade de busca de alterações epigenéticas estendidas para sua prole. Tais registros devem ser estimulados para alcançar uma explicação genética adequada, além de apontar para a necessidade de monitoragem obstétrica.

 

 

 

P77 - Processamento seminal por gradiente coloidal seleciona espermatozóides de acordo com a atividade mitocondrial

Pariz, JR1; Monteiro, RAC1; Pieri1,2, PC; Hallak, J1,3,4.

1Androscience – Clínica e Laboratório de Referência em Andrologia, Criopreservação e Reprodução Masculina, SP-SP; 2Laboratório de Biologia Molecular e Celular LIM15 Faculdade de Medicina da USP, SP-SP; 3Setor de Andrologia, Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina da USP, SP-SP; 4Unidade de Toxicologia Reprodutiva, Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, SP-SP.

OBJETIVO: Processamento seminal é uma técnica utilizada para separar gametas viáveis, remover toxinas e otimizar o potencial fértil, entretanto, a avaliação das características funcionais dos espermatozóides, importantes para o entendimento das interações celulares nos processos de fertilização, são frequentemente ignoradas durante os procedimentos de reprodução assistida. O objetivo deste estudo é avaliar o papel de seleção de espermatozóides de acordo com sua atividade mitocondrial durante o processamento seminal por gradiente coloidal.
MATERIAL E MÉTODO: A atividade mitocondrial dos espermatozóides foi avaliada pelo método de coloração por 3,3’-diaminobenzidina (DAB), no qual o corante é oxidado e depositado na bainha mitocondrial ao longo da peça intermediária dos espermatozóides, permitindo classificá-los como: classe I (100% da peça intermediária corada), classe II (mais de 50% da peça intermediária corada), classe III (menos de 50% da peça intermediária corada) e classe IV (ausência de coloração na peça intermediária). Iniciamente, foi realizada a análise seminal de rotina de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (1999), seguida pelo processamento da amostra pelo método de separação por gradiente coloidal utilizando-se Isolate (Irvine Scientific), em que a força centrífuga (300 x g por 15 minutos) aplicada à amostra separa os espermatozóides viáveis, com melhor qualidade e depositados na camada inferior do tubo, dos espermatozóides não viáveis (camada superior do tubo). Foram avaliados a atividade mitocondrial dos espermatozóides da amostra à fresco, dos espermatozóides recuperados na camada inferior e da camada superior do processamento.
RESULTADOS: Foram avaliadas 7 amostras seminais e os resultados estão ilustrados na tabela a seguir:
CONCLUSÃO: Podemos sugerir que o processamento seminal pelo método de gradiente coloidal pode ser utilizado para a separação de espermatozóides de acordo com a sua atividade mitocondrial, demonstrando sua eficácia como meio seletivo de espermatozóides viáveis.
PALAVRAS-CHAVE: Sêmen, processamento seminal, atividade mitocondrial.

 

Table 3

 

 

 

P78 - Intervenção psicológica em um caso de gestação de substituição

Cássia Cançado Avelar, Ana Márcia de Miranda Cota, João Pedro Junqueira Caetano

Centro Pró-Criar Medicina Reprodutiva

RELATO DE CASO: de um casal em que a mulher deveria evitar a gravidez, tendo como indicação um tratamento de fertilização in vitro, com útero de substituição.

OBJETIVO: avaliação psicológica prévia ao tratamento do casal genético, da candidata ao empréstimo temporário do útero (donatária)prima de 1ª grau da mãe genética, e sua família.
MÉTODO: Acompanhamento psicológico do casal genético, da donatária, seu esposo e filha. Foram realizadas sesSÕEs psicológicas onde foi utilizada entrevista centrada no problema e entrevistas semi-estruturadas específicas para tratamentos de gestação de substituição. Aplicou-se o teste desenho da família à filha da candidata ao empréstimo temporário do útero.
RESULTADOS: Todos os envolvidos tiveram atendimento psicológico individual e em grupo, permitindo a expressão de sentimentos e significados para tomada de decisão. na consulta com casal genético levantamos o histórico clínico, bem como os sentimentos diante da indicação do tratamento. Foi relatado, por ambos, felicidade com a possibilidade do tratamento e a certeza desta escolha. na consulta com a donatára e esposo, foram avaliados os vínculos com o casal biológico, a motivação e compreensão com relação às implicações psicossociais do tratamento. Em consulta individual, a donatária relatou forte vínculo afetivo com a prima e o desejo genuíno de ajuda-la a ter o filho que desejava. Seu esposo, em consulta individual, relatou estar de acordo com a esposa com relação à gestação de substituição, porém disse do desejo, contrário ao da esposa, por outro filho, relatando ainda sua preocupação com a reação de seus familiares frente ao tratamento – solicitado conversa com os parentes para uma definição sobre o tratamento. Foi realizada uma consulta com a filha do casal, de 3 anos, quando foi aplicado o teste do desenho da família, para avaliar a compreensão da criança com relação ao tratamento, com primeiro diagnóstico favorável, porém com indicação de continuidade de acompanhamento psicológico no decorrer do processo. na última sessão, o marido da candidata ao empréstimo temporário do útero decidiu não realizar o tratamento, devido a fatores familiares.
CONCLUSÃO: Os resultados mostraram a importância da intervenção psicológica prévia ao tratamento, uma vez que o tratamento foi cancelado, evitando problemas futuros.

 

 

 

P79 - Gestação de substituição: Experiência de 10 anos na avaliação psicológica

Cássia Cançado Avelar, Ana Márcia de Miranda Cota, João Pedro Junqueira Caetano

Centro Pró-Criar Medicina Reprodutiva

OBJETIVO: analisar os aspectos psicológicos da gestação de substituição, relatando a experiência de 10 anos no acompanhamento de pacientes que buscaram tratamento de gestação de substituição, entre 2002 e 2012.
PACIENTES: 26 pacientes que buscaram tratamento de gestação de substituição.
MÉTODO: levantamento da ficha médica e psicológica dos pacientes, com análise qualitativa dos casos em que o tratamento foi realizado e dos casos que não foram concluídos. Destacou-se aspectos relacionados à indicação médica, avaliação psicológica das pessoas envolvidas e a discussão da posição ética e legal para o procedimento.
RESULTADO: 22% (6) dos casos tiveram parecer favorável tanto psicológico, quanto do comitê de ética tendo tido os tratamentos realizados, resultando em gravidez. 12% (3) dos casos tiveram parecer favorável tanto psicológico, quanto do comitê de ética, os tratamentos foram realizados, sendo que em dois casos o resultado foi negativo e em um o tratamento foi cancelado, devido à má resposta ovulatória da mãe biológica. Em 12% (3) dos casos, os pacientes tiveram uma primeira consulta médica/psicológica, porém não deram continuidade ao processo, não realizando tratamento. 15% (4) dos casos foram avaliados psicologicamente como inaptos, devido avaliação de relações inadequadas para o tratamento ou com fins lucrativos. 12% (3) dos casos foram indeferidos pelo comitê de ética, sendo que em um caso era de casal homoafetivo em que a paciente não tinha útero e queria utilizar seus óvulos com sêmen doado e transferir os embriões na parceira; um caso em que a paciente teria que utilizar óvulos doados e útero de substituição e um caso onde a paciente tinha problemas de saúde e riscos com uso medicamento para estimulação. Em 12% (3)dos casos, as pacientes realizaram tratamento de criopreservação oncológica, para realização de tratamento de gestação de substituição futura. Atualmente, 15% (4) dos pacientes estão com tratamento em avaliação ou andamento.
CONCLUSÃO: A gestação de substituição é uma alternativa para que pacientes sem útero funcional possa atingir a maternidade, desde que bem conduzida do ponto de vista não só médico, mas também psicológico e ético.

 

 

 

P80 - Eficiência da vitrificação de óvulos para pacientes más respondedoras

Azambuja R1; Kvitko D1; Okada L1; Reig V1; Badalotti M1,2; Petracco A1,2

1FertilitatCentro de Medicina Reprodutiva. Porto Alegre, RS. Brasil; 2Departamento de Ginecologia, Faculdade de Medicina, PUCRS Porto Alegre, RS. Brasil

OBJETIVO: Avaliar se existe um efeito positivo em criopreservar oócitos de um ciclo prévio, para posterior utilização, juntamente com um novo ciclo, nas pacientes más respondedoras.
MATERIAIS E MÉTODOS: As pacientes que apresentavam uma baixa resposta à estimulação ovariana, criopreservavam oócitos deste ciclo. Quando era realizada uma nova estimulação, os oócitos a fresco, juntamente com os previamente armazenados, eram utilizados para a fertilização. Esta alternativa foi oferecida para 29 pacientes, com idade média de 39,7 anos, entre os anos de 2009 a 2012. A estimulação hormonal foi realizada com gonadotrofina, após dessensibilização hipofisária com acetato de leuprolide. A captação oocitária ocorreu por ecografia pélvica transvaginal 34 ± 2 horas após a administração de gonadotrofina coriônica humana. As amostras seminais eram preparadas usando gradiente de concentração descontínuo. Os oócitos foram criopreservados, pelo método de vitrificação por Kuwayama et al. (1998), e descongelados no mesmo dia da aspiração folicular. Todos os oócitos viavéis eram então inseminados através da injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI). As transferências foram realizadas, sob controle ultrassonográfico, e todas as pacientes foram mantidas com 600mg de progesterona diariamente durante 12 semanas quando o resultado do β-Hcg era positivo.
RESULTADOS: Foram congelados e posteriormente descongelados 96 oócitos (média de 3,3 oócitos/ paciente), sendo que 86 (70,8%) sobreviveram. Obtivemos 11 gravidezes (37,9%), destas 10 gravidezes clinica (34,5%).
CONCLUSÕES: Estes resultados preliminares mostraram que, para as pacientes com uma baixa resposta à estimulação ovariana, a alternativa de realizar um ciclo prévio para congelar oócitos parece ter um efeito positivo. As pacientes deste estudo, utilizando-se desta alternativa, obtiveram uma taxa de gestação superior aos 22% observada em ciclos à frescos para mulheres acima de 40 anos, nesta clínica.

 

 

 

P81 - Comparação das taxas de gestação entre transferência no terceiro e quinto dia

Reig V1; Azambuja R1; Kvitko D1; Okada L1; Badalotti M1,2; Petracco A1,2

1FertilitatCentro de Medicina Reprodutiva. Porto Alegre, RS. Brasil; 2Departamento de Ginecologia, Faculdade de Medicina, PUCRS Porto Alegre, RS. Brasil

OBJETIVO: Determinar se existe diferença na taxa de gravidez, de acordo com o dia da transferência embrionária (terceiro ou quinto dia após a inseminação).
MATERIAIS E MÉTODOS: Através de um estudo retrospectivo observacional, foram analisados 409 ciclos de pacientes entre os anos de 2011 e 2012. Estas pacientes submeteram-se a uma estimulação hormonal realizada com gonadotrofina, após dessensibilização hipofisária com acetato de leuprolide. A captação oocitária ocorreu por ecografia pélvica transvaginal 34 ± 2 horas após a administração de gonadotrofina coriônica humana. As amostras seminais eram preparadas usando gradiente de concentração descontínuo. Os oócitos eram então inseminados através da injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI). As transferências embrionárias foram realizadas no terceiro ou quinto dia de cultivo, sob controle ultrassonográfico, e todas as pacientes foram mantidas com 600mg de progesterona diariamente durante 12 semanas quando o resultado do β-hCG era positivo.
RESULTADOS: A idade média das pacientes que transferiram no terceiro dia foi 36,12 e no quinto dia foi 33,96 anos. As taxas de gestação e gestação clínica estão relacionadas na tabela 1. Foi observada diferença estatística (p&lt;0,05) na taxa de gestação, contudo esta diferença não se manteve na gestação clínica.

Tabela 1. Taxas de gestação e gestação clínica de acordo com o dia da transferência embrionária (*p&lt;0,05).
CONCLUSÕES: Os resultados demonstraram que não há diferença significativa na taxa de gravidez clínica de acordo com o dia da transferência. Portanto, sugere-se que a data da transferência não interfere no resultado de gestação.

 

Table 4
Tabela 1. Taxas de gestação e gestação clínica de acordo com o dia da transferência embrionária (*p<0,05).

 

 

 

P82 - Análise dos pronúcleos e sua relação com a clivagem embrionária

Andrea Mesquita Lima, Sebastião Evangelista Torquato Filho, Tulius Augustus Freitas, Fábio Eugênio Magalhães Rodrigues, Marcus Aurélio Bessa Paiva, Eduardo Gomes Sá

BIOS – Centro de Medicina Reprodutiva do Ceará

OBJETIVOS: Correlacionar tamanho e posição dos pronúcleos, bem como alinhamento dos nucléolos, com a clivagem no terceiro dia de cultivo embrionário.
MATERIAL E MÉTODOS: no período de Janeiro de 2012 a Maio de 2012, foram analisados 230 ciclos de ICSI. Foram analisados 1129 zigotos entre 16 a 18 horas de cultivo após Injeção Intra Citoplasmática de Espermatozóide (ICSI). Os pronúcleos foram avaliados quanto ao tamanho e seu posicionamento no citoplasma, e os nucléolos foram avaliados de acordo com alinhamento ou não entre eles. A morfologia dos pronúcleos foi dividida em 3 grupos: Grupo A (pronúcleos centralizados e de tamanho equivalente) , Grupo B (pronúcleos nãocentralizados e de tamanho equivalente), e Grupo C (pronúcleos de diferentes tamanhos, centralizados ou não). Os nucléolos foram divididos em 2 grupos: Grupo A (nucléolos alinhados), e Grupo B (nucléolos não alinhados).
RESULTADOS: no quesito morfologia dos pronúcleos, os zigotos do Grupo A apresentaram maior media no número de células no terceiro (5.2) em relação aos zigotos do Grupo B (5.0) e ao Grupo C (4.9). no quesito alinhamento dos nucléolos, também foi verificada uma diferença no número médio de células no terceiro dia. Zigotos com nucléolos alinhados apresentaram média de 5,8 células, número maior do que os zigotos sem alinhamento de nucléolos (5,5). Numa avaliação conjunta dos dois quesitos (tamanho e posição dos pronúcleos e alinhamento dos nucléolos), só verificou-se diferença significativa no número de células no dia 3 na comparação entre pronúcleos de mesmo tamanho e centralizados com nucléolos não alinhados.
CONCLUSÃO: Não foi verificada diferença significativa entre os tipos de distribuição nucleolar, no entanto, o posicionamento e tamanho dos pronúcleos evidencia que tal análise pode ser algo relevante para a rotina laboratorial.

 

 

 

P83 - Avaliação da morfologia do oócito

Andrea Mesquita Lima, Sebastião Evangelista Torquato Filho, Tulius Augustus Freitas, Fábio Eugênio Magalhães Rodrigues, Marcus Aurélio Bessa Paiva, Eduardo Gomes Sá

BIOS – Centro de Medicina Reprodutiva do Ceará

OBJETIVO: Avaliar a influência das características morfológicas dos oócitos maduros nas taxas de fertilização e clivagem em casos de ICSI.
MÉTODOS: Foram avaliados oócitos maduros de pacientes submetidas a tratamento de fertilização in vitro. As características observadas foram tanto citoplasmáticas como extra-citoplasmáticas, e tais características foram comparadas e verificadas se influenciaram nas taxas de fertilização e qualidade do embrião no terceiro dia de cultivo. A morfologia oocitária foi avaliada nos seguintes parâmetros: forma, tamanho do espaço perivitelínico, presença de vacúolos, grânulos citoplasmáticos e anormalidades da zona pelúcida e corpúsculo polar. A qualidade do embrião no dia 3 de desenvolvimento foi determinada da seguinte maneira: embrião de boa qualidade aqueles que possuíam a partir de 6 células, até 20% de fragmentação e blastômeros simétricos. Os demais foram considerados de baixa qualidade. Casos com fator masculino de infertilidade serão excluídos do estudo para que a baixa qualidade do sêmen não influencie na qualidade da fertilização e do embrião.
RESULTADOS: Dos oócitos analisados, 35% foram considerados morfologicamente normais e 65% apresentaram pelo menos uma alteração morfológica. Dentre as anormalidades, 10,3% correspondiam à fragmentação do corpúsculo polar, 3,9% a espaço perivitelínico aumentado, 42,0% às granulações no citoplasma e 43,8% à presença de duas ou mais anormalidades. O número de embriões de boa qualidade oriundos de oócitos morfologicamente normais foi significativamente maior do que quando os embriões eram formados a partir de óvulos com algum tipo de alteração
CONCLUSÃO: Tais dados sugerem que oócitos com alterações morfológicas possam gerar embriões de baixa qualidade, o que pode auxiliar na escolha de qual oócitos injetar, principalmente com a questão de números máximo de embriões permitidos para transferência, e em casos em que a paciente não opta pelo congelamento de embriões excedentes, e até mesmo em locais onde a criopreservação é proibida.

 

 

 

P84 - Relevância da análise do zigoto 25 horas após a ICSI

Andrea Mesquita Lima, Sebastião Evangelista Torquato Filho, Tulius Augustus Freitas, Fábio Eugênio Magalhães Rodrigues, Marcus Aurélio Bessa Paiva, Eduardo Gomes Sá

BIOS – Centro de Medicina Reprodutiva do Ceará

OBJETIVO: Avaliar a importância da observação da clivagem precoce, como parâmetro para escolher o melhor embrião para transferir.
MÉTODOS: Foram analisados 650 zigotos 25 horas após a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI). Três níveis de desenvolvimento foram observados, dividindo a análise em 3 grupos: Grupo 1 (zigotos que continuaram com 2 pronúcleos), Grupo 2 (zigotos onde os pronúcleos já haviam desaparecido) e Grupo 3 (zigotos que já estavam clivados).
RESULTADOS: Dos 650 zigotos analisados após 25 horas, 22% continuaram com 2 pronúcleos, 41% haviam entrado em sigamia, ou seja, os pronúcleos já haviam desaparecido, e 37% haviam clivado precocemente, estando com duas células. Quando os embriões transferidos foram aqueles em que, com 25 horas, apresentaram 2 células, a taxa de gravidez foi superior (58%) quando comparada aos grupos 1 (25%) e 2 (17%).
CONCLUSÃO: Uma observação 25 horas após a ICSI é um procedimento simples, rápido, podendo ser utilizado como critério de desempate na escolha de qual embrião transferir, visto que, neste trabalho, as taxas foram significativamente maiores.

 

 

 

P85 - Diatermia ovariana guiada por ecografia transvaginal: Bovinos como modelo experimental

Anita Mylius Pimentel1,2; Daniela dos Santos Brum3; Fábio Gallas Leivas3; Lucia Maria Kliemann4; Edison Capp1,5; Helena von Eye Corleta2,5

1Programa de Pós-Graduação em Medicina: Ciências Médicas, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2núcleo de Reprodução Humana – GERAR do Hospital Moinhos de Vento; 3Laboratório de Biotecnologia da Reprodução (Biotech), Campus Uruguaiana, Universidade Federal do Pampa (UnIPAMPA); 4Departamento de Patologia, Faculdade de Medicina, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 5Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

INTRODUÇÃO: A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma desordem endócrino-metabólica que apresenta pelo menos duas desses três alterações: anovulação, hiperandrogenismo e ovários aumentados e policísticos à ecografia. O tratamento de primeira linha para infertilidade anovulatória de SOP é a indução da ovulação com citrato de clomifeno (CC). Entretanto 20% das pacientes não ovulam com o CC. Como segunda linha de tratamento utiliza-se a indução com gonadotrofinas ou a indução cirúrgica (diatermia ovariana) laparoscópica. A cauterização ovariana apesar de mais invasiva resulta em gestações únicas quando comparada ao uso de gonadotrofinas.
OBJETIVO: Estabelecer uma técnica menos invasiva que a laparoscopia para cauterização ovariana: abordagem transvaginal sob controle ecográfico, utilizando vacas como modelo experimental. Materiais e Métodos: A escolha do animal foi baseada na similaridade anatômica do ovário comparado ao de mulheres. no dia do procedimento, as vacas foram anestesiadas, o guia da agulha acoplado ao transdutor transvaginal do ecógrafo. Após identificação ecográfica do ovário, a agulha de cauterização, confeccionada para este fim, era conectada ao eletrocautério. O ovário foi puncionado e aplicada voltagem de 40 W por 5s em 4 pontos do parênquima ovariano direito (total de 800 J de energia) e 80 W no esquerdo por 5s (1600 J de energia). Após dois dias as vacas foram abatidas. A pelve foi inspecionada e os ovários coletados. A lesão ovariana provocada pela cauterização é macro e microscopicamente (histologicamente) analisada, assim como possíveis leSÕEs no trajeto da agulha.
RESULTADOS: nenhum animal apresentou leSÕEs de eletrocauterização no trajeto da agulha, apenas nos ovários. Dos 22 ovários cauterizados, apenas dois não apresentaram lesão macroscópica por problemas de coleta no momento do abate, no frigorífico. Com isso, 20 ovários cauterizados apresentaram lesão característica macroscópica com alteração por calor e perfuração, e histológica típica de cauterização: necrose com infiltrado neutrocitário perivascular. Não houve diferença significativa na extensão da lesão ovariana com as diferentes energias aplicadas.
CONCLUSÃO: a técnica se mostrou segura por via transvaginal, não havendo leSÕEs extra-ovarianas, mesmo quando utilizado o dobro da energia indicada.

PALAVRAS-CHAVE: Síndrome dos Ovários Policísticos, Diatermia Ovariana, Ecografia Transvaginal, Bovinos

 

 

 

P86 - Gravidez gemelar em útero de substituição

Mônica Canêdo Silva Maia; Tatiana Moreira da Silva; Jalsi Tacon Arruda; Carolina Rodrigues de Mendonça; Fabiana Carmo Approbato; Mário Silva Approbato

Universidade Federal de Goiás, Hospital das Clínicas, Laboratório de Reprodução Humana

INTRODUÇÃO: Útero de substituição ou cessão temporária de útero, popularmente conhecido como barriga de aluguel, é a técnica de reprodução assistida indicada para os casais em que a mulher não possui o útero ou apresenta alguma contraindicação para gestar. O procedimento não poderá ter nenhum caráter comercial envolvido, já que o ordenamento jurídico e as normas éticas no Brasil consideram o corpo humano fora de comércio.
DESCRIÇÃO DO CASO: no 1º semestre de 2012, FMVP, 33 anos e seu cônjuge ALMP, 33 anos, procuraram o Laboratório de Reprodução Humana (LABREP) HC/UFG com o objetivo de avaliar suas possibilidades reprodutivas. Frente a uma histerectomia realizada aos 13 anos na paciente devido a uma má formação, o casal foi inserido no programa de doação temporária de útero. A propedêutica incluiu: avaliação da função ovariana da paciente, espermograma, completa avaliação do sêmen do marido e, ainda “screening” sorológico para o casal. Os resultados mostraram-se dentro da normalidade possibilitando a inserção deste casal no referido programa. A doadora do útero, MGMA, mãe da paciente, 51 anos, foi então submetida a devida avaliação médica, onde afastou-se possíveis patologias que caracterizassem risco à gestação. Em março/2012 realizouse a Fertilização “in vitro” clássica obtendo-se 02 ovócitos e resultando em 01 embrião. Após 14 dias o exame β-HCG quantitativo mostrou-se negativo. Em maio/2012 foram captados 07 ovócitos obtendo-se 04 embiões, sendo que, houve a transferência de 02 e congelamento do restante. Em ambas as tentativas, utilizou-se cateter Sidney. Quatorze dias após a transferência dos embriões o exame de β-HCG resultou positivo (382,0 mUI/ml). A paciente retornou ao serviço para realização de USG, apresentando idade gestacional de 7 semanas e 4 dias, dois sacos gestacionais e BCF presentes.
COMENTÁRIOS: A doação temporária de útero representa uma alternativa real para que pacientes sem útero funcional ou histerectomizados atinjam a maternidade, trazendo para nossos serviços de reprodução uma nova demanda e novas perspectivas. Este foi o primeiro caso inserido no programa de Doação Temporária de Útero do LABREP.

 

 

 

P87 - Reação anafilática após inseminação intrauterina com sêmen de doador

Rodrigo de Carvalho Ribeiro, Raquel de Lima Leite Soares Alvarenga, Laila Succar Teixeira do Rosário Rahme, Bárbara Fernandes Cordeiro, Washington Cançado Amorim, Patrícia Antonini Duarte

Cegonha Medicina Reprodutiva e Instituto de Saúde da Mulher

OBJETIVO: Relatar caso de reação anafilática após inseminação intrauterina (IIU) com sêmen de doador.
MATERIAL E MÉTODOS: Paciente de 40 anos, marido azoospérmico, sem história pregressa de alergias. A paciente relatou ciclo de inseminação com sêmen de doador realizada anteriormente em outra clínica. A indução da ovulação foi realizada com Menopur® 75ui por cinco dias e ultrassonografia seriada. no 11º. Dia do ciclo foram observados 2 folículos maiores de 17 mm e foi administrado Ovidrel® 250µg. A inseminação foi realizada 36 horas depois com amostra do banco de sêmen, criopreservada com Test Yolk Buffer (Irvine) e lavada com HTF-Hepes (Irvine) com 10% SSS (Synthetic Serum Substitute, Irvine), com o uso do cateter de Frydman (CCD).
RESULTADOS: Após 3 horas da realização da inseminação a paciente apresentou dispneia, máculas eritematosas em todo o corpo, taquicardia e hipotensão. A paciente foi internada em unidade de terapia intensiva (UTI) e tratada com corticoide, antialérgico, adrenalina venosa e oxigenioterapia. A paciente evoluiu com estabilização do quadro, melhora do padrão respiratório e remissão das máculas eritematosas nas 12 horas seguintes à internação. não apresentou alterações hemodinâmicas importantes e seus exames laboratoriais mostraram-se dentro da normalidade. Recebeu alta da UTI 24 horas depois, eupneica, afebril, hemodinamicamente estável e usando corticoide via oral. não foi obtida gestação neste ciclo.
CONCLUSÕES: A inseminação artificial intrauterina com fluidos contendo alérgenos potenciais representa risco para pacientes atópicas, mesmo na ausência de antecedentes clínicos de doença alérgica. Foram encontrados na literatura relatos similares (Wuthrich, Stern & Johansson, 1995; Al-Ramahi, Leader & Léveillé, 1998), nos quais pacientes apresentaram reação anafilática após inseminação intrauterina homóloga. O uso de substância proveniente de animais, como a gema de ovo, o soro fetal bovino, ou as albuminas bovinas traz consigo um risco aumentado de reações alérgicas e deve ser evitado. Outros candidatos a causadores das reações alérgicas são os antibióticos adicionados rotineiramente aos meios de cultura: penicilina, sulfato de estreptomicina e gentamicina. Pacientes sabidamente alérgicas devem fazer ciclos de IIU com meios sem antibióticos.

 

 

 

P88 - Avaliação da qualidade seminal pelo teste de redução da resazurina

Raquel de Lima Leite Soares Alvarenga, Laila Succar Teixeira do Rosário Rahme, Bárbara Fernandes Cordeiro, Maurício noviello, Rodrigo Carvalho Ribeiro, Patrícia Antonini Duarte

Cegonha Medicina Reprodutiva e Instituto de Saúde da Mulher

OBJETIVO: O estudo foi realizado para avaliar a capacidade dos espermatozoides de alterar a cor da resazurina e sua correlação com os parâmetros seminais de acordo com a OMS (2010). A reação se baseia na capacidade desidrogenante dos espermatozoides vivos, que possuem enzimas capazes de liberar o hidrogênio de certos compostos resultantes do metabolismo anaeróbio do sêmen, os quais provocam a redução e a mudança da cor da resazurina, cromogênio aqui proposto para a avaliação da vitalidade dos espermatozoides. Espermatozoides ativos metabolicamente reduzem a resazurina (cor azul) para resorufina (cor rosa).
MATERIAL E MÉTODOS: 16 ejaculados foram avaliadas pelo espermograma (OMS, 2010) e pelo Teste de Redução da Resazurina. A resazurina foi adicionada a cada amostra de sêmen (8,8 µg / mL de sêmen) e as amostras foram incubadas a 37 oC durante um máximo de 2 h, e as alterações de cor indicativas de redução do corante foram anotadas de acordo com tabela de tons. Os resultados foram comparados com outros parâmetros espermáticos para avaliar a qualidade do sêmen.
RESULTADOS: Foi observada correlação positiva entre as amostras de que alteraram a cor do corante e a concentração de espermatozóides móveis na amostra. O Teste de Redução da Rezasurina indicou diferença significativa na taxa de testes positivos entre as amostras de sêmen apresentando parâmetros seminais normais em relação a amostras com parâmetros anormais.
CONCLUSÕES: O Teste de Redução da Rezasurina mostrou-se útil para determinar o potencial de fertilidade de amostras de sêmen. Este teste pode ser realizado com um volume relativamente pequeno de sêmen, é barato, de fácil execução e não requer o uso de microscopia.

 

 

 

P89 - Uso de letrozole em pacientes com baixa resposta ao estímulo ovariano controlado: um protocolo econômico e eficiente

Adriana de Goes Soligo2, MD, M.Sc.; Rosane S Rodrigues2, MD, M.Sc.; Carla Iaconelli2, MD; Amanda Setti1, B.Sc.; Assumpto Iaconelli Jr1, MD; Edson Borges Jr1, MD, PhD

1Fertility Centro de Fertilização Assistida e Associação Instituto Sapientiae; 2Fertility Centro de Fertilização Assistida

OBJETIVO: Comparar o uso de letrozole e gonadotrofinas com o uso isolado de gonadotrofina para estímulo ovariano controlado (EOC) em mulheres com fator ovariano de infertilidade.
MATERIAIS E MÉTODOS: Este estudo de coorte transversal envolveu 113 pacientes, com idade ≥ 30 e ≤ 45 anos, submetidas a ciclos de ICSI. Todas as pacientes haviam obtido < 5 oócitos em ciclos anteriores. No grupo experimental (grupo letrozole+FSH, n=35) as pacientes foram submetidas ao protocolo com uso de letrozole 5mg, no período de cinco dias, iniciado no 2º dia do ciclo, associado com uso de FSH 225UI, iniciado no 5º dia do ciclo. no grupo controle (grupo FSH, n=78), foram incluídas pacientes que utilizaram FSH 300 UI, iniciado no 3º dia do ciclo. Em ambos os grupos, o bloqueio hipofisário foi realizado com antagonista do GnRH, cetrorelix com protocolo flexível.
RESULTADOS: O grupo letrozole+FSH e grupo FSH não diferiram em relação à idade materna (39,3 ± 4,8 e 38,2 ± 4,5, p= 0,232). A dose total de FSH administrado (1588 ± 526 UI e 2491 ± 575 UI, p&lt;0,001) e os níveis de estradiol (305 ± 217 pg/ Ml e 1347 ± 1050 pg/Ml, p&lt;0,001) foram significativamente menores no grupo letrozole+FSH quando comparados ao grupo FSH. Ainda que tenham sido observados maiores números de folículos (4,9 ± 3,6 e 11,4 ± 9,8, p&lt;0,001) e oócitos (3,6 ± 2,8 e 8,1 ± 7,2, p&lt;0,001) no grupo FSH, a taxa de oócitos maduros foi similar entre os grupos (77,6% e 76,7 %, p=0.880). não houve diferença entre o grupo letrozole+FSH e grupo FSH com relação à taxa de fertilização (61,0 % e 72,8, p= 0,099), porcentagem de embriões de boa qualidade (60,3 % e 68,9 %, p=0,315), taxa de implantação (24.3 % e 26.2 %, p=0,851) e taxa de gestação (29.2 % e 33.3 %, p=0,709).
CONCLUSÕES: O uso de letrozole associado com gonadotrofina constitui um protocolo promissor para o EOC em pacientes com fator ovariano de infertilidade, com utilização de menores doses de gonadotrofina, principalmente nos casos que apresentaram baixa resposta ovariana em ciclos prévios.

 

 

 

P90 - Estimulação da ovulação em mulheres acima de 35 anos com baixa dose de FSH

Jalsi Tacon Arruda; Tatiana Moreira Silva; Mônica Canêdo Silva Maia; Mário Silva Approbato

Universidade Federal de Goiás, Laboratório de Reprodução Humana, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Pós Graduação em Ciências da Saúde

OBJETIVOS: Este estudo avaliou a eficácia da estimulação da ovulação controlada (EOC) com baixa dose de FSH-r em pacientes de 35 anos submetidas a técnicas de reprodução assistida.
METODOLOGIA: Foram analisados 118 ciclos de FIV/ICSI entre os anos de 2010 e 2011 realizados em pacientes de 35 a 46 anos de idades. A EOC foi conduzida segundo padrões de rotina utilizando agonista ou antagonista do GnRH para bloqueio hipofisário, FSH-r para estimulação ovariana e hCGrecombinante para induzir a maturação folicular final. Dois grupos de estudo foram estabelecidos de acordo com a dose total de FSH-r administrada: G151 pacientes que receberam no máximo 1600UI; G266 pacientes que receberam mais de 1600UI. Análise estatística com nível de significância de p=0,05.
RESULTADOS: a média de idade para o G1 foi de 39,05 anos (±2,9) e para o G2 foi de 38,5 anos (±2,4). A dose média no G1 foi de 1221UI (±234) e no G2 foi 2153UI (±370) apresentando diferença significativa (p&lt; 0,0001). No G1 foram coletados em média 3,1 oócitos (±3,1) e no G2 foi de 2,8 (±3,4) sem diferença significante (p= 0,64).
CONCLUSÕES: Pacientes acima de 35 anos apresentam baixa reserva ovariana, necessitando de doses elevadas de FSH-recombinante (FSH-r) em ciclos de FIV/ICSI com taxas de sucesso reduzidas. Estudos mostram que doses menores de FSH-r podem selecionar oócitos com melhor potencial de desenvolvimento e proporcionam maiores chances de implantação e menor dano ao endométrio. Além da redução dos custos, o protocolo com baixa-dose de FSH-r pode ser eficaz em pacientes acima de 35 anos. Estes resultados sugerem que o protocolo com baixadose de FSH-r pode ser capaz de selecionar oócitos de qualidade, diminuindo os efeitos prejudiciais das altas doses e diminui os custos do tratamento.

PALAVRAS - CHAVE: FSH-r, oócitos, reprodução assistida.

 

 

 

P91 - Aspectos psicológicos da ejaculação retardada: Estudo de caso

Dunga, A.L.S.

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Ejaculação retardada é a persistente dificuldade ou incapacidade de ejacular, apesar da presença do desejo sexual, ereção e estimulação adequada. As causas desta disfunção podem ser orgânicas, ingestão de drogas, especialmente medicamentos com efeitos antiadrenérgico, como resultado de intervenções cirúrgicas ou por fatores psicológicos. no que se refere à violência psicológica apresentam-se como determinantes o medo, culpa, ressentimento e passividade têm sido implicados, embora os estudos objetivos sejam raros. A escolha do objeto sexual dos homens com ejaculação retardada tem sido relatada por vários pesquisadores. Avaliação de resultados hoje consiste principalmente em relatos de casos ou relatórios individuais em pequenos grupos dos pacientes tratados sem controle. Em certa medida, apesar dos melhores resultados nos tratamentos terem sido relatados, alguns pacientes não respondem bem. Ainda não é possível de forma objetiva observar o sucesso ou fracasso. A impressão é que essa disfunção sexual é mais comum do que se previa e a falta de dados em breve deverá ser sanada.
MÉTODO: relato de caso. Objetivos: investigar: aspectos psicológicos do homem com ejaculação retardada; implicações relacionais do bloqueio ejaculatório.
CONCLUSÃO: foi possível concluir que os objetivos propostos foram alcançados.

PALAVRAS-CHAVE: ejaculação retardada; psicoterapia; psicologia e sexualidade.

 

 

 

P92 - Influencia dos fatores ambientais sobre a fertilidade masculina de pacientes do servico de reproducao humana da zona da mata mineira

Polisseni, J1; Polisseni, F1; Ribeiro, Pc1; Rosa, Jv1; Oliveira, nf1; Caetano, Jpj1

1Clínica Pró-Criar/Monte Sinai

OBJETIVO: avaliar a influência dos seguintes fatores ambientais: estresse, uso de drogas, bebida alcoólica, fumo, medicamentos, IMC, presença de doenças infecciosa e crônica, exposição a fatores ocupacionais, sobre a fertilidade masculina de pacientes submetidos à espermograma em processo de investigação para infertilidade conjugal.
MÉTODOS: estudo retrospectivo, duplo cego. Pacientes (n=68) submetidos a análise espermática, no período de novembro de 2011 a maio de 2012, do serviço de reprodução humana da zona da mata mineira, foram avaliados por questionário clínico no dia da realização do espermograma e o ejaculado foi analisado pelos seguintes parâmetros, segundo OMS 2010: concentração, motilidade e morfologia espermática. O total de investigados foi dividido em grupos, segundo o resultado da análise dos parâmetros avaliados: normal ou alterado. Para análise estatística, foi utilizado o teste do qui-quadrado (p&lt;0,05).
RESULTADOS: os indivíduos estudados tinham média de idade de 38±7,9 anos, uma concentração espermática de 55,24±10,88 espermatozóides por ml de sêmen, motilidade progressiva de 34,8±0,63 % do total de espermatozóides e morfologia normal de 3,6±1,06% dos espermatozóides. Os parâmetros concentração e morfologia não foram influenciados pelas variáveis utilizadas para avaliação da influência dos fatores de risco na fertilidade dos pacientes. Entretanto os resultados indicam uma associação significante entre a motilidade e uso de medicamento (p = 0,004). Dentre os 50 indivíduos que não utilizavam medicamento, 76% apresentaram motilidade acima de 15M/ml e dentre os 18 que utilizavam medicamentos, apenas 38,8% não tinham alteração neste parâmetro analisado. A associação entre motilidade e outras duas variáveis tiveram uma significância pouco acima de 5%: doença infecciosa e motilidade (p = 0,054) e exposição a agente químico e motilidade (p = 0,068).
CONCLUSÕES: dentre os parâmetros analisados a motilidade espermática é o fator que mais sofre influência sobre os fatores de risco aos quais os pacientes foram submetidos durante a vida. O uso de medicamento interfere de forma inversamente proporcional, sobre o a motilidade do sêmen, porém não exerceu influência na concentração e morfologia espermática dos pacientes estudados.

PALAVRAS - CHAVE: Infertilidade masculina, fatores ambientais

 

 

 

P93 - Perfil lipídico de oócitos maturados in vitro na presença ou ausência das células do cumulus: aplicações da espectrometria de massas no estudo do lipidoma e na criopreservação de gametas

Vireque AA1, Palmieri CP1, Tata A2, Santos GV2, Eberlin2 Mn, Rosa e Silva ACJS1

1Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP; 2Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas – Instituto de Química UnICAMP

OBJETIVOS: Estudos recentes demonstram a importância dos lipídios, sobretudo fosfolipídios (PLs) e ácidos graxos (AGs), na criopreservação de sêmen e embriões de mamíferos. A investigação da composição lipídica (ou lipidoma) do oócito pode melhorar a eficiência da suplementação dos meios de maturação in vitro (MIV) e soluções crioprotetoras e levar a avanços na MIV e criopreservação de oócitos humanos. A técnica de espectrometria de massas é utilizada com sucesso para estudos de lipidoma de células e tecidos. O objetivo deste trabalho é relatar a utilização da espectrometria de massas com ionização/dessorção a laser assistida por matriz (MALDIMS) para obtenção de perfis lipídicos de oócitos bovinos maturados in vitro e dos respectivos meios de cultivo visando à aplicação na TRA humana.
MATERIAIS E MÉTODOS: Complexos cumulus-oócitos (COC) ou oócitos bovinos desnudos (OD) foram maturados in vitro em TCM199 com 10% soro, FSH (0,5μg/ml), LH (5 μg/mL) durante 24 h em atmosfera úmida, 5% de CO2, 38,5 °C. A seguir, os COCs foram mecanicamente desnudados, lavados e os oócitos dos 2 grupos (COC ou OD) acondicionados em microtubos contendo 50μL de solução metanol/água ultrapura e estocados a 4 °C overnight. Grupos de 5 oócitos ou 2 μl dos meios TCM199 foram colocados sobre cada “spot” da placa MALDI e recobertos com a matriz DHB. Para coleta dos espectros foi utilizado espectrômetro de massas Bruker autoflex III MALDI-TOF(/TOF) no intervalo de m/z de 600-1200. Os espectros foram processados no software FlexAnalysis.
RESULTADOS: A análise pelo MALDI-MS mostrou diferenças nos PLs entre COCs e ODs maturados in vitro, indicando diferenças na metabolização e/ou incorporação de lipídios presentes no meio. Os espectros obtidos dos meios TCM199 mostram picos de PLs e triacilglicerois (TAGs), que provavelmente pertencem ao soro adicionado ao meio, e ausência de degradação lipídica após a MIV.
CONCLUSÃO: A técnica MALDI-MS permitiu a obtenção de perfis lipídicos informativos para meios de cultivo e oócitos maturados in vitro. O uso dessa técnica para comparação do perfil lipídico de oócitos MIV e/ou criopreservados poderá trazer contribuições em estudos visando determinar suplementação lipídica apropriada dos meios de MIV/vitrificação e diminuir a crisensibilidade de oócitos humanos.

PALAVRAS-CHAVE: Criopreservação; fosfolipídio, oócito; espectrometria de massas; perfil lipídico

 

 

 

P94 - Reserva ovariana em mulheres submetidas à quimioterapia gonadotóxica avaliada através do hormônio antimülleriano em comparação ao fsh e contagem de folículos antrais.

Ângela Marcon D’avila1,2; Anita Mylius Pimentel1,3, Edison Capp4, 5, Helena von Eye Corleta3, 5.

1Programa de Pós-Graduação em Medicina: Ciências Médicas, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2Embrios Centro de Reprodução Humana; 3núcleo de Reprodução Humana – GERAR do Hospital Moinhos de Vento; 4Laboratório de Biotecnologia da Reprodução (Biotech), Campus Uruguaiana, Universidade Federal do Pampa (UnIPAMPA); 5Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Reserva ovariana (RO) é definida como o número de folículos ovarianos e corresponde à estimativa da capacidade de produção de oócitos passíveis de fertilização. Mulheres submetidas à quimioterapia com agentes alquilantes apresentam queda da RO. Estudos vêm demonstrando que a RO pode ser inferida laboratorialmente mediante dosagem sérica do hormônio antimülleriano (HAM), uma glicoproteína moduladora do crescimento folicular com o objetivo de predizer a resposta ao estímulo gonadotrófico em tratamentos de reprodução assistida.
OBJETIVO: Estudar o HAM como marcador da RO em mulheres com câncer de mama após quimioterapia com ciclofosfamida e compará-lo a outros marcadores de RO como FSH e contagem de folículos antrais (CFA).
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram selecionadas 52 pacientes (35,2+/-3,8 anos) com avaliações séricas e ultrassonográfica antes da quimioterapia e 2 e 6 meses após o seu término.
RESULTADOS: O HAM foi significativamente maior no tzero (3,89 ±4,38) do que nos t2mpq (0,09±0,53) e t6mpq (0,98 ±1,85).O FSH (tzero=6,74 ±3,61,t2mpq=63,34 ±46,3 e t6mpq=28,85 ±29,42) apresentou diferença significativa entre todos os tempos, com diminuição de seus níveis no t6mpq, coincidindo com a avaliação dos ciclos menstruais. A CFA (tzero=11,3 ±3,61, t2mpq=5,63±2,56 e t6mpq=5,32 ±3,14) demonstrou queda significativa após a quimioterapia. no t6mpq as pacientes que estavam eumenorréicas apresentavam níveis de HAM e CFA significativamente maiores e níveis de FSH significativamente menores. A CFA não apresentou diferença entre o t2mpq e t6mpq, independente do retorno da ciclicidade menstrual(30% das pacientes amenorréicas voltaram a ciclar em t6mpq). As pacientes que se mantiveram eumenorréicas no t6mpq apresentavam níveis de HAM e CFA significativamente maiores no tzero.
CONCLUSÕES: Todos marcadores mudaram significativamente com a ação gonadotóxica. Entretanto, a CFA foi o único marcador que não demonstrou mudança após as pacientes expostas à quimioterapia voltarem a ciclar. Assim, o HAM pode ser utilizado como marcador de reserva ovariana porque demonstra claramente queda em seus níveis, de forma mais fiel que o FSH, mesmo com ciclos menstruais regulares, porém, parece que a CFA pode ser mais fiel à RO por não sofrer modificações mesmo quando os ciclos menstruais voltam a ser regulares. CFA e HAM podem ser utilizados como preditores de gonadotoxicidade.

PALAVRAS-CHAVES: hormônio antimülleriano, gonadotoxicidade, reserva ovariana, contagem de folículos antrais.

 

 

 

P95 - Efetividade da proteína da clara de ovo em mulheres com risco elevado para síndrome da hiperestimulação ovariana grave

Michelon J, Badalotti M, Badalotti F, Petracco A.

Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva

OBJETIVO: Avaliar a eficácia do uso de claras de ovos de galinha na prevenção da forma grave da Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHEO) em pacientes com risco elevado para a síndrome.
MATERIAIS E MÉTODOS: Quarenta e duas mulheres com alto risco para SHEO foram submetidas a FIV com protocolo longo. Vinte e duas delas (G1) usaram medidas preventivas com albumina humana 20g no dia da transferência e/ ou menor dose de hCG e/ou Bromocriptina e não transferiram os embriões, os quais foram criopreservados e transferidos em ciclos futuros. As outras 20 mulheres (G2) usaram seis claras de ovos ao dia, divididas em três tomadas, a partir do quinto dia de estimulação até o dia do teste de gravidez, sem nenhuma outra medida adicional, e todas transferiram seus embriões. Os dados foram analisados estatisticamente pelos testes Qui-Quadrado e Exacto de Fisher.
RESULTADOS: O número médio de folículos no G1 foi 46,9 e no G2 de 47,7. A taxa de fertilização foi semelhante entre os grupos (71% e 80%, respectivamente). A taxa de gravidez clínica, quando comparado embriões criopreservados do G1 e embriões frescos de G2, foi semelhante (45,5% e 40%, respectivamente). O diâmetro ovariano médio, uma semana depois da aspiração folicular, foi semelhante entre os grupos (8,2cm no G1 e 6,9cm no G2). A necessidade de visitas médicas para acompanhamento da SHEO, depois da punção folicular, foi significativamente menor (p&lt;0,001) no G2 (média de 3,4 visitas no G1 e 1,3 no G2). O desenvolvimento de SHEO grave (18% dos casos) foi exclusivo no G1 (p=0,004). Todas as mulheres do G2, mesmo aquelas que engravidaram, tiveram ausência ou, no máximo, SHEO leve. SHEO moderada ocorreu em 18% das mulheres do G1. nenhuma reação adversa ao uso das claras de ovos foi observada.
CONCLUSÕES: O uso profilático de claras de ovos durante a FIV mostra-se eficaz e seguro na prevenção da SHEO grave em pacientes com alto risco para desenvolver a síndrome, mesmo na ocorrência de gravidez. Secundariamente, esta medida evita a transmissão de prions ou infecções virais como hepatites e HIV, relatados com o uso da Albumina Humana.

 

 

 

P96 - Eficiência da vitrificação de embriões em haste utilizando papel filtro para remoção do excesso da solução crioprotetora

Salvador Ra1; Frajblat M2; Amaral V L L1

1UnIVALIUniversidade do Vale do Itajaí Itajaí/SC; 2UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro Rio de Janeiro/RJ

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficiência da vitificação de embriões murinos em haste utilizando papel filtro como método para a remoção do excesso da solução crioprotetora. Embriões de camundongo no estágio de 2 células foram expostos à solução crioprotetora VI-I (Ingámed®) por 12 minutos, sendo então transferidos para a solução VI-II (Ingámed®) e envasados em hastes de vitrificação (Vitri Ingá, Ingámed®). O excesso da solução crioprotetora foi removido por dois métodos: 1) com o auxílio de pipeta Pasteur de vidro estirada (grupo controle) e 2) com pequenas tiras de papel filtro estéril (grupo teste) . As hastes foram então submersas em nitrogênio líquido. O tempo decorrido entre a exposição à solução VI-II e a imersão no nitrogênio líquido não excedeu 60 segundos. O aquecimento dos embriões foi realizado mergulhando as hastes diretamente em solução DV-I (Ingámed®) onde permaneceram por 1 minuto antes de serem transferidos para a solução DV-II (Ingámed®). Após 3 minutos foram lavados 2 vezes na solução DV-III( Ingámed®), por 5 minutos cada. Os embriões foram cultivados em placas de poliestireno (15x35mm, Ingámed®), em gotas de 30μL de meio (Global Lifeglobal®, suplementado com SSS -Irvine Scientific®), cobertas com óleo mineral e previamente gaseificadas. O cultivo foi realizado em incubadora Thermo modelo 3110, com temperatura de 37ºC e 5% de CO2. O desenvolvimento embrionário foi avaliado até o estágio de blastocisto expandido e os resultados analisados pelo teste χ2 (chi-quadrado). Não foram observadas diferenças nas taxas de blastocisto expandido entre os grupos teste (93%) e controle (89%). Os resultados deste estudo sugerem que a utilização de tiras de papel filtro pode ser empregada na remoção do excesso da solução crioprotetora sem alterações dos resultados da técnica de vitrificação em haste.

 

 

 

P97 - Utilização de genes biomarcadores para avaliação da qualidade de embriões cultivados em sistema de cultivo sequencial e único

Polisseni, J1,2,3; Polisseni, F3; Munck, Mp2; Guerra, Mo1,; Camargo, Lsa2; Peters, Vm1

1Centro de Biologia da Reprodução – Ufjf; 2Embrapa Gado de Leite; 3Clínica Pró-Criar/Monte Sinai

OBJETIVO: Comparar os sistemas de cultivo único e sequencial através da avaliação do desenvolvimento embrionário e expressão dos genes facilitadores do transporte de glicose 1 e 5 (Glut-1 e Glut-5) e relacionados ao estresse celular (Hspa 70.1 e Prdx), utilizando embrião bovino como modelo experimental.
METODOLOGIA: Complexos cumulusoócitos (n=1040) foram obtidos de ovários de matadouro, maturados e fertilizados in vitro. Os zigotos obtidos foram semi-desnudados e distribuídos, aleatoriamente, entre os grupos de cultivo CR2aa (n = 276), SOF (n = 264) (meios conhecidos no cultivo de embriões bovinos), sistema de cultivo seqüencial: ECM / Multiblast Irvine® (n = 163) e sistema de cultivo único: Global – Life Global® (n = 284). As taxas de clivagem e blastocisto foram avaliadas. Utilizou-se PCR em tempo real para análise da expressão dos genes nos blastocistos. As diferenças estatísticas entre os grupos de tratamento foram analisados pelo teste qui-quadrado. A quantificação da expressão dos genes foi avaliada pelo software Relative Expression Software Tool (REST®) através do Pair Wise Fixed Reallocation Randomisation TEST®. Valores p&lt;0,05 foram considerados significativos.
RESULTADOS: não ocorreu diferença (P&gt;0,05) na taxa de clivagem entre os grupos (72,1%, 76,1%, 74,0%, 76,4%, respectivamente para CR2aa, SOF, meio sequencial ECM/Multiblast®, e meio único Global®). Também não houve diferença (P&gt;0,05) na produção de blastocisto entre os grupos (30,4%, 27,0%, 35,0% e 38,0%), no oitavo dia de cultivo. Entretanto houve diferença na expressão dos genes importantes no desenvolvimento embrionário. Os sistemas de cultivo único e sequencial, quando comparados entre si, não foram influenciados pela expressão de transcritos de genes em resposta ao estresse: Hsp70.1 e Prdx. Já o Glut-1 e o Glut-5 apresentaram uma maior expressão de transcritos (P&lt;0,05) no sistema único de cultivo, sugerindo a melhor qualidade dos embriões neste sistema, quando comparado com o sistema de cultivo sequencial.
CONCLUSÃO: Em relação ao desenvolvimento embrionário, os sistemas de cultivo foram semelhantes. De acordo com a expressão genica, o sistema de cultivo único apresentou-se superior, pois os gluts são moléculas reguladoras do desenvolvimento embrionário. Eles poderiam ser utilizados como biomarcadores para o estudar a viabilidade do embrião.

 

 

 

P98 - Aspéctos bioéticos sobre o destino dos embriões criopreservados nas clinicas de reprodução

Girlene Celestina de Jesus, Lucialda Dias Lopes Chaves, Marcelle Reis Miranda, Paulo Franco Taitson

Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – PUC Minas.

OBJETIVO: Perceber aspectos bioéticos em relação ao destino de embriões criopreservados na literatura internacional.
MATERIAL E MÉTODOS: Pesquisa exploratória tendo como fonte de consulta, pesquisa na base de dados do MEDLINE. Os descritores selecionados foram: Unused embryos and bioethics, bioethics and assisted reproduction. Período da pesquisa: Publicações de 2000 à 2010.
RESULTADOS: A partir desta busca, foram encontrados 115 artigos. Os dados mostraram que em 93,91% dos estudos existe uma preocupação real por parte dos pesquisadores quanto ao destino dos embriões congelados. no entanto, é discutível o que fazer com estes embriões. nos estudos envolvidos, a preocupação ética esteve presente tanto para médicos, biólogos e enfermeiros.
CONCLUSÃO: É notória a preocupação dos pesquisadores sobre o destino dos embriões congelados em clínicas de reprodução humana. Atualmente sabe-se que o Brasil é um dos países com o maior número de embriões nestas condições. Com a Lei nº 8.974, a Lei de Biossegurança e a Resolução nº 1358 da AnVISA, mostra-se premente uma mudança de postura no Brasil quanto a necessidade e a responsabilidade de se congelar embriões.

 

 

 

P99 - Início tardio da gravidez. Tendência atual das mulheres?

Danielle Miranda Barbosa, Samara Lima de Oliveira, Cristiane neiva Carvalho Dilly, Ana Paula Lopes Dumont Amormino, Paulo Franco Taitson

Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – PUC Minas

OBJETIVOS: Discutir o aumento da média de idade das mulheres que procuram tratamento de infertilidade.
MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma pesquisa na base de dados do MEDLINE, no período de 2002 a 2010 com os seguintes descritores: assisted reproduction, age and assisted reproduction.
RESULTADOS: Foram encontrados 36 artigos que definiram o horizonte de estudo. A idade da mulher e as possíveis alterações fetais decorrentes deste quesito foram evidentes em 97% dos estudos.
CONCLUSÃO: Mesmo reconhecendo a possibilidades de alterações morfológicas fetais e gravidez de risco após os 40 anos, torna-se preocupante observar que cada vez mais as mulheres tem retardado a gravidez. Independência financeira, realização profissional e casamento tardio são os principais indicadores.

 

 

 

P100 - A bioética e o diagnóstico genético pré-implantacional (PGD)

Grazielle A. Silva Rodrigues, Isabela Pereira Silva, Joyce de Carvalho Xavier, nívea Evangelista Rocha, Paulo Franco Taitson

Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde PUC Minas

OBJETIVOS: na atualidade, os casais vivem o seguinte paradigma: prosseguir com o tratamento da infertilidade conjugal mesmo após descobrir através do Diagnóstico Genético pré-implantacional que embriões provenientes da reprodução assistida tem alguma anomalia genética ou optar por não levar adiante o tratamento.
MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma busca na base de dados do MEDLINE, no período de 2004 a 2011com os seguintes descritores: assisted reproduction, preimplantation genetic diagnosis and bioethics.
RESULTADOS: Foram selecionados 64 artigos para o estudo. Em 92,18% dos estudos observouse a dificuldade dos casais em definir se levam adiante o tratamento da infertilidade. Quanto mais velho era o casal e maior o tempo de infertilidade, a dúvida mostrou-se mais evidente (95%).
CONCLUSÃO: Existe ainda uma dificuldade substancial dos casais em reconhecer o Diagnóstico Genético Pré-Implantacional como uma técnica eticamente aceitável.

 

 

 

P101 - Atuação do enfermeiro na prevenção da síndrome de hiperestimulação ovariana

Thiago dos Santos Pimenta, Darlene B. Lamim, natália Costa Laurindo, Ana Paula Sousa, Paulo Franco Taitson

Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – PUC Minas.

OBJETIVO: Descrever a atuação do enfermeiro e os aspectos atuais da prevenção e controle do hiperestímulo ovariano em pacientes submetidas a tratamento de infertilidade.
MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de pesquisa na base de dados do MEDLINE com os seguintes descritores: nurse and assisted reproduction, nurse and ovarian hiperstimulation syndrome.
RESULTADOS: Foram selecionados inicialmente 84 artigos para o presente estudo. Todavia, somente 36 artigos publicados entre os anos de 2005 e 2011 se enquadraram para o estudo final. Em 50% dos estudos observou-se o papel importante do enfermeiro como primeiro agente de abordagem e investigação do quadro de hiperestímulo ovariano. Em 61,11% dos estudos é destacado o papel do enfermeiro nos serviços de reprodução. Mostrou-se também uma redução de 12% da ocorrência da hiperestímulo ovariana nos últimos cinco anos.
CONCLUSÃO: Apesar da redução da incidência da hiperestímulo ovariana e suas implicações, torna-se necessário melhorar o monitoramento das pacientes que apresentam tendência a esta caracterização bem com aumentar o número de enfermeiros capacitados para se atuar na área da infertilidade.

 

 

 

P102 - Riscos que os metais cádmio e chumbo podem causar a capacidade reprodutiva do homem.

Aline Michelle Tonucci, Leandro M. Fráguas, natália Reis Oliveira, Roseane C. D. Santos, Adriana S. Duarte, Paulo F. Taitson

Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – PUC Minas.

OBJETIVO: Investigar o risco que certas substâncias metálicas podem causar à capacidade reprodutiva do homem, assim como relatar os efeitos que a exposição a metais podem causar na população masculina em idade reprodutiva e rediscutir formas e meios de prevenção quanto a exposição ao cádmio e ao chumbo.
MATERIAL E MÉTODOS: Realizou-se uma pesquisa na base de dados do MEDLINE. Somente artigos com período de publicação compreendido entre 2006 a 2011, delimitados em sexo masculino no idioma inglês foram selecionados. A pesquisa envolveu somente artigos com público alvo dos Estados Unidos.

Nesta busca utilizou-se como descritores: male infertility and heavy metals, lead and cadmium and male infertility.
RESULTADOS: Foram selecionados 50 estudos. Constatou-se que a infertilidade masculina por cádmio é de 0,4% e por chumbo 0,9% entre o horizonte envolto de 210 pacientes.
CONCLUSÃO: Apesar da baixa incidência de infertilidade masculina por metais pesados, particularmente por cádmio e chumbo, torna-se necessária melhor implementação de programas de biossegurança em indústrias que trabalham com estes metais pesados como matéria prima.

 

 

 

P103 - Incidência de malformações cardíacas em crianças concebidas por reprodução assistida

Daniela Divino Kwong, Gabriela C. Araújo Lima, Ludmila Santos Coelho, Wanessa Dias Bruce, Paulo Franco Taitson

Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – PUC Minas.

OBJETIVO: Identificar a ocorrência de malformações cardíacas ocorridas em crianças concebidas por técnicas de reprodução humana assistida.
MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de uma pesquisa do tipo exploratório quantitativo na base de dados do MEDLINE em trabalhos publicados no período de 2005 a 2011, nos idiomas português, inglês e espanhol. Para isto utilizou-se as seguintes palavras chaves: cardiac malformations and techniques of human reproduction, cardiac malformations and risk factors and assisted reproduction.
RESULTADOS: Foram, inicialmente, selecionados 42 artigos dos quais somente 30 foram utilizados neste estudo por atenderem aos objetivos propostos. Em 116 pacientes constantes neste estudo, pode-se definir que as anormalidades cardíacas representam 9% das malformações observadas em crianças concebidas por reprodução assistida. 61% destes estudos mostraram uma tendência de aumento destas malformações em mulheres com idade superior a 41 anos.
CONCLUSÃO: Apesar de estudos mostrarem uma incidência baixa de anormalidades cardíacas em crianças concebidas por técincas de reprodução assistida, nos preocupa uma tendência de aumento destas malformações em mulheres com idade superior a 41 anos.